Adélia Prado, poeta mineira, escreveu: Quando nasci um anjo esbelto, Desses que tocam trombeta, anunciou: Vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, Esta espécie ainda envergonhada.
Se você leu os poemas de Carlos Drummond de Andrade do livro Alguma Poesia, reconheceu a semelhança dos versos de Adélia com o início do "Poema de Sete Faces": Quando nasci, um anjo torto Desses que vivem na sombra Disse: Vai, Carlos! ser "gauche" na vida. Essa relação entre textos é o que chamamos de intertextualidade. O primeiro texto cita o segundo, estabelece com ele um diálogo, faz referência ao célebre poema de Drummond. Para poder perceber relações intertextuais, é preciso ter repertório e conhecimentos literários e culturais em geral. Muitas questões de vestibular pedem que você reconheça esse tipo de relação entre textos, sejam eles livros, músicas ou propagandas.
Veja um exemplo de diálogo entre músicas. Chão de Estrelas (Sílvio Caldas e Orestes Barbosa) A porta do barracão era sem trinco Mas a lua, furando o nosso zinco Salpicava de estrelas nosso chão Tu pisavas nos astros, distraída Sem saber que a ventura desta vida É a cabrocha, o luar, o violão Caetano Veloso, em Livros, retoma esse clássico de nosso repertório musical: Tropeçavas nos astros desastrada Sem saber que a ventura e a desventura Dessa estrada que vai do nada ao nada São livros e o luar contra a cultura. (...) Tropeçavas nos astros desastrada Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.
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