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A Nova Ordem e a globalização da economia

No início da década de 90, o fim do confronto político-ideológico entre capitalismo e socialismo criou um cenário mundial com novas forças desestabilizadoras, substituindo a bipolarização pela multipolarização. Crises econômicas, nacionais, separatistas e étnico-culturais em todos os continentes encerraram o século XX em um contexto tão tenso quanto o do seu início. O jogo de forças mudou, pendendo das questões político-ideológicas e militares da Guerra Fria para as econômico-tecnológicas da Nova Ordem. Isso demostra que, mais do que uma nova distribuição de forças, a última década do século XX alterou a própria natureza do poder.

Novas relações

A nova situação exigiu que os Estados buscassem outras formas de relações, norteadas por novas regras dentro da esfera mundial, por associações com as grandes potências (via áreas de influência) ou pela formação de blocos econômicos. O panorama de mudanças se completou com a tendência cada vez maior da internacionalização da economia e do capital, integrando mercados mundiais dentro de um contínuo processo de globalização econômica. A globalização apresenta a tendência à liberalização da economia como um de seus elementos, exigindo que os Estados diminuam progressivamente as barreiras alfandegárias e permitam uma maior entrada de fluxos internacionais de capitais, serviços e bens. Homogeniza-se também, progressivamente, a cultura e o comportamento.

A formação de blocos econômicos

A dinâmica multipolar gerou associações de países de um mesmo espaço geográfico, com relações privilegiadas político-econômicas entre si, buscando uma ação conjunta dentro das novas relações capitalistas. Os principais exemplos são a União Europeia (EU), o North American Free Trade Agreement (Acordo Norte-Americano de Livre Comércio – Nafta), a Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

União Europeia

A União Europeia, primeiro e melhor estruturado dos blocos, tem sua origem na Comunidade Econômica Europeia (CEE), fundada em 1957. Mas foi o Tratado de Maastricht (1991), em vigor desde 1993, que garantiu sua formalização. Os países membros são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Holanda, Hungria, Malta, Polônia, Portugal, Reino Unido República Tcheca e Suécia. A UE possui ainda mais dois tratados, o de União Política e o de União Econômica e Monetária, tendo como destaque a adoção de uma moeda única, o Euro. O lançamento do Euro ocorreu em 1º de janeiro de 1999, sendo utilizado, inicialmente, em transações bancárias. Sua circulação formal ocorreu em 2002, quando substituiu as antigas moedas nacionais de 12 países.

Nafta

O Nafta, bloco da América do Norte, entrou em vigor em janeiro de 1994, com o prazo de quinze anos para a completa eliminação de todas as barreiras alfandegárias de seus países membros: Estados Unidos, Canadá e México.

Mercosul

Criado em 1991, o Mercado Comum do Sul começou a vigorar em 1º de janeiro de 1995, estabelecendo uma zona de livre comércio com eliminação progressiva das barreiras alfandegárias entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A maior parte dos produtos passou a ser negociada sem tarifas de importação, mantendo-se algumas limitações alfandegárias que devem ser gradualmente extintas. Visando aumentar o comércio intra-regional e ampliar o mercado comum, o Mercosul vem ganhando novos parceiros, como Venezuela, Chile e Bolívia. Esses países são considerados membros associados, pois participaram da zona de livre comércio, mas não da integração aduaneira.

Apec

A Apec é o bloco econômico asiático e tem como objetivo promover a abertura de mercados entre os países associados e Hong Kong. A Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico foi oficializada em 1993, tendo o ano de 2020 como data limite para estabelecer a zona de livre comércio entre seus membros, embora a queda nas tarifas existentes já ocorra nos últimos anos. É formada por Austrália, Brunei, Canadá, Indonésia, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Filipinas, Cingapura, Coreia do Sul, Tailândia, Estados Unidos, China, Hong Kong, Taiwan, México, Papua Nova Guiné, Chile, Peru, Federação Russa e Vietnã.

A revolução das comunicações

As novas tecnologias da informação foram o destaque da década de 90. Em qualquer ponto da cena internacional, os acontecimentos são transmitidos de imediato pela televisão. Catástrofes, guerras, eventos musicais ou esportivos são vistos simultaneamente por centenas de milhões de pessoas. Os profissionais da área de finanças obtêm informações diretas das cotações das principais bolsas de valores do mundo. Os cientistas, médicos e educadores podem acessar bancos de dados das maiores universidades do mundo por meio da internet. O mundo se transformou em um espaço mais inter-relacionado. Agora, o homem viaja por estradas virtuais; e-mails ocupam cada vez mais o lugar de cartas e telefonemas; a rede mundial de computadores liga, em minutos, lugares diferentes e permite grande rapidez no acesso à informação.


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