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Carlos Lacerda (1914-1977)

Político e jornalista carioca, a trajetória de Carlos Lacerda começou quando, ainda jovem estudante de Direito, ingressou como militante na Juventude Comunista. Atuou contra a expansão dos movimentos fascistas, representados aqui pela Ação Integralista Brasileira.

Rompendo com o comunismo

Em 1939, já em plena ditadura do Estado Novo, Lacerda rompeu com os comunistas, alegando que, se chegassem ao poder, instaurariam uma ditadura ainda pior. Seis anos depois, em maio de 1945, entrou para a União Democrática Nacional (UDN).

Sua atuação mais expressiva deu-se nas páginas do Tribuna da Imprensa, no qual combatia impiedosamente as bases getulistas.

Lacerda em reunião da UDN, em 1954.
Críticas ferozes


A campanha presidencial de 1950 foi feroz. Lacerda procurou de todas as maneiras impedir a vitória de Getúlio Vargas, dessa vez eleito democraticamente. A acusação de corrupção no governo era seu grande mote. Nesse mesmo ano, fundou o Clube da Lanterna, reunindo parlamentares opositores ao presidente e que fiscalizavam minuciosamente os passos do governo. A rivalidade entre Lacerda e Getúlio atingiu seu auge em 1954, quando o jornalista foi alvo de um atentado, cujo mandante teria sido o chefe da Guarda Presidencial.

A rivalidade entre Lacerda e Getúlio atingiu seu auge em 1954, quando o jornalista foi alvo de um atentado, cujo mandante teria sido o chefe da Guarda Presidencial.


Getúlio Vargas nos pampas, vestido com bombacha tradicional do gaúcho.
Crise termina com o suicídio de Vargas


O jornal Tribuna da Imprensa passou a exigir em seus editoriais a renúncia de Vargas. O desfecho aconteceu em 24 de agosto, quando Vargas cometeu suicídio. No dia seguinte, Lacerda passaria de vítima a vilão, quando a população foi às ruas chorar a morte de Getúlio. Nas eleições de 1960, apoiou Jânio Quadros para a Presidência e foi o primeiro governador eleito do Estado da Guanabara.

Oposição a Jango

Aliado ao governador paulista Adhemar de Barros, articulou a opinião pública contra Jango, acusando-o de comunista. Em 19 de março de 1964, liderou em São Paulo a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, anticomunista e católica, indo contra a política de reformas de base do governo e contra setores da Igreja que apoiavam a organização política dos trabalhadores. Apoiou o golpe militar de 31 de março de 1964, afirmando que ele defenderia a democracia no país contra o comunismo. Mas foi afastado pelos militares.

Com a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 13 de dezembro de 1968, no governo do marechal Costa e Silva, Lacerda foi preso. Teve seus direitos políticos cassados por dez anos e saiu do Brasil. Atuou como jornalista na África e na Europa. Ao retornar ao Brasil, seguiu seu trabalho com atividades editoriais.
 


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