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Como interrogar uma bruxa

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As Quatro Bruxas, de Albrecht Dürer. Em 1497, Dürer também retratou as bruxas como belas mulheres .
Em 1486, com as bênçãos do papa Inocêncio, Heirich Kramer e James Sprenger escreveram aquele que seria o livro de cabeceira dos inquisidores e torturadores dos séculos seguintes. O Malleus Maleficarum – O Martelo das Feiticeiras (Editora Rosa dos Tempos, 1991) ensinava como reconhecer uma bruxa e, principalmente, técnicas de tortura que deviam ser aplicadas para obter confissões. O livro unia as crenças folclóricas sobre feitiçaria com a doutrina da Igreja sobre heresia e culto ao diabo. E consolidava definitivamente o desprezo pela figura da mulher: "O que é a mulher senão a inimiga da amizade?", escreveram os autores. "Uma inevitável punição, um mal necessário, uma tentação natural?". As mulheres seriam falsas, lascivas, mal-intencionadas e sem força de vontade. Totalmente voltadas para a convivência com o demônio "porque Eva nasceu de uma costela de Adão, portanto nenhuma mulher pode ser reta".

Em pleno Renascimento, época de grandes descobertas científicas e agitação cultural – às vésperas dos grandes descobrimentos –, a publicação do Malleus Maleficarum intensificou a perseguição às bruxas em toda a Europa. Em 1579, o Concílio da Igreja declara: "Todos os charlatães, adivinhos e outros que pratiquem necromancia, piromancia, quiromancia e hidromancia serão condenados à morte".

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Fogueira de Bruxas. No Renascimento, a figura da mulher bonita voltou a ser associada com a imagem da bruxa.

Fique ligado!

Antes de ser queimada na fogueira, uma mulher contou ao sacerdote encarregado de sua confissão: "Nunca sonhei que por meio da tortura alguém pudesse ser levado a inventar tantas mentiras como as que eu disse. Não sou bruxa, nunca vi o diabo e ainda assim tive não só de admitir minha culpa, mas também denunciar outros".


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