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A América Latina

As guerrilhas, inspiradas no socialismo e ativas na América Latina nas décadas de 60 e 70, perderam o sentido na Nova Ordem mundial. Mas suas causas persistem, em especial a miséria e a desigualdade social. Alguns países ainda registram atividades guerrilheiras, alimentando radicalismos.

Os Zapatistas no México

No México, o Exército Zapatista de Libertação Nacional sublevou o pobre estado de Chiapas em 1994, exigindo 'pão, saúde, educação, autonomia e paz' para os camponeses, em sua maioria indígenas. Além disso, o PRI (Partido Revolucionário Institucional), depois de sete décadas no poder, perdeu a hegemonia, pois as eleições de 2000, coordenadas por uma instituição independente do governo (Instituto Federal Eleitoral), foram marcadas por uma disputa apertada entre o candidato priista Francisco Labastida e o oposicionista Vicente Fox.

O PRI

No poder desde 1929, o Partido Revolucionário Institucional deteve o controle da burocracia estatal e dos sindicatos, em meio ao nepotismo e à corrupção. Em contrapartida, realizou a reforma agrária e afastou os militares da política. Essa 'ditadura perfeita' era referendada periodicamente por votações fraudadas. No final da década de 80, o PRI empreendeu reformas neoliberais que, embora modernizadoras, levaram o país à crise financeira e ao aumento da corrupção. Na histórica eleição de 2000, a derrota do PRI acaba com o seu monopólio do poder, passo decisivo para a democracia mexicana.

Peru e Colômbia

No Peru, o movimento Sendero Luminoso, inspirado no maoismo e alicerçado na guerrilha rural, é o grupo mais violento. O Movimento Revolucionário Tupac Amaru, influenciado pelo guevarismo, concentrou sua ação nas cidades, como a invasão da embaixada japonesa em 1997. O presidente Alberto Fujimori, responsável por um autogolpe em 1992, foi reeleito para um terceiro mandato em 2000, num processo eleitoral bastante polêmico. Na Colômbia, as Forças Armadas Revolucionárias (FARCs) e o Exército de Libertação Nacional têm prejudicado o fortalecimento democrático no país, sabotando eleições e realizando inúmeros sequestros, inclusive de crianças. As FARCs, inclusive, dominam parte do território colombiano.

Atuação na legalidade

Alguns grupos abandonaram os confrontos. A Frente Sandinista na Nicarágua e o colombiano M-19 tornaram-se partidos políticos para atuar na legalidade. Outros selaram acordos de paz com o governo: a Frente Farabundo Martí de El Salvador e as guerrilhas da Guatemala.

A situação na América do Sul

Em 1999, na América do Sul, coalizões de partidos de esquerda chegaram ao poder democraticamente e com programas moderados. Defendendo a privatização, a economia de mercado e a integração em blocos, essas coalizações inovaram com outras prioridades: emprego, redistribuição de renda e política social. As urnas argentinas proclamaram a vitória de Fernando de la Rúa, candidato da Aliança União Cívica Radical (UCR) e Frente País Solidário, encerrando a 'era Menem' (1989-1999). O modelo neoliberal, a dolarização, a neutralização dos sindicatos e dos militares afastaram Carlos Menem das bases do peronismo e do poder. De la Rúa enfrenta o desafio de reajustar a economia. No Chile, as eleições proclamaram a vitória de Ricardo Lagos, do Partido Socialista, candidato da coalizão governista Concertación, no poder desde 1990, com o fim da ditadura do general Augusto Pinochet.

Para lembrar:

Preso em Londres, em 1998, a pedido de um juiz espanhol, Augusto Pinochet está sendo acusado de violação dos direitos humanos durante sua presidência (1973-1990). O retorno ao Chile, em 2000, não garantiu ao velho general o fim das acusações, especialmente após perder a imunidade parlamentar. Julgar os crimes do ex-ditador é um dos primeiros desafios para a administração do presidente socialista Lagos.

Canal do Panamá

Na passagem para o ano 2000, o canal passou a ser administrado pelo Panamá. Independente da Colômbia em 1903, o país teve de aceitar um tratado que, dentro da política do Big Stick, criava a zona do canal, sob controle perpétuo norte-americano. Nos anos 70, pressões nacionalistas panamenhas levaram a negociações para sua devolução.

Cuba

Na Nova Ordem, Cuba constitui um grande enigma. O fim da União Soviética e do Comecon provocou crise na economia da ilha. Para recuperá-la, o governo admitiu a propriedade privada, empresas associadas com o capital estrangeiro, zonas francas e parques industriais, além de acabar com o monopólio estatal sobre o comércio exterior. Os investimentos estrangeiros vêm crescendo no país e o turismo destaca-se cada vez mais. Apesar disso, ainda restam algumas dúvidas. As conquistas sociais da Revolução poderão ser mantidas diante da crise generalizada? Como ficará Cuba sem Fidel Castro? Para os Estados Unidos, como encarar um país socialista em seu 'quintal' e administrar o problema da grande leva de refugiados cubanos?


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