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O fundamentalismo islâmico

Entende-se por fundamentalismo islâmico uma interpretação particular e literal da sharia (a lei do Corão), aplicada a fins políticos. Em oposição às ideias leigas, modernas e ocidentais, essa interpretação afirma que, a fim de formar um Estado islâmico puro, os valores da tradição e religião islâmica devem desempenhar um papel central na vida econômica, social e política. Vários movimentos fundamentalistas iniciados na década de 70 procuraram e ainda procuram lutar para obter e manter o controle do Estado nos países com maioria da população de religião muçulmana e ali aplicar seus princípios. Em alguns casos, essa luta resultou em revoltas populares, como no Irã em 1979 e na Argélia, Tunísia, Egito, Afeganistão, Daguestão e Turquia nos anos 90.

Argélia

Na ex-colônia francesa, em meados da década de 90, o partido islâmico foi impedido de assumir o poder após vencer as eleições devido ao golpe de Estado desfechado pelos militares. O fundamentalismo provocou uma violenta guerra civil. Os choques entre forças oficiais e integrantes da Frente Islâmica de Salvação e do rival Grupo Islâmico Armado já causaram mais de 60 mil mortes, com reflexos em Paris, onde ocorreram atentados.

Cáucaso

Na Ásia, o fundamentalismo islâmico vem influenciando muitos conflitos religiosos e étnicos. Em 1999, no Cáucaso, russos atacaram a Chechênia sob a alegação de destruir bases guerrilheiras dos separatistas muçulmanos do Daguestão, acusados de atentados a bombas em Moscou. Para a Federação Russa o objetivo é evitar a qualquer preço o avanço do nacionalismo separatista, reprimindo violentamente todas as ações. A 'nova' Guerra da Chechênia de 1999 faria parte de uma estratégia política, visando as eleições parlamentares e presidenciais do final de 1999 e 2000, respectivamente. Junto aos interesses políticos estão os econômicos – a ambição russa de controlar as fontes de abastecimento de petróleo e de gás iranianos e da bacia do mar Cáspio.

Líbano

Durante a Guerra Fria, devido à longa guerra civil, o Líbano, ex-colônia francesa, viveu um quadro de tensão permanente. A disputa pelo poder entre a minoria cristã (maronita, armênia católica, ortodoxa e protestante), que controla a economia e possui a hegemonia política, e a maioria muçulmana (xiita e sunita) manifestou-se logo após a saída dos franceses em 1946. O conflito se agravou nos anos 70, quando os palestinos, expulsos da Jordânia, decidiram se fixar no sul do país. A OLP (Organização pela Libertação da Palestina) tornou-se importante aliado dos muçulmanos libaneses, enquanto os cristãos passaram a receber o apoio de Israel. A guerra aberta começou em 1975. No ano seguinte, a Síria invadiu o norte do país, e em pouco tempo passou a dominar grande parte do território e da política libanesas. A situação piorou em 1982 quando tropas israelenses ocuparam o sul do Líbano como represália aos atentados terroristas contra o governo de Israel. A meta dos israelenses era expulsar os guerrilheiros da OLP e combater a milícia islâmica do Hezbollah, formada por dissidentes xiitas ligados ao Irã. Em 1999, o fortalecimento da via diplomática para resolver as tensões no Oriente Médio possibilitou a aproximação entre Israel e Síria. Nessas negociações, um dos principais pontos de discussão foi a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano, consumada em maio de 2000. No entanto, a tensão  entre a Líbia e Israel e, principalmente, a Síria, continua.

Afeganistão

Devastado pela guerra contra a União Soviética, que ocupou a região entre 1979 e 1989, o Afeganistão assistiu à ascensão da milícia Taleban ('estudante', em persa), grupo fundamentalista financiado pelo Paquistão que, em 1996, assumiu o controle de 70% do país, porcentagem que logo subiu para 90%. Orientados pelo rigor da sharia, os talebans acreditam ser possível estabelecer 'o paraíso de Alá na Terra', impondo severas restrições ao dia a dia e punições à população, em particular às mulheres. Por seu apoio ao terrorista saudita Osama bin Laden, o regime Taleban foi derrubado pelos Estados Unidos em 2001.


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