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A revolução das letras

Apesar de utilizadas durante séculos, as escritas ideográfica e silábica, além de difíceis de aprender, deixavam margem a muitas dúvidas. Mas isso tudo foi resolvido com a criação do alfabeto.

O que isso quer dizer?

Imagine só a dificuldade de escrever uma carta na época das escritas ideográficas. Milhares de símbolos, todos desenhados um a um. Pois além de complicada, essa escrita também era muito imprecisa. Afinal, os desenhos podiam ser lidos de maneiras diferentes por leitores distintos. A necessidade de precisão foi aperfeiçoando o método. Os egípcios, por exemplo, chegaram a utilizar 26 sinais – representando os sons das consoantes – para facilitar a compreensão dos hieróglifos. Só não perceberam que esses símbolos poderiam ser usados independentemente, tornando obsoletas todas as centenas de pictogramas até então utilizadas.

A escrita dos egípcios era baseada em ideogramas – chamados pelos gregos de hieróglifos.



A escrita proto-sinaítica

A sistematização do alfabeto é geralmente atribuída aos fenícios. Apesar disso, no final da década de 1990, pesquisadores encontraram na península do Sinai vestígios de um alfabeto anterior: o proto-sinaítico. São inscrições que datam de 1600 a.C., provavelmente influenciadas pelos hieróglifos egípcios. "Imagine um escriba asiático no Egito estudando a melhor forma de escrever a sua própria língua semítica", especula o historiador John Man. "Muitos dos símbolos, aqueles que representam sílabas que hoje escrevemos com duas ou três letras, não têm utilidade, porque a escrita semítica não possui o mesmo conjunto de sílabas. Ele também deixa de lado os determinativos, porque eles servem às ambiguidades somente em egípcio. Resta-lhe apenas um núcleo de símbolos egípcios com os quais poderá trabalhar. Cerca de 26 sons isolados têm os seus próprios sinais, facilmente memorizáveis por simbolizarem o seu som inicial, de acordo com o princípio da acrofonia: net (água) passa a ser n, mu (coruja) vira m." 

Nada de vogais

Esses "alfabetos pré-históricos" ainda não tinham vogais. Apenas as consoantes eram representadas. Hoje, os arqueólogos identificam 31 inscrições proto-sinaíticas, nas quais algumas letras são inequívocas: B, H, L, M, N, Q, T e dois sons hebraicos, aleph e ayin. Mas o mais importante dessa escrita é que ela foi a responsável pela difusão da "ideia de alfabeto". Em algum momento, entre 1650-1550 a.C., várias comunidades que viviam na área que compreende atualmente Líbano, Síria e Israel já tinham assimilado o conceito de que era possível representar a linguagem humana com alguns poucos símbolos. É aí que os fenícios entram na nossa história.



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