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Malvinas ou Falklands?

Localizado no extremo sul da América, o arquipélago das Malvinas é formado por duas ilhas principais – a Malvina Ocidental e a Oriental. Circundadas por 200 outras ilhotas, que totalizam 12 mil quilômetros quadrados, a maior parte coberta de gelo. Os moradores – pouco menos de 3 mil pessoas – vivem da pesca e da criação de ovelhas.

Capa da revista argentina Gente tentava passar a impressão de vitória, em meados de abril de 1982.
A língua oficial é o inglês, que grafa o nome do arquipélago como Falklands Island. Malvinas é o nome em que é conhecido pelos países de língua de origem latina. Consideram-se um anexo do Reino Unido e, portanto, têm a Rainha como autoridade máxima. O poder local é exercido por um governador em nome de sua alteza, com o apoio do Conselho Executivo e da Assembleia Legislativa.

Guerra de vaidades

Em 1982, o governo militar argentino considerou erroneamente que a guerra seria uma boa oportunidade para fazer o povo esquecer o ódio à ditadura. Já Margareth Thatcher vislumbrou a oportunidade de aumentar sua popularidade entre os britânicos e conquistar um novo mandato.

Quem avisa amigo é!

Aquele 19 de março de 1982 parecia um dia como qualquer outro. Ou pelo menos seria, se o governo inglês das ilhas Falklands não notasse a presença de uma pequena frota de barcos mercantes argentinos – devidamente escoltados por navios militares – circundando o arquipélago. Sem pensar duas vezes, os britânicos exigiram a retirada imediata da frota, mas o aviso foi ostensivamente ignorado. Em 26 de março, a junta militar que governava a Argentina decidiu invadir as ilhas.

Operação Rosário

Imagem dos primeiros soldados argentinos que invadiram o arquipélago.
O presidente argentino, General Leopoldo Galtieri, e sua equipe já estavam planejando a invasão ao arquipélago – ação militar que recebeu o nome de Operación Rosário – havia algum tempo. O ataque, que seria comandado pelo almirante Jorge Anaya, estava previsto para acontecer em uma das duas principais datas nacionais argentinas – o aniversário da tomada de poder pelos militares, em 25 de maio, ou no Dia da Independência, 9 de julho. O objetivo era claro: desviar a atenção do público dos problemas internos e restaurar a popularidade da já desgastada ditadura militar. O incidente com os navios mercantes foi uma "desculpa" caída dos céus e fez com que o governo antecipasse o ataque. No dia 2 de abril de 1982, tropas argentinas invadiram as Malvinas.

E a guerra começa

Tropas britânicas permaneciam de prontidão nas Falklands 16 anos após o término da guerra.
A reação de Londres foi imediata. Margaret Thatcher – então primeira-ministra da Grã-Bretanha – cortou relações diplomáticas com a Argentina. A marinha britânica, mobilizada, partiu para o conflito a 10 mil quilômetros de distância. Três semanas depois, mesmo sem declaração formal, a guerra começou. Os britânicos afundaram o destróier argentino Belgrano, com 350 marinheiros a bordo. Mas perderam o navio de guerra Sheffield, atingido por mísseis Exocet lançados pelos aviões argentinos. A resistência argentina foi maior do que os britânicos esperavam e as baixas acumulavam-se nos dois lados. Margareth Thatcher declarou: "Eu não quero ver mais nenhuma vida perdida no Atlântico Sul, seja de britânicos ou argentinos, se isso pode ser evitado". Apesar disso, as batalhas continuaram. Em 14 de julho, os argentinos finalmente capitularam. O acordo de rendição foi assinado seis dias depois. Atualmente o dia 14 de junho comemora-se o dia da libertação e é feriado nas Ilhas Malvinas.

Balanço final

O número de mortos chegou perto da casa dos mil: 712 argentinos e 255 britânicos. Para Margareth Thatcher, a vitória representou o aumento de sua popularidade entre os britânicos e a reeleição para mais 8 anos de mandato. Na Argentina, a derrota foi o tiro de misericórdia na ditadura, que pouco depois foi derrubada. As ilhas continuaram sob controle britânico. Atualmente, a política do governo britânico tende a colocar um final na discórdia, abrindo mão da posse da ilha se a população que lá vive assim o desejar. Mas os moradores das Falklands – em sua maioria súditos britânicos – não querem.

Ditadura em crise

Em 1982, a Argentina estava mergulhada em uma terrível crise econômica. A inflação acumulada no ano anterior beirava os 600%, o desemprego crescia e a produção caía. Os movimentos de familiares dos desaparecidos políticos cresciam em força e organização, tornando-se um embaraçoso problema para os militares que comandavam o país desde 1976.


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