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Descoberta nas areias

O crânio do que pode ser o mais antigo hominídeo já conhecido foi encontrado por uma equipe de paleontólogos franco-chadiana.

Fóssil histórico

Depois de uma década de escavações e mais escavações nas dunas do deserto no norte do Chade – África Central –, a missão de paleontólogos franco-chadiana encontrou um tesouro perdido e inesperado: um crânio quase completo, fragmentos da mandíbula inferior e três dentes de uma nova espécie de hominídeo. Num primeiro momento, imaginou-se que se tratava do fóssil de um chimpanzé primitivo – o que já seria uma descoberta interessante, uma vez que não existem fósseis conhecidos desses animais. As primeiras análises, no entanto, deixaram os paleontólogos de queixo caído. Com 6 ou 7 milhões de anos – 3 milhões a mais do que qualquer outro hominídeo já encontrado –, o crânio é do tamanho do de um chimpanzé, mas o osso frontal proeminente e a face relativamente plana indicam tratar-se de um ancestral humano. A nova espécie recebeu o nome científico de Sahelanthropus tchadensis, mas já foi carinhosamente apelidada de Homem de Toumai. "Toumai", na língua local, significa "esperança de vida" e é o nome dado às crianças nascidas pouco antes da temporada da seca.

Época perdida

Desde que Charles Darwin formulou a Teoria da Evolução, no final do século XIX, muito já se avançou na busca pela origem do ser humano. Mas até agora os fósseis mais antigos encontrados datavam de 4 milhões de anos. Antes disso, provavelmente nossos ancestrais viviam em florestas fechadas. E, nesses ambientes, a umidade intensa impede a formação de fósseis – motivo pelo qual também não existem fósseis conhecidos de chimpanzés. Por isso a descoberta do Homem de Toumai representa um avanço no conhecimento que se tem sobre a nossa evolução. "Toumai é, possivelmente, a descoberta fóssil mais importante da nossa história recente, podendo superar a descoberta do primeiro homem-primata, Australopithecus africanus, 77 anos atrás", disse Henry Gee, um dos autores da descoberta. Para muitos cientistas, o crânio do Homem de Toumai encerra as discussões em torno da ideia de que existiu apenas um "elo perdido" entre os seres humanos e os chimpanzés. Também prova que a separação entre as duas espécies pode ter começado muito antes do que indicam os estudos moleculares.


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