Essa lenda é muito conhecida no Rio Grande do Sul. Conta a história de um menino negro órfão que, ainda criança, foi castigado até a morte.
Nos tempos da escravidão O menino negro conhecido como 'negrinho do pastoreio' vivia sob o domínio de um fazendeiro muito malvado; isso aconteceu antes da abolição da escravatura. Como o menino não conhecia seu pai nem sua mãe, dizia-se afilhado de Nossa Senhora. O patrão costumava castigá-lo severamente, sem motivo algum. Certa vez, o negrinho foi encarregado de cuidar de uma tropa de cavalos. Passado algum tempo, o fazendeiro deu pela falta de um de seus animais. O menino não soube explicar seu paradeiro e foi violentamente chicoteado. O patrão mandou que ele procurasse o tal cavalo e que não retornasse antes de encontrá-lo. Durante a noite toda, o menino procurou pelo animal que estava perdido. Jogado ao formigueiro Ao retornar à fazenda de mãos vazias, pois não tinha conseguido encontrar o cavalo, o negrinho foi surrado até sangrar. Quando o menino desmaiou, o fazendeiro, achando que ele estivesse morto, mandou que jogassem o corpo do pequeno escravo num formigueiro.
Mais tarde, quando o estancieiro foi ao formigueiro ver o que restara do menino, encontrou Nossa Senhora e, ao seu lado, o Negrinho do Pastoreio. Sorridente, sem marcas da surra e cheio de luz. Perto do menino estava o cavalo outrora perdido e muitos outros cavalos; o homem se jogou no chão e pediu perdão. O menino não respondeu, apenas beijou a mão da santa, montou num lindo cavalo branco e saiu cavalgando até desaparecer no horizonte.
Objetos perdidos Até hoje dizem que o Negrinho do Pastoreio pode ser visto cavalgando pelos pampas gaúchos. Quando precisa encontrar um objeto ou animal perdido, o povo da região acende uma vela perto de um formigueiro e pede ajuda ao menino e à sua madrinha, Nossa Senhora.
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