Busca  
  Sociedade   
Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Por que o Brasil não tem um Nobel?

Até hoje, o Brasil não ganhou nenhum Prêmio Nobel. Mas já esteve bem perto disso.

Pesquisador esquecido

O físico brasileiro César Lattes tinha apenas 22 anos quando publicou, em 1947, na revista Nature, a descoberta do méson pi. O artigo era assinado por Lattes, Occhialini (Giuseppe Occhialini, físico italiano) e Powell (Ceci Powell, chefe da equipe de pesquisadores da Universidade de Bristol, Inglaterra). Powell recebeu o prêmio e sua equipe nem foi citada. César Lattes se sentiu injustiçado: "Eu fiz a experimentação e as medidas. Ele apenas ajudou a redigir, porque possuía maior domínio da língua inglesa. Mas o médico brasileiro Carlos Chagas foi ainda mais injustiçado. Ele merecia ter ganho não um, mas quatro Nobéis!".

Ano sem vencedor

O caso de Carlos Chagas também é, no mínimo, curioso. Em 1921, seu trabalho sobre a doença de Chagas foi indicado para a premiação. Na documentação entregue à comissão do Nobel – hoje em poder da Fiocruz – está destacada a importância da descoberta da doença não só para o Brasil, mas para toda a América Latina. Por que o brasileiro não ganhou? Veja a explicação dada pelo historiador argentino Sierra-Iglesias:

"Em 1921 Chagas foi indicado para o Prêmio Nobel de Medicina. Quando todos acreditavam que o brasileiro ganharia, inconfessáveis influências se interpuseram no processo. A Real Academia Sueca de Ciências procurou organismos científicos no Brasil, em busca de mais dados sobre a personalidade e a obra do cientista. Mas alguns de seus compatriotas (entre eles alguns médicos que não eram habilitados para julgar o descobrimento da tripanossomíase) desaconselharam sua escolha. Por isso, não houve vencedor naquele ano".

O "Bispo Vermelho"

O terceiro brasileiro seriamente cotado para o Nobel foi o cardeal-arcebispo Dom Hélder Câmara. Conhecido, durante a ditadura militar, como "Bispo Vermelho", foi autor de um dos maiores programas sociais do Nordeste nas décadas de 1960 e 1970, o Operação Esperança. Em 1970, reuniu mais de 20 mil pessoas em Paris para denunciar torturas no Brasil. Por suas obras, foi indicado ao Nobel da Paz de 1970 a 1973. Era favorito absoluto nas quatro vezes, mas nunca ganhou por causa de pressões do governo brasileiro na época.

Indicado por Einstein-Clique aqui para ler a carta escrita por Albert Einstein, propondo a candidatura do brasileiro Cândido Rondon.


Anterior Início Próxima