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A evolução do nosso calendário

Em 1582, o papa Gregório XVII instituiu um novo calendário no mundo cristão. É este calendário que usamos até hoje.
O calendário que usamos atualmente foi instituído pelo papa Gregório no século XVI. Esse calendário é resultado de várias reformas do calendário Juliano, oficial do império Romano por muitos séculos.

Era da confusão

O primeiro calendário romano era lunar e já tinha 12 meses. Para corrigir a defasagem de tempo, os sacerdotes decidiam quando adicionar alguns dias a mais. A situação não demorou a ficar confusa. Como podiam adicionar dias quando bem entendessem, os sacerdotes ficavam anos sem autorizar a correção no calendário para depois ordenar a inclusão de vários dias. Em geral essas inclusões eram feitas de acordo com interesses econômicos: quando os governantes precisavam "engordar" a arrecadação, mais dias eram acrescentados aos meses de coleta de impostos. Uma bagunça só. Quando Julio César chegou ao poder, encarregou o astrônomo egípcio Sosígenes de fazer os cálculos que permitissem um calendário mais correto. Sosígenes calculou que o ano civil estava 80 dias atrás do ano solar. Por isso, o ano de 46 a.C. teve 445 dias e ficou conhecido como "annus confusionis", o ano da confusão.

Por que bissexto ocorre a cada quatro anos?

No calendário juliano, o dia que representava o início de cada mês era chamado calendas. Na época, era costume inserir-se o dia extra após 24 de fevereiro, isto é, 6 dias antes das calendas de março. Como esse dia era contado duas vezes (bis) ele passou a ser conhecido como bis sexto ante calendas martii, ou simplesmente bissexto.

Julius e Augustus

Em 1º de janeiro de 45 a.C - ou, segundo o calendário Juliano, na calendas de januarius de 709 da fundação de Roma - os romanos acordaram com um novo calendário, o mais exato que existia na época. Em homenagem ao imperador foi instituído o mês de julho (Julius) e, a partir daí, os anos teriam 365 dias, os meses teriam 30 ou 31 dias alternadamente e de quatro em quatro anos se acrescentaria um dia que compensaria as seis horas não calculadas nos anos anteriores (ano bissexto). Apesar das boas intenções, os primeiros erros não tardaram a aparecer. Após a morte de César, em 44 a.C., os sacerdotes começaram a contar os anos bissextos a cada três anos em vez de quatro, o que lançou o calendário rapidamente fora de curso. O erro foi corrigido pelo imperador Augusto, em 8 a.C., com uma pequena reforma que incluiu seu nome entre os meses do ano: Augustus. Como o mês de Augusto - então com 30 dias - não podia ser menor do que o de Júlio, que tinha 31, tirou-se um dia de fevereiro, que passou a ter apenas 28 - ou 29, nos anos bissextos.

A reforma de Gregório

O que são alguns minutos dentro de um ano? Nada, certo? Errado. Imagine alguns minutos de atraso - lembre-se que o período de translação da Terra é de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos - acumulando-se por anos, décadas, séculos... Foi exatamente isso que aconteceu com o calendário Juliano. Em 1582, o calendário Juliano estava 10 dias adiantados em relação ao ano solar. O equinócio de primavera - no hemisfério norte, lembre-se -, fixado por Júlio César em 21 de março, acontecia no dia 11. Para corrigir o erro, o papa Gregório XIII instituiu uma comissão de matemáticos e astrônomos para estudar o calendário e propor uma solução definitiva. A comissão chegou a algumas conclusões, criando o novo calendário do mundo cristão: o calendário gregoriano, usado até nossos dias na maior parte do mundo. Entre as principais mudanças do calendário gregoriano estavam:

•  Eliminação de 10 dias - entre 5 e 14 de outubro -, para realinhar o calendário com o ano solar. Ou seja, em 1582, as pessoas foram dormir no dia 4 de outubro e acordaram no dia 15. Isso causou uma certa revolta na população, que imaginava que o papa estava "roubando" esses dias de suas vidas.
•  Manutenção dos anos bissextos a cada quatro anos.
•  Ausência de anos bissextos durante três anos em cada período de 400 anos. O primeiro destes ciclos começou em 1600, que foi bissexto, mas 1700, 1800 e 1900 não foram bissextos. Já o ano de 2000 foi. Assim só serão bissextos os anos divisíveis por 400.
•  Contagem dos dias com números cardinais, pela ordem e seguidamente, e não mais por calendas, nonas e idos, como era feito no calendário juliano.

A reforma de Gregório deixa o calendário bem exato, mas há ainda uma diferença de 2 horas, 43 minutos e 2 segundos a cada 400 anos. Isso produz o acréscimo de um dia a cada 3532 anos, que um dia deverá ser corrigido.

Um único calendário

O calendário gregoriano começou a ser usado imediatamente nos países católicos, mas as nações protestantes e os cristãos ortodoxos não o aceitaram tão rápido. A Alemanha só o assumiu em 1700, a Inglaterra em 1751, a Bulgária em 1917, a Rússia em 1918, a Romênia em 1919, a Grécia em 1923 e a China apenas em 1949. Uma curiosidade: apesar de ser usado como calendário oficial nas relações comerciais e civis, o calendário gregoriano não é aceito pela Igreja Ortodoxa Oriental, que até hoje mantém o calendário Juliano para fins religiosos.


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