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África

O fim do apartheid

Nelson Mandela, presidente da África do Sul.
A palavra apartheid denomina o conjunto de leis e decretos restritivos impostos, a partir de 1948, pela minoria branca da África do Sul ao restante da população. O apartheid jogou na ilegalidade o Congresso Nacional Africano (CNA) e, em 1963, encarcerou seu líder, Nelson Mandela. Em 1976, a opinião pública internacional indignou-se com a brutal repressão policial que custou a vida de 700 jovens manifestantes nas ruas de Soweto. Um ano depois, a tortura e a morte de um jovem advogado negro, Steve Biko, acelerou o isolamento da África do Sul nos tribunais internacionais. O apartheid chegou ao fim em 1990, quando o presidente Frederik de Klerk legalizou todos os partidos políticos proibidos. O CNA negociou com o governo de minoria branca o fim do apartheid e Nelson Mandela, líder da maioria negra sul-africana, foi libertado. As eleições gerais, realizadas após sua liberdade, foram vencidas pelo CNA. Em abril de 1994, Nelson Mandela assumiu a presidência da África do Sul e formou um governo multirracial. As eleições parlamentares de 1999 garantiram a manutenção do CNA no comando do país, confirmando a escolha de Thabo Mbeki, indicado por Mandela, para a presidência. Seu atual desafio é fortalecer a democracia e minimizar os graves problemas internos (diferenças sociais entre brancos e negros, Aids, oposição branca etc.).

A situação da África

A região conhecida como África Negra – território ao sul do Saara – está associada a massacres entre etnias, guerrilhas, tribalismo, governos opressores, atraso, miséria, epidemias e endemias. Com o fim da Guerra Fria, devido ao abandono internacional, conflitos étnico-tribais explodiram, reforçados pela marginalização social e estagnação econômica dos países recém-emancipados.

As ex-colônias portuguesas

Após a independência, estouraram guerras civis nas ex-colônias portuguesas. Em Moçambique, o grupo socialista Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) assumiu o poder, enfrentando a oposição da anticomunista Resistência Nacional Moçambicana (Renamo). Os conflitos continuaram na década de 90, embora a Frelimo tivesse abandonado o marxismo. Em Angola, confrontaram-se três grupos guerrilheiros de ideologias e etnias diferentes. De um lado, o Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), de orientação socialista, apoiado por Cuba e União Soviética. De outro, a União Nacional pela Independência Total de Angola (Unita) e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA – dissolvida no fim dos anos 70), ambas de alinhamento pró-ocidental e auxiliadas pelos Estados Unidos e pela África do Sul. Apesar de reconhecida por vários países, a vitória do MPLA nas eleições de 1992 não foi aceita pela Unita. Os choques entre etnias e seus grupos políticos já causaram 1,5 milhão de mortos e, a cada ano, cresce o número de vítimas dos campos minados pelos rivais. Embora tenham feito um acordo de paz, forças do governo (MPLA) e guerrilheiros da Unita ainda combatem pelo controle de áreas do país.
    
Os enfrentamentos étnicos na África Central

Refugiados fogem dos conflitos raciais em Ruanda.
Os embates entre hutus e tutsis, na África Central, criaram um quadro de massacres e instabilidade política em Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo (ex-Zaire, antigo Congo Belga). O conflito em Ruanda provém de uma longa história de rivalidades tribais e étnicas. Após a Segunda Guerra Mundial, o grupo hutu se rebelou contra a monarquia tutsi e desencadeou uma guerra civil. Vitorioso, mas carente de ideologias, o governo hutu organizou o Estado baseado em critérios étnicos: os tuas se ocupariam das tarefas artesanais, os tutsis da criação de gado e os hutus da propriedade da terra. Em 1982, o general Juvenal Habyarimana abriu novos rumos, numa gestão mais democrática e com melhorias sociais. O assassinato de Habyarimana, em1994, foi o estopim para os ataques entre hutus e tutsis. A violenta guerra civil em Ruanda levou ao genocídio de tutsis por extremistas hutus. A vitória dos tutsis, no entanto, provocou o êxodo de civis e combatentes hutus para o leste do Zaire (atual República Democrática do Congo), onde ficaram em campos de refugiados. Rebeldes tutsis que queriam derrubar o governo do Zaire – controlado pelo ditador Mobutu – dominaram a região e expulsaram os refugiados hutus. Os civis voltaram a Ruanda. Os combatentes, temendo represália tutsi, foram para as florestas. Massacres e instabilidade política espalharam-se nos países vizinhos. No Zaire, após décadas de luta guerrilheira, o ditador Mobutu, no poder desde 1995, foi deposto por Kabila, em 1997. No final de 1999, tropas ruandesas e ugandenses, que entraram no país para ajudar os oposicionistas, começaram a lutar entre si pelo controle das áreas produtoras de diamantes. Em fevereiro de 2000, buscando encaminhar a paz, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o envio de uma força militar ao país para tentar aplicar o acordo de paz firmado no ano anterior.


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