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Um erro de quase mil anos

Descobertas no começo do século XX, as ruínas de Caral foram datadas inicialmente como sendo de 1500 a.C. Recentes pesquisas, no entanto, afirmam que o apogeu da cidade aconteceu quase mil anos antes do que os arqueólogos imaginavam.
 
Datação com carbono
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Localizada no vale Supe, a 200 km de Lima, no Peru, Caral é um dos 18 sítios arqueológicos que se estendem na cordilheira dos Andes pela costa do Pacífico. Devido ao tamanho e ao refinamento de suas construções, os arqueólogos acreditavam que o complexo de pirâmides, apartamentos e canais de irrigação – descobertos em 1905 pelo peruano Max Uhle – havia sido construído, aproximadamente, em 1500 a.C. Uma nova pesquisa, no entanto, mostra que a cidade teve seu apogeu por volta de 2627 a.C. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores usaram o carbono 14 para determinar a idade das fibras do junco usado na fabricação de bolsas onde os trabalhadores de Caral armazenavam pedras para as construções.

Fique ligado!   

Os cientistas afirmam que Caral teve seu apogeu na mesma época em que as pirâmides foram construídas no Egito. Os habitantes locais alimentavam-se de vegetais e peixes, mas não cultivavam grãos nem trabalhavam com cerâmica. A população provavelmente plantava algodão, usado para montar redes de pesca. Os frutos do mar estavam na base da alimentação – apesar de o oceano Pacífico ficar a 22 km de distância –, como principal fonte de proteínas. Segundo Jonathan Hass, o motivo que levou ao fim dessa civilização ainda é desconhecido. "Isso pode ter ocorrido devido ao desgaste do solo após 600 anos de agricultura e à construção de novas cidades ao norte e ao sul."
Demonstrações de poder


A mais antiga construção de Caral é uma pirâmide com 18 metros de altura, o equivalente a um prédio de quatro andares. A cidade é composta de seis estruturas principais agrupadas ao redor de uma praça, além de casas modestas e outras grandiosas – todas de pedra. A variedade de estilo e a qualidade de construção indicam que Caral era bem desenvolvida e estruturada. Para o arqueólogo Jonathan Hass, do Field Museum de Chicago, que chefia a expedição, o tamanho e a estrutura das construções são indicações de poder. "As pirâmides e o sistema de irrigação retratam bem a organização da sociedade, onde muitas pessoas eram contratadas ou forçadas a trabalhar em projetos centralizados. Isso significa que a elite detinha riqueza e poder, em uma época em que a maioria das pessoas de outras partes do mundo vivia em pequenas comunidades", explica o pesquisador.


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