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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Origens distantes

O primeiro fóssil de um ancestral foi descoberto em 1856, três anos depois de Darwin publicar A Origem das Espécies. Trabalhadores de uma pedreira no vale do Neander, perto de Dusseldorf, na Alemanha, acharam numa caverna um esqueleto que parecia humano, mas era muito diferente. Os ossos das pernas eram curvos e os dos braços sugeriam uma estrutura muscular muito forte. O crânio era achatado e seu tamanho sugeria um cérebro de homem adulto, com cerca de 1.400 centímetros cúbicos. Acima das órbitas oculares, porém, no lugar onde ficariam as sobrancelhas, havia uma saliência muito grande que nada tinha de humana. O Homem de Neandertal, como o fóssil foi chamado, foi considerado o elo perdido entre os símios e os humanos. Em 1890, porém, foi encontrado na ilha de Java, na Indonésia, restos fósseis de um ser bem mais primitivo, com um cérebro de apenas 860 centímetros cúbicos. O Homem de Java foi batizado de Pitecantropus erectus e hoje é identificado como Homo erectus, uma espécie anterior à do Homem de Neandertal. Em 1924, as origens humanas recuaram ainda mais com a descoberta do Australopithecus
Do esqueleto de Lucy, a fêmea aferensis, ao esqueleto do homem atual: 3,5 milhões de anos os separam.
africanus — literalmente macaco do sul da África —, o primeiro ser intermediário entre o gênero Homo e os ancestrais símios, encontrado em uma mina de calcário na África do Sul. Ele tinha o crânio de um macaco, mas mandíbulas e dentes mais parecidos com os dos humanos. E o mais importante: era bípede. 

Uma longa trajetória

Semelhança entre os ossos da bacia de Lucy (acima, à esquerda) e a de um homem moderno: espécie adaptada à locomoção bipedal. Acima, à direita, os ossos da bacia de um chimpanzé.
Hoje, sabe-se que a trajetória dos humanos teve início na África, entre 6 e 7 milhões de anos atrás, quando uma das tantas espécies de hominóides existentes trocou a vida nas árvores pelo chão, começando a andar sobre duas pernas. Esses primeiros bípedes, por sua vez, deram origem a diferentes espécies de hominídeos. Alguns se extinguiram. Outros evoluíram, transformando-se em outras espécies que também se extinguiram ou evoluíram, e assim sucessivamente até chegar ao homem moderno. Hoje, o Homo sapiens sapiens é a única espécie do gênero Homo que existe no planeta. Mas nem sempre foi assim. Nossos antepassados chegaram a partilhar o mundo com outra espécie bem mais rústica do gênero Homo, o chamado Homem de Neandertal (ou Homo nanderthalensis). Isso há cerca de 25 mil anos, uma época relativamente recente para a paleantropologia, considerando o lento processo de evolução. Hominídeos de espécies diferentes também coexistiram no passado.


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