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Quem é o vampiro?

Com o crescimento do catolicismo na Europa, o mito do vampiro fundiu-se à figura de Satã. Daí, cruzes e água benta para combater o monstro.


Alhos e cruzes

Um vampiro só pode ser morto de três maneiras: cravando uma estaca de madeira em seu coração, cortando sua cabeça ou queimando-o completamente. Para se proteger de um eventual ataque, as armas são outras: crucifixos, água benta e alho. Todo cuidado é pouco, porque todo vampiro tem o poder de "vampirizar" outras pessoas. Como isso é possível? Existem pelo menos quatro maneiras, dependendo do vampiro que aparecer em seu caminho:

• As lendas mais comuns da Europa Oriental, que descrevem o vampiro como um "morto-vivo", servo de Satanás, afirmam que a transmissão da maldição acontece com uma única mordida. Portanto, se você for atacado por um desses, mesmo que de raspão, perca as esperanças.
• Lendas africanas, que contam a história de vampiros-bruxos, afirmam que o poder de vampirizar outra pessoa só se manifesta quando o vampiro toma todo o sangue da vítima. O atacado morre e ressuscita vampiro.
• Aqueles que afirmam que Caim foi o primeiro vampiro acreditam que alguém só é vampirizado se, depois de ser atacado, tomar um pouco do sangue do próprio vampiro. Quem assiste às séries de televisão Buffy, a Caça-Vampiros e Angel já está acostumado com isso.
• Finalmente, você pode se transformar em vampiro por um simples azar da natureza: se for o sétimo filho de um sétimo filho, se sofrer um sepultamento indevido e - pasme! - se um gato pular sobre seu cadáver.

Medo e perseguição

Se, para você, vampiros são coisa da TV ou do cinema, fique sabendo que durante séculos as pessoas se preocuparam seriamente com a possibilidade de dar de cara com um deles. Em 1486, por exemplo, os inquisidores alemães Heinrich Kramer e James Sprenger escreveram o Malleus Maleficarum, espécie de "livro de bolso" da Inquisição da época. Entre as várias Artes Demoníacas descritas, que deviam ser combatidas, estava o vampirismo. Em 1746, o monge beneditino Augustin Calmet (1672-1757) escreveu suas dissertações sobre a aparição de anjos, demônios e espíritos, e dos vampiros da Hungria, Boêmia, Morásia e Silésia. Para evitar que um vampiro começasse a vagar pelas redondezas, em alguns povoados da Europa medieval era comum uma prática para "identificar sepulturas de vampiros": um cavalo recebia a bênção do padre e era levado ao cemitério. Lá, devia passar por cima de todas as sepulturas. Se o cavalo se recusasse a cruzar alguma delas, era sinal de que um vampiro morava ali. Imediatamente uma longa estaca era fincada na terra, até atravessar o cadáver suspeito.

Estranha fixação

Segundo algumas lendas, o vampiro tem fixação por contar coisas. Por isso, em certas regiões as pessoas costumavam deixar montes de grãos nos locais suspeitos de serem moradas de vampiros. Assim, quando o vampiro despertasse à noite e visse os grãos, ia começar a contá-los. A quantidade de grãos era calculada para manter o vampiro ocupado a noite toda: assim, quando ele acabasse a tarefa, o Sol já estaria nascendo e o monstro seria obrigado a voltar para o túmulo sem atacar ninguém.


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