Busca  
  Era Contemporânea   
Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

A destruição do patrimônio artístico

O Taliban chamou a atenção do mundo no começo do ano de 2001, com a decisão de destruir a mais alta estátua de Buda, com 53 metros, localizada a 125 quilômetros de Cabul.
O Taliban entrou nos noticiários de todo o mundo no início de 2001, quando o Alto Comando do país decidiu destruir várias relíquias históricas budistas. Veja o que é o Taliban e como eles chegaram ao poder no Afeganistão.

Motivos religiosos. A ordem para a destruição de duas gigantescas estátuas de Buda – de 53 e 38 metros, esculpidas em montanhas de pedra na Província de Bamiyan no século V –partiu da milícia fundamentalista islâmica Taliban, que governa o Afeganistão com mão-de-ferro. A explicação para tal atitude é dada por seu líder supremo, o mulá Mohammed Omar, "o único deus verdadeiro é Alá e todos os outros falsos deuses devem ser eliminados, pois esses ídolos são deuses dos infiéis". Além das duas grandes esculturas, os soldados do Ministério do Vício e da Virtude também destruirão as mais de 6 mil estátuas reunidas no museu de Cabul, a capital, além de milhares de objetos religiosos espalhados pelo país.
Para evitar o que seria uma verdadeira "catástrofe histórica", alguns museus do mundo já se ofereceram para comprar as relíquias, mas todas as propostas foram recusadas.

Sociedade pura. No poder desde 1996, depois de quase duas décadas de guerra civil e ocupação soviética, a política do Taliban pretende transformar o Afeganistão em uma sociedade islâmica pura. Para isso, impôs severas regras de conduta: as mulheres só podem sair à rua com seus corpos totalmente cobertos, os homens não devem cortar a barba ou o cabelo à moda ocidental, a televisão é totalmente proibida, assim como a fotografia. O governo também organiza execuções públicas e amputações de membros como punição de determinados crimes.

Interferência norte-americana. O grupo fundamentalista islâmico Taliban começou a ganhar força na década de 80, graças à intervenção dos Estados Unidos. Isso porque em 1979 a antiga União Soviética invadira o Afeganistão, em defesa de seus aliados comunistas, que haviam tomado o poder no ano anterior. Em plena Guerra Fria, os Estados Unidos não pensaram duas vezes antes de tentar deter os inimigos comunistas e, para isso, começaram a financiar a oposição ao governo afegão, que tinha suas bases no Paquistão. Na época, um dos combatentes antissoviéticos era o milionário saudita Osama Bin Laden, atualmente considerado um dos terroristas mais perigosos do mundo e principal inimigo dos norte-americanos.

Importância histórica

A capital do Afeganistão, Cabul, é importante por sua localização estratégica: a cidade é uma espécie de porta de entrada, que liga o subcontinente indiano ao sul da Ásia e as repúblicas da Ásia Central com o norte do continente. Por isso, ao longo de sua história, Cabul sofreu o ataque de vários povos.

Isolamento político. Quando os soviéticos finalmente deixaram o Afeganistão, o país mergulhou em uma sangrenta guerra civil entre diversas facções comandadas por líderes regionais. Uma delas, o Taliban, recebeu ajuda financeira dos americanos e também contou com o apoio da população, cansada de décadas de guerra. O Taliban assumiu o poder, mas suas posições políticas e religiosas radicais levaram-no ao isolamento internacional e sanções das Nações Unidas. Atualmente, apenas três países mantêm relações diplomáticas com o Afeganistão: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Paquistão.

Expansão do fundamentalismo. Com o passar dos anos, o Afeganistão tornou-se base para a expansão do extremismo islâmico em várias ex-repúblicas soviéticas, como Casaquistão, Usbequistão, Quirguistão, Tajiquistão e Turcomenistão. Surgidas após a derrocada do regime soviético, essas nações – também islâmicas – enfrentam sérios problemas econômicos e sociais que propiciam a expansão dos grupos fundamentalistas.
 


Anterior Início Próxima