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A chegada do imigrante europeu

A Colheita, tela de A. Ferrigno, 1903: o trabalho dos colonos estrangeiros deu novo impulso à economia cafeeira
em São Paulo
A imigração oficial começou no início do século XIX, com a chegada de suíços e alemães, que se dirigiram às serras dos atuais Estados do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e do Rio Grande do Sul. Essas regiões lembravam sua terra natal. Fundadas antes de 1850, essas colônias serviram de modelo para muitas outras que se baseavam em pequenas propriedades.
 
 
 

O movimento migratório começou a crescer a partir das décadas de 1870 e 1880, com a expansão cafeeira na região Sudeste do país.



Quem colhe o café?

As dificuldades econômicas e políticas na Itália, na segunda metade do século XIX, facilitaram as emigrações para o Brasil. A elite agrária brasileira, consciente dos novos rumos que surgiriam após a extinção do tráfico negreiro, em 1850, fez aprovar no mesmo ano a Lei de Terras. O acesso às propriedades dar-se-ia não mais por doação do Estado, como acontecera com as antigas sesmarias, mas somente pela compra. A legalização da posse das terras e seu registro passaram a ser obrigatórios e complicados.

A Lei de Terras dificultava a aquisição de propriedades por imigrantes ao estabelecer, por exemplo, que os preços fossem suficientemente elevados para desestimular estrangeiros e posseiros. A opção deixada ao imigrante, então, era começar a vida como colono nas fazendas de café.


O sistema de parceria


Pequena fábrica de fogões em Concórdia, Santa Catarina.
Os primeiros colonos europeus que chegaram ao país para trabalhar nas fazendas de café tinham contratos de parceria. Nesse sistema, os colonos cuidavam dos cafezais e dividiam lucros ou prejuízos com o dono da propriedade. Viviam em casas muito simples e recebiam um pequeno terreno para plantações de subsistência e criação de animais. A disciplina era muito rígida – as correspondências eram censuradas e os trabalhadores, proibidos de sair da propriedade, geralmente faziam compras no armazém da fazenda, endividando-se sempre. Essa situação gerou revoltas, como a que ocorreu em 1856 na Fazenda Ibicaba, na região de Limeira, no oeste paulista.

As duras condições de vida fizeram com que muitos imigrantes retornassem à sua terra natal e levaram alguns governos europeus a desaconselhar a emigração para o Brasil.


Os imigrantes chegam em massa

Em 1871, o governo provincial de São Paulo retomou os esforços para aumentar a imigração. Em 1886, foi criada a Sociedade Promotora da Imigração e, em 1888, inaugurou-se a Hospedaria dos Imigrantes, no Brás, com lugar para 4 mil pessoas. Além de expandirem a agricultura, os imigrantes aumentaram a população das grandes cidades, atuando como comerciantes e artesãos e formando a base dos trabalhadores da indústria que nascia.

Entre 1881 e 1930, entraram no Brasil cerca de 3,9 milhões de estrangeiros, a maioria da Europa. Apenas de 1886 a 1915, desembarcaram aqui 2,8 milhões de imigrantes.


Um país de muitas faces

Os estrangeiros mais numerosos no Brasil foram os italianos. Dos que aqui aportaram, cerca de 1 milhão, a maior parte ficou em São Paulo, trabalhando nas lavouras ou nas indústrias, chegando a formar o maior contingente operário. No campo, a organização de cooperativas agrícolas fortaleceu bastante a produção da pequena propriedade. Os alemães também se destacaram nas pequenas propriedades do Sul do país.

Trem de carga da Companhia Ligth & Power no início do século XX.
Nova vida cultural


O grande número de estrangeiros de diferentes nacionalidades resultou em uma cultura cosmopolita. Cada grupo que aqui se estabelecia fazia questão de manter suas tradições e seus costumes. Com o tempo, muitas peculiaridades europeias foram-se mesclando à realidade mais descontraída do brasileiro


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