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Integralismo, o fascismo tupiniquim

Em 23 de abril de 1933, milhares de homens de camisa verde, levando no braço a letra grega sigma maiúscula ((sum)), fizeram uma marcha pelas ruas da cidade de São Paulo. Eram os militantes da Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento fundado em 1932 e liderado pelo escritor modernista Plínio Salgado. Influenciados pelas ideias fascistas que reinavam na Itália, os integralistas pregavam a ordem e a disciplina e defendiam um Estado com forte controle do governo.

Luís Carlos Prestes (à paisana) preso em 1936.
A Intentona Integralista

A Ação Integralista Brasileira realizou seu primeiro congresso em 1934, no Espírito Santo. Chegou a ter 400 mil militantes. Em 1937, Getúlio Vargas obteve seu apoio para implantar a ditadura do Estado Novo. No ano seguinte, o presidente dissolveu a AIB. Em maio de 1938, os integralistas tentaram um golpe para capturar Getúlio Vargas e assumir o poder. A conspiração falhou e 1.500 golpistas foram presos.

A resposta comunista

A resposta ao integralismo foi a Aliança Nacional Libertadora (ANL), criada em janeiro de 1935. Reunindo comunistas, socialistas e liberais-democratas, fazia oposição ao fascismo integralista. Sua liderança foi entregue ao comunista Luís Carlos Prestes e ao general Miguel Costa. Os comícios da ANL levavam multidões às ruas. Seus líderes defendiam o cancelamento da dívida externa, a nacionalização das empresas estrangeiras e a reforma agrária. Postos na ilegalidade em julho, tentaram em novembro chegar ao poder por meio de um golpe no Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Pernambuco, mas foram reprimidos. Centenas de pessoas foram presas, entre elas Prestes, capturado em janeiro de 1936 e condenado a 16 anos de cadeia.

Rotogravura de O Estado de S. Paulo, de 1936, primeira impressão da guerra em São Paulo.


O movimento queremista

Em 1937, Getúlio Vargas implantou o Estado Novo. Pressionado de todos os lados, o ditador prometeu que, ao fim da Segunda Guerra, iniciada em 1939, o Brasil voltaria à democracia. Em 1945, com a guerra no final, a população passou a exigir do presidente o cumprimento de sua promessa.

Em charge de Péricles para a revista O Cruzeiro, de maio de 1945, o Amigo da Onça ironiza o movimento queremista.

Sob pressão, Vargas promulgou leis prevendo uma nova Constituição, autorizou a formação de partidos políticos e marcou eleições diretas para presidente. Em 13 de março, lançou o general Eurico Gaspar Dutra como seu candidato à sucessão.

Povo nas ruas
Embora tenha lançado a candidatura de Dutra, Vargas queria continuar no poder e, para tanto, procurava manter uma forte base de apoio popular. Em julho de 1945, Luís Carlos Prestes foi anistiado e, ao sair da cadeia, passou a defender a permanência de Vargas no poder. Em agosto, líderes sindicais e funcionários do Ministério do Trabalho organizaram uma série de comícios, transmitidos ao vivo por emissoras de rádio, nos quais gritavam o slogan: "Queremos Getúlio". O movimento, batizado de "queremismo", levou milhares de pessoas às ruas, apesar de Getúlio Vargas continuar afirmando não ser candidato à Presidência.

A deposição de Vargas

Em outubro de 1945, o chefe da Polícia do Rio de Janeiro, João Alberto, proibiu um comício queremista e foi afastado de suas funções. Seu posto foi ocupado por Benjamin Vargas, irmão de Getúlio. Temendo que o presidente pretendesse continuar no poder, os militares depuseram-no em 29 de outubro.

O ministro José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal, assumiu interinamente o cargo, até que Dutra, eleito em dezembro, fosse empossado no Palácio do Catete.


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