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A Revolta da Chibata (1910)

O Rio chique: cartaz de propaganda dos chapéus Mangueira, em 1922, época em que essas peças do vestuário eram símbolos de sofisticação.
A Marinha era motivo de orgulho para os chefes da nação, pois contava com encouraçados, cruzadores e navios de grande porte, comandados por almirantes pertencentes às tradicionais famílias da sociedade. Mas o tratamento dispensado aos marinheiros era péssimo. Além de receberem baixos salários e serem mal treinados para manejar navios tão sofisticados, eram punidos com prisão e chibatadas.

O estopim

No dia 22 de novembro de 1910, ancorados na baía de Guanabara, os marujos dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo e dos navios Deodoro e Bahia iniciaram uma grande revolta. O estopim foi o castigo de 25 chibatadas imposto ao marujo Marcelino Rodrigues Meneses. Sob a liderança de João Cândido, o "Almirante Negro", exigiam o fim dos castigos corporais, a melhoria no sistema de treinamento dos marinheiros e o aumento do valor do soldo. Se não fossem atendidos, bombardeariam o Rio de Janeiro. O presidente Hermes da Fonseca decretou alterações na Marinha, pondo fim à revolta em 26 de novembro.

O jornal "Correio da Manhã" publica em manchete de primeira página as notícias sobre o levante dos marinheiros.
Ilha das Cobras: o castigo


No dia 9 de dezembro, os soldados do Batalhão Naval da ilha das Cobras iniciaram um levante e o governo reagiu com rigor. Muitos rebeldes foram fuzilados ou enviados para trabalhos forçados na extração de borracha na Amazônia. Outros foram encarcerados na ilha das Cobras, entre eles João Cândido, internado, posteriormente, como louco.

O "Mestre-Sala dos Mares"

Em 1974, os compositores João Bosco e Aldir Blanc fizeram a música O Mestre-sala dos Mares em homenagem a João Cândido.

O Mestre-sala dos Mares

Há muito tempo
Nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar
Na alegria das regatas
Foi saudado no porto
Pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por
Batalhão de mulatas

Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos
Entre cantos e chibatas
Inundando o coração
Do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro
Gritava então

Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias

Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais

 
O marinheiro João Cândido, conhecido como
"Almirante Negro" é escoltado para a prisão.


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