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Desde os tempos bíblicos

A origem do mito do vampiro é tão envolta em mistérios quanto as próprias criaturas. Afinal, seres que se alimentam de sangue são encontrados em várias civilizações.


O verdadeiro Drácula

Entre 1456 e 1474, a Valáquia - região da Europa oriental, próxima à Transilvânia - foi governada pelo príncipe Vlad Tepes Dracul. Famoso por sua crueldade, Dracul empreendeu violentas campanhas contra os saxões e os turcos. Só para se ter uma ideia de seu caráter, após uma batalha contra os turcos mandou empalar 5 mil corpos do exército inimigo. Seu objetivo? Simplesmente fazer uma guerra psicológica. Depois desse episódio, ficou conhecido como "O Empalador".
 
A versão de Bram Stoker
Bram Stoker se baseou em uma antiga história romena para escrever seu Drácula.

Já no século XIX, o escritor irlandês Bram Stoker ficou sabendo da história do Empalador e a transformou em algo ainda mais assustador: na história do pai dos vampiros, o conde Drácula. Segundo seu livro, Dracul lutava nas Cruzadas, defendendo a fé da Igreja Católica. Certa vez, ao voltar da batalha, encontrou sua amada morta pelos inimigos. Inconformado, blasfemou contra Deus, acusando-o de abandoná-lo enquanto ele lutava em Seu nome. Com o coração repleto de ódio, cravou uma espada no centro de uma cruz, da qual jorrou um rio de sangue. Nascia o vampiro mais conhecido da história.

Origem mais antiga

Mas o conde Drácula não é o primeiro vampiro do qual se tem notícia. Na verdade, histórias de seres malignos que se alimentam de sangue humano são tão antigas quanto a própria história das civilizações. No antigo Egito, por exemplo, havia a lenda de um pássaro "bebedor de sangue" - a reencarnação de alguém morto injustamente, que voltava à vida para se vingar de seus algozes. Na China, histórias antigas falavam de monstros de pele verde, cabelo rosado e brilhantes olhos vermelhos... Na Europa antiga, especialmente na oriental, as lendas são inúmeras. E há até mesmo uma origem "bíblica" para o surgimento do primeiro vampiro: segundo alguns escritos antigos, depois que matou Abel, Caim foi condenado por Deus a vagar pela Terra. Anos depois, Deus enviou o Anjo Gabriel - aquele mesmo que, séculos depois, anunciaria a gravidez de Maria - para oferecer perdão ao filho desgarrado. Caim não aceitou ser perdoado e, como castigo, recebeu sete terríveis maldições: entre elas, não poder mais ver a luz do sol, alimentar-se apenas de sangue humano e viver para sempre.

Uma das lendas sobre o surgimento dos vampiros relembra a história bíblica de Caim. Acima, o quadro Caim e Abel, do pintor italiano Ticiano (c. 1570).


Vampiro de verdade?

Em 1922, o diretor alemão Friedric Wilhelm Murnau filmou Nosferatu, sua versão para o Drácula, de Bram Stoker. Sem conseguir negociar os direitos autorais com a viúva do escritor, Murnau foi obrigado a alterar um pouco a história e o conde Drácula se transformou no conde Orlok. O mais curioso, no entanto, aconteceu nos bastidores da produção: muitos rumores correram por conta da estranha figura do ator protagonista, Max Schrenk. Alguns afirmavam que esse não era seu verdadeiro nome e que ele jamais havia sido visto sem maquiagem ou fora do set de gravação. Muitos acreditavam que Schrenk era um vampiro real.
 
Glossário
Empalação: suplício antigo que consistia em espetar um condenado, pelo ânus, numa estaca aguda que lhe atravessava as entranhas, deixando-o morrer.


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