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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838)

Homem de Ciência, estudioso dos minérios, ficou conhecido como o 'Patriarca da Independência'. Nascido em Santos, São Paulo, de família rica, José Bonifácio formou-se, em Coimbra, em Direito e Ciências Naturais. Admirava as ideias de igualdade, mas não aceitava a desordem.

De cientista a político

José Bonifácio voltou ao Brasil em 1819, aos 56 anos. Em Santos, estreitou sua amizade com o irmão Martim Francisco, com quem fez diversas expedições mineralógicas. Após a Revolução Liberal em Portugal (1820 a 1821), que abriu caminho para a formação do Congresso Constituinte, foi eleito deputado em São Paulo.

Mudanças sim, mas com ordem

O político paulista uniu-se aos conservadores, que viam a Constituição como um meio de preservar a Monarquia. Em meados de 1822, quando ficou claro que Portugal planejava fazer o Brasil retornar à condição de Colônia, apoiou a ideia de D. Pedro de convocar uma Constituinte e desafiar as decisões da Coroa portuguesa.

Visconde e Viscondessa da Cachoeira: influência e destaque no reinado de D. Pedro I.

Os grandes proprietários e comerciantes aliavam-se a José Bonifácio, que acreditava na mudança sem alteração da ordem estabelecida.


D. Pedro I com as insígnias de Duque de Bragança.
Todo o poder ao imperador


Para Bonifácio, só a concentração de poder nas mãos do imperador impediria o esfacelamento do Império. Essa posição prevaleceu na Constituição outorgada por D. Pedro I em 25 de março de 1824, que garantia ao rei o Poder Moderador.

Os marcos da Constituição

- Com 169 artigos, a Constituição imperial estabelecia:
-  Um governo monárquico, com quatro poderes:­ Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador, este último exercido pelo imperador.
- Um Conselho de Estado para orientar o imperador em situações graves. Seus membros deveriam ter mais de 40 anos, renda de 800 mil-réis ou mais, e notório saber.
-  A nomeação pelo imperador dos presidentes das províncias e dos juízes vitalícios.
-  A união da Igreja com o Estado e a determinação do catolicismo como religião oficial.
-  A exclusão política dos pobres, das mulheres e dos escravos, que não tinham direito de voto.


As desavenças com D. Pedro I

José Bonifácio era acusado de déspota e tinha como opositores os liberais e as pessoas próximas a D. Pedro, como a Marquesa de Santos. O retorno de D. João VI a Portugal, em abril de 1821, gerou o medo de um retrocesso no Brasil, e o político criticava a presença de oficiais portugueses no Exército brasileiro e no Gabinete. Os irmãos José Bonifácio, Martim Francisco e Antônio Carlos, além de outros deputados, foram exilados na Europa. Bonifácio só voltou ao Brasil em 1829.

Forçado a abdicar de seu trono em abril de 1831, o imperador nomeou o velho conselheiro como tutor de seu herdeiro, D. Pedro de Alcântara. Suspeito de ter participado da conspiração para trazer de volta ao trono D. Pedro I, Bonifácio foi perseguido e preso em 1833, sendo destituído do cargo de tutor. Foi absolvido da acusação e morreu na atual cidade de Niterói.



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