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Niemeyer

O arquiteto das curvas

09/01/13

AVILES SPAIN

pedrosala / Shutterstock

Suas obras, conhecidas mundialmente, são famosas pelo traço ousado

Edição: Ana Loiola

No dia 5 de dezembro a mídia internacional destacou a morte de Oscar Niemeyer – o arquiteto brasileiro com maior prestígio no mundo.  Suas obras e importância para a história da arquitetura foram lembradas por diferentes jornais.Veja matéria completa

Abaixo, entenda como Niemeyer contribuiu para a arquitetura moderna, conheça algumas de suas obras e saiba mais sobre a construção de Brasília e seus significados.


Oscar Niemeyer e sua contribuição para a arquitetura moderna

Por Carolina Meneghetti, especialista em Artes

Niemeyer tinha um traço solto, livre e contínuo. Segundo ele, “o arquiteto tem que desembaraçar a mão para
Saiba mais sobre a arquitetura moderna
desenhar”, o que permite que a linha siga livre e fluída pelo suporte. Suas obras estão diretamente ligadas ao seu desenho, de modo que as curvas, as linhas sinuosas e as formas criadas por ele tem a mesma leveza.

No documentário A vida é um sopro, Niemeyer diz: “não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro no curso sinuoso dos nossos rios, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo. O universo curvo de Einstein”.

Anthony Correia / Shutterstock
Igreja do Complexo arquitetônico da Pampulha
Tinha a ideia de unir as artes. Junto à suas construções, muitas vezes encontramos esculturas, murais, mosaicos e pinturas de artistas convidados pelo arquiteto. Para ele, a arquitetura não deveria ser vista como algo isolado: a beleza estava diretamente ligada. A funcionalidade era o mínimo que um projeto precisava ter, então ele se permitia inventar. E foi esse pensamento estético, poético e funcional que fez com que fosse considerado um dos principais arquitetos modernos, junto com Le Corbusier e Mies Van Der Rohe.

A Pampulha está em um processo de revitalização para ser tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade
Em um de seus primeiros projetos, o complexo arquitetônico para o bairro da Pampulha, em Belo Horizonte, criou prédios que sediariam um Cassino, um Iate Clube, uma Igreja, que tinha a fachada com obras de Portinari e Paulo Wernek e uma Casa de Baile. Essa última possui uma marquise com linhas curvas, sustentada por pilotis. Essa estrutura sinuosa dá a sensação de movimento à obra, quebra a rigidez arquitetônica e o ângulo reto, muito usado na arquitetura moderna e subvertido por Niemeyer. Podemos ver isso em outras obras, como a Marquise do Parque do Ibirapuera e o edifício Copan, ambos em São Paulo. Sua ideia era fazer uma arquitetura diferente.

O arquiteto, além das curvas, trabalhava o vazio e o espaço. Isso pode ser observado na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O espaço livre é um respiro, um tempo/espaço entre os prédios. De qualquer lugar da praça, era possível observar a grandeza das construções criadas por ele e era essa sua intenção. Queria que suas obras surpreendessem, fossem contempladas esteticamente.

James Harrison / Shutterstock
Catedral de Brasília
A cidade foi planejada pelo urbanista Lucio Costa e Niemeyer a convite do então presidente, Juscelino Kubitschek, em 1956. O arquiteto ficou responsável pelos projetos dos prédios públicos da cidade, como o Palácio da Alvorada, o Ministério da Justiça, a Catedral, o Congresso Nacional, entre outros.

Durante a ditadura, Niemeyer saiu do Brasil e foi convidado para criar diversas obras no exterior, entre elas a Argel – Universidade de Ciências e Tecnologias e uma Mesquita, na Argélia, a sede do partido comunista na França, o prédio da Editora Mondadori, na Itália.

Elder Vieira Salles / Shutterstock
Museu de Arte Contemporânea de Niterói
De volta ao Brasil, sua produção não parou. Projetou o Memorial da América Latina, em São Paulo, o MAC de Niterói, o Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, entre outros. Até o dia de sua morte, estava lúcido e segundo relatos da família e amigos, pensando em projetos futuros.

A plasticidade entre todas as obras de Niemeyer cria uma unidade entre elas. Suas obras são conhecidas mundialmente. Brasília é Patrimônio Cultural da Humanidade, Pampulha está se revitalizando pra isso também.

A poesia das curvas e das formas de Niemeyer continuará a cumprir sua função de encantar quem as vê e a embelezar as cidades. Abaixo, veja algumas de suas principais obras:

Bruna Tiso e Gisele Toledo


Brasília e seu valor simbólico 

Gustavo Fagundes, especialista em História

Giancarlo Liguori / Shutterstock
Congresso nacional
A construção de um Distrito Federal era uma ambição antiga do governo brasileiro. O primeiro projeto para isso data de 1892, no governo Floriano Peixoto. Entretanto, somente em 1956, no governo de Juscelino Kubitschek, é que o projeto foi aprovado. Para entender essa alteração, temos de pensar no contexto estratégico e geopolítico, uma vez que uma capital litorânea está muito mais exposta a invasões militares e ideológicas. A alteração para o interior do Brasil queria precaver isso e, mais do que isso, facilitar a integração do território nacional.

Em 1894, a área do Distrito Federal foi demarcada após longos estudos da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil. Essa comissão, liderada por Luís Cruls e composta por outros 21 cientistas, delimitou um território entre as cidades de Pirenópolis, Santa Luzia (atual Luziânia) e Formosa, essa região foi denominada retângulo Cruls , trata-se de uma localidade estratégica, pois abrange acesso às bacias do Amazonas, do Paraná e do São Francisco, ou seja, possibilita acesso, respectivamente, às regiões Norte, Sul e Nordeste.

A partir dessa escolha, uma nova missão Cruls foi autorizada, esta tinha como objetivo instalar equipamentos que possibilitariam a construção futura de uma cidade, seus objetivos principais eram: Instalar uma estação meteorológica no local, providenciar ligação telegráfica, efetuar um estudo para instalação de uma rede ferroviária ou férreo-fluvial e selecionar uma espaço, dentro do retângulo Cruls, para a instalação da cidade. Entretanto, essa tentativa foi por conta de corte de verbas do projeto.


Veja vídeo histórico sobre a construção de Brasília
Juscelino Kubitschek, ao assumir o governo brasileiro, colocou como uma de suas metas a construção da nova capital. O projeto que entrava em discussão e era chacoteado por todos os políticos, foi então aprovado e entregue nas mãos do arquiteto Oscar Niemeyer e do Urbanista Lucio Costa.

Com isso, Niemeyer com total liberdade criativa, fez aquilo que se tornaria mais tarde o símbolo do modernismo brasileiro. Pois, como ele mesmo disse, ninguém poderia falar que viu algo semelhante, nem mesmo uma cidade que foi construída tão rápido. Enfim, percebe-se que o valor simbólico da capital brasileira foi muito maior que os gastos para construí-la.

Brasília: o destino geopolítico na hinterlândia brasileira

Por Stefan Menke, especialista em Geografia

Nasa
Image de Brasília vista por satélite. Clique para ver em tamanho maior
A criação de uma capital no interior do território brasileiro tem origem, de acordo com a UNESCO, no século XVII, mas só foi executada na segunda metade da década de 1950 durante o governo presidencial de Juscelino Kubitschek, dentro do seu Plano de Metas.

Do ponto de vista geopolítico dos tomadores de decisão da época, considerava-se o país dividido em: um núcleo central formado pelo eixo Rio – São Paulo – Belo Horizonte, três penínsulas constituídas pelas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul e uma enorme ilha representada pela Amazônia.

Neste contexto, a nova capital do Brasil foi planejada como uma base avançada na forma de um polo de articulação inter-regional de vias de transporte e comunicação, para projetar uma progressão rumo ao centro-oeste e norte do país: o destino geopolítico brasileiro.

Resultado direto dessa ação singular na política territorial do país foi a implantação de vias de acesso entre as porções sul, leste e nordeste do país; e vias de penetração em direção ao centro-oeste e norte. Ao todo foram construídos 6.000 quilômetros de estradas federais tendo Brasília como ponto central: Acre-Brasília, Belém-Brasília, Belo Horizonte-Brasília, Fortaleza-Brasília e Goiânia-Brasília.


Tema: Geopolítica da construção de Brasília

Disciplina(s): Geografia, História, Sociologia

Matriz de Referência de Ciências Humanas e suas Tecnologias

Resumo: O plano de aula propõe uma análise da ocupação do território brasileiro utilizando imagens de satélites artificiais de observação da Terra.


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