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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

A origem lendária

Morte e ressureição

Numa noite, mãe Catirina, grávida, sente um irresistível desejo de comer língua de boi. Com medo que o filho nascesse doente, Pai Francisco mata o boi preferido do patrão. Irritado, o Amo do Boi manda capturar e prender Pai Francisco. Depois de sofrer muito no cativeiro, Pai Francisco é libertado. Um padre e um médico ressuscitam o boi. O urro do animal, que volta à vida, é celebrado por todos os participantes, com muitas palmas, música e dança.

Com algumas variações regionais, esse é o enredo básico da festa do boi. A origem das festas também pode estar relacionada às histórias do ciclo do gado, nos séculos XVII e XVIII, época em que a atividade pecuária predominava no Brasil. O boi estava presente na literatura oral e em cantigas, principalmente no Nordeste, onde os rebanhos eram criados livres nos campos.

O folguedo do boi conserva quatro elementos distintos: o falado, o cantado, o orquestrado – com instrumentos simples de percussão, como maracas de lata, caixinhas, zabumbas – e o representado. O termo 'Boi' é usado tanto para se referir ao animal como ao grupo folclórico inteiro. O boi, confeccionado em tecido e espuma com estrutura de madeira, é movimentado por uma pessoa que fica dentro da armação, denominada Tripa. As figuras centrais são: um Amo, Dona Maria, dois Vaqueiros, quatro Índios, Caboclos, Pai Francisco, Mãe Catirina, Cazumbá, Lamparineiros, Padre, Sacristão, Pajé, Dr. Veterinário, Dr. Curador, dois Rapazes, Tripa do Boi, Batuqueiros e Negro Velho.
 
 

Miscigenação cultural
 
O ritual do Boi-bumbá é marcado pela miscigenação ocorrida no Brasil: a mistura de elementos culturais do negro, do índio e do branco. No baixo Amazonas, onde ocorre o nacionalmente famoso Boi de Parintins, por exemplo, a história tradicional é adaptada ao cotidiano e às lendas indígenas. No lugar do médico, um pajé salva o boi com a ajuda de sua tribo. O tempero amazonense ainda inclui personagens folclóricos como o Boto, o Mapinguari – um monstro de três metros de altura com olho na testa e boca na barriga –, a Cobra Grande e as tribos indígenas que vivem e viveram na Amazônia.


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