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Política

Corrupção no Brasil é tema da vez

21/12/11

Arte JE

Gisele Toledo

Cada vez mais frequente nos noticiários, a corrupção no meio político partidário e na vida cotidiana da população é debatida por especialistas que opinam sobre possibilidades de erradicação do mal no país

Em meio às denúncias e suspeitas de corrupção envolvendo ministros de Dilma Rousseff e a “faxina” promovida pela presidenta na máquina pública, um estudo da ONG Transparência Internacional, divulgado no início do mês, classificou o nível de corrupção no Brasil em 3,8 pontos em uma escala que vai de zero (muito corrupto) a dez (muito limpo). Para debater o tema, a BBC Brasil entrevistou o jurista e professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Dalmo Dallari e o filósofo e professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP José Arthur Giannotti; leia AQUI. Confira abaixo, ainda, a explicação da socióloga Elaine Lima sobre a origem desse mal que acomete o Brasil.

Jeitinho brasileiro?

Por Elaine Lima, especialista em Sociologia e Filosofia
Redação: Carolina Lopes


Corrupção é uma prática presente, em maior ou menor escala, em praticamente todas as partes do mundo. No caso brasileiro, ela já foi naturalizada como algo comum em nossa sociedade e até como uma característica de nossa formação histórica. Mas o que dizem os estudiosos sobre esse fenômeno social?

Em geral, os historiadores, sociólogos e cientistas políticos apontam a corrupção no Brasil como uma prática enraizada que tem como origem a cultura personalista  de nossos colonizadores, fruto, por sua vez, do período absolutista português (século XIV).  Nesse tipo de Estado, as esferas pública e privada são praticamente a mesma coisa. Os bens de caráter privado e público não se separam, e o líder os trata como se fossem uma coisa só, configurando uma autoridade semelhante a do patriarca de uma família.

Sérgio Buarque de Holanda, importante estudioso das nossas origens culturais, fala em sua obra Raízes do Brasil sobre o Patrimonialismo. Segundo o autor, essa forma de governar manifesta-se em uma incapacidade de escolher funcionários e agentes públicos a partir de suas competências e especializações, prevalecendo, neste caso, relações pessoais de amizade, simpatia e interesses particulares.

Nas palavras de Holanda, "não era fácil aos detentores das posições públicas (...) compreenderem a distinção fundamental entre os domínios do privado e do público. Para o funcionário ‘patrimonial’, a própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesse particular”.

Segundo o sociólogo Raimundo Faoro , essas características foram “importadas” para o Brasil durante o período colonial e perduraram na nossa sociedade mesmo após a independência do Brasil. 

 Aprofunde!

Conheça cada um dos termos: nepotismo, propina, suborno, extorsão, tráfico de influências, sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e superfaturamento.

O caso brasileiro

Segundo o relatório anual da ONG Transparência Internacional de 2009 , que apresenta um quadro de percepção acerca da corrupção em 180 países, o Brasil desponta na 75ª posição entre os países que percebem a corrupção entre os funcionários públicos e políticos.


Ciclo vicioso

Por Elaine Lima, especialista em Sociologia e Filosofia

O aumento das denúncias de corrupção ao longo dos últimos anos é um dos fatores que contribui para o clima de incertezas e de desconfiança em relação à política no Brasil. A concepção de que todos os políticos são corruptos generaliza-se progressivamente e une-se à sensação de impunidade. Por isso, cada vez mais a corrupção passa a ser vista como um mal irrevogável e não como uma mazela social que causa sérios prejuízos financeiros e morais à sociedade, mas que pode ser combatida.

Essa sensação geral de corrupção e de impunidade ajuda também a naturalizarmos ações do cotidiano que, apesar de parecerem pequenas e insignificantes, resultam dessa falta de interesse de separarmos o público do particular, e ao que já até damos o nome de “jeitinho brasileiro”.

São situações aparentemente inofensivas, mas que definem nosso modo de agir e pensar, como quando furamos uma fila quando encontramos algum conhecido nela, ou como quando oferecemos uma “caixinha” para o agente de trânsito deixar para lá a infração que acaba de flagrar.

Então surge a questão que todo brasileiro deveria refletir a respeito: a corrupção do cidadão comum, a busca pelo “jeitinho”, é alimentada pela corrupção do político, ou é a corrupção do agente público que alimenta a corrupção do cidadão comum em pequenos detalhes da sua vida cotidiana? Onde se inicia o ciclo vicioso?

O início de todo o processo é difícil precisar, mas o fim dele certamente passa pela melhora dos nossos mecanismos de controle da vida pública, como a ampliação dos canais de transparência das ações governamentais e de leis mais eficazes. Além disso, é responsabilidade de todos os cidadãos estarem atentos aos seus direitos. Não basta apenas mudarmos as estruturas administrativas e de fiscalização do Estado, é imprescindível mudarmos também nossa cultura política.

Corrupção

Segundo o Banco Mundial e a ONG Transparência Brasil, corrupção é o ato de abuso de poder que se utiliza dos recursos públicos, como dinheiro, estrutura e até quadro de pessoal, para interesses privados e vantagens pessoais.



Tema: Corrupção: raízes históricas

Disciplina(s): História, Política, Sociologia

Matriz de Referência de Ciências Humanas e suas Tecnologias

Resumo: Sugestão de aula que trabalha com o tema da corrupção em nosso país a partir de suas raízes históricas e, neste sentido, abrange o conceito de Patrimonialismo. Aborda, também, o papel que cada cidadão tem no combate às várias facetas da corrupção, inclusive aquela naturalizada em nosso cotidiano e relações sociais, o chamado “jeitinho brasieliro”.


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Tags da matéria
corrupção, dilma rousseff, jeitinho brasileiro, sérgio buarque de hollanda, transparência internacional
 
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brenda - 24.04.2012

amei a materiaa



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