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A descolonização da África Negra

Desfile comemora a
assinatura da independência da Guiné Equatorial.
A partilha da África na Conferência de Berlim (1884-1885) ignorou a complexidade étnico-cultural e a organização tribal preexistentes. Fronteiras artificiais estabeleceram o 'dividir para reinar'. Apesar da diversidade, foi forjada certa unidade desses povos que, em plena Guerra Fria, organizaram movimentos culturais, partidos políticos e ações armadas para alcançar a independência. Os Estados Unidos apoiaram a descolonização, temendo que o radicalismo das lutas favorecesse a ampliação do bloco socialista. As elites coloniais comandaram o processo, formando dezenas de países após 1950, nos quais as rivalidades persistiram. As colônias da África negra, em sua maioria francesas ou britânicas, iniciaram sua independência em 1957. Foi um processo rápido, do qual surgiram mais de 30 novos países. A independência em geral era negociada e se implantava gradualmente. Em alguns países, porém, ela teve de ser conquistada pelas armas, como Quênia ou Madagáscar.
 
 
O colonialismo francês

A França tinha diversos protetorados no norte da África, mas enquanto algumas zonas tinham escassa presença de sua população, na Argélia vivia 1 milhão de franceses (pieds noirs ou 'pés pretos'), que controlavam boa parte das melhores terras do país e não queriam abandoná-las. Além disso, a França tinha fortes interesses econômicos nas colônias, motivo pelo qual se negava a conceder a independência.


A guerra da independência

A oposição da França à independência da Argélia levou a uma guerra, iniciada em 1954. Os nacionalistas argelinos, agrupados na Frente de Libertação Nacional (FLN), lutaram contra as tropas francesas e contra a OAS, movimento militar de extrema direita, favorável à manutenção da Argélia sob o domínio francês. Um dos tristes marcos dessa luta de libertação foi a Batalha de Argel (1957). Apesar das modernas táticas de guerrilha rural e urbana adotadas pela FLN, não foi possível evitar a vitória francesa, o desmantelamento da Frente na capital e a sangrenta repressão à população civil árabe. Apesar da vitória, a longa guerra gerou uma crise no governo francês. Em 1958, o general Charles de Gaulle assumiu o comando do país e iniciou o processo de negociação de paz, apesar da oposição de setores mais conservadores do exército francês. O Acordo de Evian formalizou a independência argelina em 1962.


A independência das colônias portuguesas

Portugal foi o último a ceder à descolonização. Na década de 60, influenciadas pelo modelo soviético, as colônias de Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola iniciaram suas lutas de libertação. O reconhecimento da independência desses países, no entanto, só veio em 1975, após a Revolução dos Cravos (1974) – que causou a queda do salazarismo e a redemocratização portuguesa. Após a independência, desencadearam-se sangrentas guerras civis nesses países. Com o fim da Guerra Fria, antigos conflitos explodiram na África negra, reforçados pela marginalização social e pela estagnação econômica.


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