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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Governo Nikita Kruschev (1955-1964)

A morte de Stálin gerou uma crise sucessória, marcada pela acirrada disputa pelo poder soviético entre Lavrent Beria (chefe da polícia política), Georgü Malenkov (vinculado à burocracia administrativa) e Nikita Kruschev (ligado ao Partido Comunista). De 1953 a 1955, Malenkov governou o país, sendo sucedido por Kruschev.

Política interna

Kruschev iniciou um processo de liberalização do regime: fim da burocratização, direção de áreas econômicas por conselhos locais, maior produtividade, rápida urbanização, aumento das áreas cultivadas e grande desenvolvimento tecnológico no setor espacial. Com uma política de desestalinização, diminuiu o poder da polícia, fechou campos de trabalhos forçados e denunciou formalmente, no XX Congresso do PCUS, em 1956, os abusos e crimes cometidos durante a ditadura de Stálin.

Corrida espacial

A exploração espacial começou em 4 de outubro de 1957, quando a União Soviética lançou o Sputnik-1, primeiro satélite artificial em órbita na Terra. O feito russo abalou o bloco capitalista, em especial os Estados Unidos, que acreditavam em sua superioridade no campo científico. A competição aumentou quando, um mês depois do Sputnik-1, os soviéticos lançaram um satélite ainda maior, o Sputnik-2, que levava a bordo a cadelinha Laika. Somente em 31 de janeiro de 1958, os Estados Unidos conseguiram colocar em órbita seu primeiro satélite artificial, o Explorer. Na busca de primazia em desvendar a Lua, novamente os soviéticos saíram na frente por meio do programa Luna, quando o Luna-1 venceu a gravidade da Terra e enviou fotos do lado escuro da Lua. Os americanos só conseguiram igualar o feito dois meses depois, com o Pioneer-4. Em 1961, os soviéticos obtiveram um notável triunfo ao lançar no espaço o primeiro satélite artificial tripulado e Iúri Gagárin tornou-se o primeiro astronauta da história.

Política externa

A desestalinização repercutiu diretamente nos países europeus do bloco socialista, de onde emergiram diversas dissidências e ameaças à estabilidade do Leste europeu. Um importante fato ocorrido nesse período foi a violenta ação armada soviética na Hungria, em 1956, para depor Imre Nagy, que pretendia retirar o país do Pacto de Varsóvia e, consequentemente, do controle de Moscou. Paralelamente, o processo de "liberalizar" o regime facilitou a aproximação da União Soviética com os Estados Unidos, em particular depois que Krushev passou a defender uma política de coexistência pacífica, único meio para evitar um confronto atômico e direto entre as superpotências. O novo caminho das relações da Guerra Fria permitiu que, pela primeira vez, um líder socialista soviético visitasse os Estados Unidos (1959). Por outro lado, a nova política externa defendida por Kruschev levou a República Popular da China, em 1960, a romper relações com a União Soviética por discordar da desestalinização e do processo de aproximação com o Ocidente, por conflitos de fronteiras e pela quebra soviética, em 1959, do acordo nuclear. Seguindo os passos da China, a Albânia, em 1961, também rompeu relações com a União Soviética.

Muro de Berlim

O interesse em impedir fugas para o lado capitalista de Berlim levou a União Soviética, na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, a erguer uma cerca de arame farpado e postos de vigia entre os dois lados da cidade alemã. Essa cerca, mais tarde, foi substituída por um muro de alvenaria. Nascia o muro de Berlim, principal símbolo da Guerra Fria.

Deposição de Kruschev

A perda de prestígio com a fracassada tentativa de instalar mísseis em Cuba (1962) e a ação das dissidências internas do partido que não apoiavam as reformas provocaram a queda de Kruschev em 1964.


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