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Um mundo escondido sob a colina

A lenda do Minotauro foi o ponto de partida para que um arqueólogo inglês decidisse escavar uma colina em Creta e achar um palácio impressionante.


Indiana Jones de verdade

O arqueólogo Arthur Evans conhecia toda a história do rei Minos e do Minotauro. Não acreditava na existência do monstro, mas sabia que vestígios de alguma antiga civilização poderiam estar escondidos em Creta. Visitou a ilha pela primeira vez em 1894 e encontrou alguns sinetes de pedra com inscrições desconhecidas. Intrigado, decidiu começar a escavar, mas isso só foi possível depois que a ilha deixou de ser possessão turca e passou para as mãos dos gregos. Em 23 de março de 1899 começaram os trabalhos. Em 10 de abril do mesmo ano, Evans descobriu os primeiros vestígios do palácio de Knossos.


Descoberta arqueológica

As escavações duraram mais de 30 anos, e Knossos se transformou em uma das descobertas arqueológicas mais importantes do século XX. O palácio foi literalmente desenterrado da colina de terra, deslumbrando os arqueólogos com sua complexa construção, que incluía salas, armazéns, passagens secretas, corredores sinuosos e aposentos ocultos. O palácio de Knossos era um verdadeiro labirinto! Curiosamente, não foram encontradas referências diretas ao rei Minos ou a qualquer outro governante local. Ao contrário dos faraós egípcios, que deixaram marcas de seu poder para a posteridade, os governantes de Creta preferiram a discrição e o anonimato.

Obra de uma vida

Mesmo sem provas da existência do rei Minos, Evans percebeu imediatamente ter encontrado uma civilização até então desconhecida. Chamou-a minóica e dedicou o restante da vida a estudar seus hábitos e costumes. Mas a obra principal do arqueólogo seria, sem dúvida, a restauração do palácio de Knossos. Sob sua orientação direta, colunas foram reconstruídas, afrescos foram refeitos, paredes foram colocadas novamente em pé. Todo esse trabalho recebeu severas críticas da comunidade científica, pois Evans utilizou vários materiais inexistentes na época dos minoicos. As colunas, por exemplo, originalmente feitas de madeira, foram reconstruídas em concreto.
 


Passado restaurado

Indiferente às críticas, Evans restaurou o que pôde. Graças a essa persistência, hoje os visitantes têm uma visão quase completa do que era o palácio: um amplo conjunto residencial, ritual e administrativo, composto por quatro setores em torno de um pátio. Aí estavam depósitos de alimentos, salas para rituais religiosos, alojamentos, oficinas de cerâmica, aposentos para trabalhos em pedra. A construção foi feita em vários níveis, com jardins e um eficiente sistema de circulação de ar. Também surpreende o sistema de distribuição de água, que alimentava não apenas torneiras, mas também fontes e salas de banho. E, em quase todas as paredes, belos afrescos retratando animais e cenas da vida do povo minoico.

Várias etapas
Hoje os pesquisadores acreditam que o palácio de Knossos foi erguido em várias fases, depois de ser seguidamente destruído por incêndios e terremotos. Foi completamente abandonado – em circunstâncias ainda não totalmente conhecidas – em cerca de 4000 a.C.


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