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Muitos ingredientes

A culinária brasileira é resultado de 500 anos de misturas e mestiçagens de várias raças. É como se vivêssemos em um imenso caldeirão cultural, no qual se destacam ingredientes portugueses, indígenas e africanos.

O delicioso bolo de milho é herança da cozinha indígena

Origens da nossa comida

A tradicional moqueca baiana é fruto da mistura cultural com os povos africanos
Você já deve ter ouvido algumas vezes que o Brasil é um país mestiço. Mas o que isso quer dizer? Que a cultura brasileira é resultado da mistura de todas as outras culturas que por aqui chegaram. Além, é claro, dos índios, que por aqui já moravam. Essa mistura de raças e costumes pode ser sentida na dança, nos hábitos e também na alimentação. Quer um exemplo? A moqueca, tradicional prato da cozinha baiana, é o resultado da mistura da caldeirada portuguesa com o leite de coco e o azeite-de-dendê africanos. Vamos conhecer melhor essas influências?


Influência indígena

A mandioca é a base da culinária de diversas tribos indígenas
Sabe aquele delicioso bolo de milho? Ou aquela mandioca frita crocante? E aquele saboroso e macio palmito? Todos eles fazem parte do nosso cardápio por causa dos índios. A mandioca está presente em vários pratos tradicionais, começando pela vaca atolada, passando pelo bobó de camarão e chegando ao pirão. Entre seus subprodutos, o mais consumido é a farinha, principalmente nos lugares onde a população é mais pobre. Devemos ainda aos nativos o gosto por outros produtos típicos da terra, como caju, taioba, pitanga e jabuticaba, além de outras dezenas de frutas encontradas de norte a sul do País.

Frutas para todos os gostos
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os índios já utilizavam várias frutas em sua alimentação. Entre elas estão o abacaxi, o caju, o mamão e a pitanga. São todas plantas originárias da América do Sul. Alguns pesquisadores chegam a afirmar que o abacaxi é nativo do estado de Pernambuco. O mamão, embora cultivado em todos os países tropicais, é considerado uma fruta tipicamente brasileira. O maracujá é nativo do Brasil e do Peru.

Influência africana

Prato mais famoso do Brasil, a feijoada é exemplo da mistura de raças
É tão entranhada essa mistura de influência que algumas vezes nos pega de surpresa. A origem da feijoada é um por exemplo. Há duas versões para a sua criação. Um afirma que foi inventada nas senzalas, com restos de comida da casa grande que não serviam aos senhores. Assim, pés e orelhas de porco, linguiça, carne-seca, entre outros ingredientes eram misturados com feijão.

Em outra versão, a feijoada teria origens europeias, pois seria uma releitura brasileira de um cozido português.

Fato é que a feijoada é uma entre tantas influências da culinária africana, tanto no modo de preparar e temperar os alimentos, como na introdução de outros ingredientes.

Foi assim quando, na falta do inhame, usavam a mandioca; ou quando, sem pimentas, utilizaram o azeite de dendê. Talvez você nem imagine, mas banana, melancia, coco, café, pimenta malagueta, amendoim, quiabo, gengibre e jiló são alguns dos ingredientes que vieram da África para o Brasil.

Em nossas terras os escravos reinventaram muitas receitas, fazendo uso do pouco a que tinham acesso. O pirão, por exemplo, nasceu nas senzalas da mistura de caldo misturado com farinha. Uma curiosidade ainda é que os escravos também incorporaram à sua dieta tatus, lagartos, cutias, capivaras, preás e caranguejos – uma forma de complementar a sua alimentação.



Influência portuguesa

Da culinária portuguesa herdamos o gosto pelos doces à base de gema de ovos.
Setor dominante da sociedade que se estruturou no Brasil a partir de 1500, os portugueses foram os responsáveis pela maior parte de nossas receitas básicas e pela introdução e uso de vários ingredientes europeus e asiáticos. Podemos citar vários exemplos: o arroz e as frutas cítricas, além de temperos como a pimenta-doreino, a noz-moscada, a canela e o cravo. Também herdamos dos colonizadores o costume de comer embutidos, como a linguiça e o chouriço, e os métodos de defumação. Foram eles que ensinaram o brasileiro a consumir o trigo, as carnes de boi e carneiro, as sopas e caldos, além de algumas frutas (figo, romã, amora, pêssego) e hortaliças (alface, nabo, repolho).

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