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O auge dos nacionalismos

Em muitos países do mundo, o fim da Guerra Fria provocou uma verdadeira crise de identidade coletiva. Diante de tendências econômicas que visam integrar um número cada vez maior de países em grandes mercados mundiais, surge a necessidade de uma recuperação do sentido coletivo de grupo.

Bélgica e Quebec francês

Enquanto Suécia, Finlândia e Áustria entraram na União Europeia, em 1992, a Bélgica instituiu um Estado federal que delegou ao governo central os assuntos de defesa, previdência social, política monetária e relações exteriores. Três federações tiveram a autonomia garantida – Valônia, Flandres e Bruxelas. Paralelamente, o Quebec francês afirmou sua identidade num simpósio, mas a proposta de autonomia não foi aprovada em plebiscito.

A questão da Irlanda

A católica Irlanda foi anexada ao Reino Unido no século XIX. O nascimento do Estado Livre da Irlanda, na década de 20, aconteceu após violentos conflitos. Em 1949, surgiu a católica República da Irlanda (Eire). Na década de 60, a minoria católica do Ulster (Irlanda do Norte) passou a reivindicar maiores direitos e a reunificação com o Eire. Alternando luta armada e pacífica, o IRA – o Exército Republicano Irlandês – partiu para o terrorismo, sob forte repressão britânica. O processo de paz começou na década de 90, com o estabelecimento do Acordo da Sexta-Feira Santa (1998). Católicos e protestantes, rivais históricos, aceitaram o desafio de governarem juntos a Irlanda do Norte, aguardando o desarmamento do IRA e de grupos paramilitares protestantes.

Para lembrar:

O nacionalismo democrático, bem representado nos casos irlandês e canadense, não é o único: o velho nacionalismo intolerante também ressurge em algumas zonas da Europa, como o basco na Espanha e o sérvio na ex-Iugoslávia.

O País Basco

Os bascos sempre defenderam sua independência, resistindo à incorporação pela Espanha e França. A ditadura de Francisco Franco (1939-1975) reprimiu as manifestações autônomas regionais e a cultura basca. Surgiu então a ETA que, na década de 60, passou à luta armada. Com a redemocratização espanhola, foi concedida autonomia política e cultural às províncias bascas, mas, embora a maioria da população deseje uma solução pacífica, a facção extremista da ETA intensificou o terrorismo. Em 1998, a ETA declarou um cessar-fogo aceito pelo governo central, devido ao seu isolamento e às pressões do impacto do avanço da via político-diplomática na Irlanda. Apesar disso, os conflitos retornaram no início de 1999.


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