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A tecnocracia em ascensão

Assinatura do Convênio Brasil–EUA, no governo do marechal Castello Branco: alinhamento econômico e ideológico.
O primeiro momento do regime militar, durante a Presidência do marechal Humberto Castello Branco, preocupou-se com a reorganização econômica. A inflação era altíssima e a dívida externa brasileira parecia inadministrável. O economista Roberto Campos, que havia sido embaixador de João Goulart em Washington, tornou-se ministro do Planejamento. A chegada maciça de investimentos de instituições norte-americanas ao Brasil foi, nesse período, indiscutível para a retomada do crescimento. Junto com o dinheiro vieram também as implacáveis críticas nacionalistas.

Nacionalismo e estatismo

Durante a Presidência do general Arthur da Costa e Silva, surgiu a política do "tripé econômico", formada pelo Estado, pelo grande capital local e pelas multinacionais. Essa estratégia foi mantida, ajudando a compor as empresas de indústria pesada e de exploração de recursos naturais. Exemplos disso são a associação da Vale do Rio Doce com a U.S. Steel – para explorar ferro em Carajás – e a formação da hidrelétrica Itaipu Binacional, com o Paraguai.

O estouro de crescimento econômico, ocorrido entre 1968 e 1973, ficou conhecido como "Milagre Econômico". Mas, ao lado da euforia da classe média, que teve seu poder aquisitivo ampliado naquele momento, convivia um outro país, que não era atingido por esse milagre.
"O Milagre Econômico"


A ênfase da presença do Estado na economia alinhava-se ao projeto Brasil Potência, que o governo militar vislumbrava para o País. Iniciativas econômicas grandiosas, somadas a uma propaganda competente, culminaram no governo Médici com o chamado "Milagre Econômico" (1968 a 1973). Seu principal artífice foi o economista Antônio Delfim Netto, que já tinha sido ministro da Fazenda no Governo Costa e Silva.

Os Estados Unidos viviam crises internas com a Guerra do Vietnã e o escândalo de Watergate, que levou ao impeachment e à renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974.


Alimentados pelo capital externo, os governos militares investiram milhões de dólares em megaprojetos, como as usinas hidrelétricas.
As novas alianças

A crise internacional do petróleo, em 1973, levou a economia mundial a uma retração. O Brasil não seguiu essa orientação. Optou por manter sua política de crescimento. O presidente Ernesto Geisel também incentivou os megaprojetos, sobretudo no setor hidrelétrico. Em 1975, assinou com a Alemanha um acordo nuclear de US$ 10 bilhões para instalar oito usinas atômicas no Brasil.

Cartaz de propaganda do novo sistema de telecomunicações no período militar: progresso à custa da explosão da dívida externa.


A iniciativa foi atacada devido ao péssimo momento econômico para o investimento e pela aquisição de uma tecnologia obsoleta e defeituosa. Além disso, em nada interessava, externamente, que o Brasil avançasse na área nuclear.

O imperialismo torna-se o vilão
Operário da General Motors: na década de 1980, as multinacionais já integravam o cenário do País.

A decadência do regime militar esteve associada à crise econômica e à má administração dos governos Médici, Geisel e Figueiredo. A oposição ao sistema criticava a intervenção e as imposições ditadas pelo FMI. Depois disso, o alvo das oposições foi o imperialismo norte-americano – representado pelo governo e pelo empresariado.

As multinacionais eram acusadas de ser o escoadouro das riquezas do Brasil. As auditorias do FMI nas contas do País eram uma dura interferência na soberania nacional.






A transição para a democracia, com o governo José Sarney (1985 a 1990), em um período de caos econômico, antes de mais nada teve de recuperar a confiança nacional e internacional.


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