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O abolicionismo

Militares da Guerra do Paraguai.
A partir de 1870, com o final da guerra com o Paraguai, o Brasil começou a passar por um período de mudanças. O café, base da economia nacional, favoreceu a construção de ferrovias; milhares de imigrantes europeus chegaram ao país para trabalhar nas lavouras ou para povoar o território brasileiro; pequenas e médias indústrias começaram a funcionar. Ao mesmo tempo que aumentava o número de trabalhadores assalariados, mantinha-se a mão de obra escrava. O governo via-se pressionado, de um lado, pela Inglaterra, que exigia o fim da escravidão; de outro, pelos latifundiários, que defendiam a manutenção do sistema escravagista, pois contavam com negros trabalhando em suas fazendas. Nesse panorama, começou a ganhar força junto à população urbana o movimento abolicionista, exigindo o fim da escravidão no país.

Os abolicionistas e os emancipacionistas

O movimento abolicionista contava com o apoio da classe média urbana, principalmente de políticos, intelectuais, profissionais liberais, escritores, universitários, e se dividia em duas correntes:
-  Os emancipacionistas defendiam a abolição sem se preocupar com o futuro dos escravos. Para eles, a alforria eliminaria os prejuízos que a manutenção dos escravos impunha à lavoura, dificultando a vinda de imigrantes.

-  Os abolicionistas julgavam necessário a criação de mecanismos de integração do negro liberto à sociedade.

As formas de pressão

As campanhas concentraram-se nas cidades. Os antiescravistas organizavam festas beneficentes, comícios em praças públicas, fundavam jornais e associações. O movimento alastrou-se por todo o Brasil. Em Fortaleza, por exemplo, tipógrafos de uma gráfica recusaram-se a publicar panfletos a favor da escravidão. A Igreja apoiou o movimento. Em 1887, militares recusaram-se a caçar escravos foragidos.

Na luta pela liberdade, os negros transmitiam recados por códigos, muitos fugiam, abrigando-se em quilombos. Outros chegavam a matar seus senhores.


Leis para retardar a abolição
Joaquim Nabuco: em defesa do abolicionismo.

O governo aprovou leis que pareciam ser benéficas aos escravos, mas não punham fim à escravidão. Pela Lei do Ventre Livre, a partir de 28 de setembro de 1871, os filhos de escravos nasceriam livres.

As crianças ficavam até os 8 anos sob o poder dos senhores. Nessa idade, os proprietários decidiam se as mantinham como escravas até os 21 anos ou se recebiam do Estado uma indenização por sua libertação.

Habitação de Escravos, de João Maurício Rugendas.

Em 28 de setembro de 1885, o governo aprovou a Lei Saraiva-Cotegipe, ou Lei dos Sexagenários, libertando os escravos com mais de 60 anos, idade que a maioria não alcançava. A lei estabelecia que, mesmo depois de livre, o escravo deveria prestar mais três anos de serviços gratuitos a seu senhor.

Lei Áurea

Em 8 de maio de 1888, o projeto da Lei Áurea, que punha fim à escravidão, foi levado à Câmara. Ao ser assinada pela Princesa Isabel, a 13 de maio, foi festejada por uma semana.

População do Rio de Janeiro comemora a assinatura da Lei Áurea,
em 13 de maio de 1888; ao lado, retrato de D. Pedro II e a família imperial.


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