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As etnias da Iugoslávia

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A Iugoslávia era integrada por várias etnias distintas. Os grupos majoritários eram sérvios, croatas, macedônios, eslovenos e montenegrinos. Quanto à religião, aproximadamente 41% pertenciam à Igreja ortodoxa, 32% eram católicos e 12% muçulmanos. Passaram a existir cinco Estados bem diferenciados: Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Macedônia e Sérvia-Montenegro. A estas se acrescentam os territórios autônomos de Kosovo (albaneses) e Vojvodina (húngaros).

Guerras nos Bálcãs, um histórico 'barril de pólvora'

No final da Segunda Guerra Mundial, consolidou-se, nos Bálcãs, a Iugoslávia, federação que agrupava sob um regime comunista peculiar povos de diversas nacionalidades, com diferentes línguas, culturas e religiões. Após a morte do marechal Tito, que governou o país desde 1945, o sistema político comunista entrou em crise e a federação iugoslava se desagregou. O país ficou limitado à Sérvia e Montenegro. No final da década de 80, a tentativa dos sérvios de impor sua hegemonia ao país deflagrou o rompimento. A Macedônia, a Eslovênia e a Croácia proclamaram a independência. Em 1991, o conflito estourou com enorme violência e crueldade na Bósnia-Herzegovina. Proclamou-se um modelo de convivência multirracial, frente ao critério de 'limpeza étnica' dos sérvios e aceitaram-se as condições da ONU para o fim do conflito armado. Em novembro de 1995, foi assinado em Dayton (Estados Unidos) um acordo de paz que manteria a Bósnia como um único Estado, formado por duas entidades: uma sérvia e outra croato-muçulmana. Apesar disso, novos conflitos seguiram.

A Guerra de Kosovo

Deportações e 'limpezas étnicas' envolvendo tensões entre sérvios – cristãos ortodoxos de origem eslava – e muçulmanos – bósnios (eslavos) e kosovares (origem albanesa) – são antigos nos Bálcãs. A suspensão, em 1989, da autonomia de Kosovo (província sérvia de maioria albanesa à qual o marechal Tito dera certa liberdade) gerou um movimento separatista, logo transformado em luta armada com a formação do Exército de Libertação de Kosovo (ELK), apoiado pela Albânia. Recusando-se a perder mais territórios, o líder sérvio Milosevic intensificou a repressão à província em 1998, com a justificativa de proteger os sérvios. Uma nova 'purificação étnica' aconteceu. Fracassadas as negociações de paz em 1999, a OTAN realizou bombardeios e ocupou Kosovo. Uma missão de paz da ONU vem organizando a administração, repatriando refugiados, desarmando o ELK e protegendo a minoria sérvia.

A CEI e o Leste europeu

O exército russo sufoca revolta nacionalista na Chechênia.
Em 1991, o golpe frustrado de membros da burocracia conservadora e a independência das Repúblicas Bálticas (Estônia, Lituânia e Letônia) enfraqueceram ainda mais o governo de Mikhail Gorbatchov na União Soviética. Bóris Yeltsin aproveitou-se da situação e, com outras lideranças, assinou o Acordo de Minsk, que marcava o início da Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Instabilidade político-econômica e tensões étnico-separatistas foram constantes durante toda a década de 90. Na Chechênia, a guerra com a Rússia (1994-1996) não garantiu a independência desejada pelos chechenos, mas, após violentos confrontos armados, os russos concederam-lhes autonomia. Os conflitos no Cáucaso demonstram que o separatismo, uma das heranças do fim da União Soviética que tanto assombrou Bóris Yeltsin, continua a preocupar o governo de Vladimir Putin. Na era da globalização, a Rússia e o 'novo' Leste europeu convivem, simultaneamente, com o pior do socialismo e do capitalismo: atraso, burocracia, desemprego, inflação, além da fragmentação.


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