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Física

Prédio côncavo reflete Sol e derrete carro em Londres

26/09/13

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Getty Images

Ao refletir a luz solar, vidros do arranha-céu de trinta andares emitem brilho seis vezes maior do que o normal

Edição: Samanta Dias

O edifício recém-construído no distrito financeiro de Londres, na Inglaterra, chama atenção pelo formato fora do comum, mas o projeto arquitetônico inovador parece estar causando mais problemas do que admiração. Algumas pessoas já haviam reclamado do calor e do brilho emitidos pelo prédio e, depois de deixar o carro estacionado nas proximidades do edifício, um motorista encontrou a lateral de seu Jaguar com sinais de derretimento. (Veja a reportagem completa.)

A seguir, entenda como o formato do prédio contribui para potencializar a luz solar e conheça mais sobre a arquitetura contemporânea.   

Como?

Por Cesar Souza, especialista em Física

Carl Court/AFP
Prédio Walkie Talkie, em Londres
Um prédio derreteu partes de um Jaguar XJ, em Londres. O prejuízo, avaliado em 946 libras (R$ 3.490), foi pago pela construtora Land Securities, que construiu o prédio apelidado de “Walkie Talkie”, devido a seu formado incomum.

O fenômeno se deu por causa dos raios solares refletidos pelo prédio. A questão é: como? A resposta está na Física. O formato do prédio e a disposição de suas janelas fazem com que ele se comporte como um espelho côncavo.

Espelhos esféricos

Imagine uma esfera cuja superfície é tão polida que funciona como um espelho. Dessa esfera retiramos uma calota esférica que exibe reflexão regular: essa calota é um espelho esférico. A esfera que deu origem à calota esférica tem duas superfícies, a interna e a externa. A calota poderá ser classificada como um espelho convexo ou côncavo. Essa classificação dependerá da superfície da calota que refletirá os raios de luz nela atingidos: se for a superfície externa, o espelho será convexo; se for interna, côncavo.

Bruna Tiso/Cesar Souza



O espelho côncavo possui uma curiosa propriedade: todo raio que incidir paralelamente sobre o espelho côncavo será refletido de modo a sempre passar por um ponto específico. Esse ponto é chamado de foco do espelho côncavo (representado abaixo pela letra F).

Bruna Tiso/Cesar Souza

Como podemos ver, os raios convergem para o foco. Esses raios solares, ao se concentrarem, levam consigo luz e energia na forma térmica. Esse fenômeno ocorreu no caso do carro que foi derretido: o prédio se comportou como um espelho côncavo e o carro estava estacionado em uma região próxima do que seria o foco desse espelho. 

O trabalho do arquiteto uruguaio Rafael Viñoly no Walkie Talkie não foi o único a apresentar problemas. O hotel Vdara, em Las Vegas, reflete a luz do Sol em uma piscina, aquecendo significativamente uma pequena área (segundo relatos, provocando algumas queimaduras e derretendo objetos de plástico). Esse fenômeno ficou conhecido como “os raios da morte de Vdara”.

Os responsáveis pelo prédio Walkie Talkie ainda não apontaram uma solução formal para o problema, porém, em caráter emergencial, o estacionamento onde a ocorre a concentração dos raios luminosos foi fechado e o prédio coberto com uma tela temporária. Acredita-se que o problema, que está associado à posição do Sol, ocorra apenas duas horas por dia e se prolongará por mais algumas poucas semanas.

 Arquimedes e espelhos côncavos

Existe um relato que muitos afirmam tratar-se de apenas um mito. Ele diz que Arquimedes se valeu de espelhos para enfrentar os romanos em defesa da cidade de Siracusa, na Ilha da Sicília. Segundo a lenda, durante a Segunda Guerra Púnica (213 a. C.) o matemático e inventor grego, usando espelhos colocados na costa, teria incendiado a frota romana ainda em mar usando a luz do Sol.

Arquitetura e poder

Por Carolina Plumari, especialista em Artes

Oleksiy Mark/Shutterstock

A arquitetura, assim como a arte e a literatura, passou por diversas mudanças no decorrer da história. Da mesma maneira que as outras linguagens, acompanhou o desenvolvimento e as necessidades das sociedades, as questões estéticas e as funcionalidades de cada época.

No antigo Egito as pirâmides eram construídas para servir de túmulo ao faraó, que era considerado a pessoa mais próxima do deus Rá e, por isso, a que tinha mais poder sobre o povo. Na arte grega, os templos eram um local de adoração aos deuses. Nos dois casos, as construções eram em grande escala, deixando claro o poder da religião sobre o povo.

Durante muitos anos a arquitetura manteve relação direta com a religião (e com o dinheiro que ela possuía). Na arte gótica, as grandes catedrais eram erguidas para mostrar a importância e o poder da Igreja. As construções eram imensas para que, de alguma maneira, se aproximassem do céu. Já durante o período Neoclássico, no século XVIII, os ideais iluministas e a racionalidade fizeram com que a Igreja perdesse um pouco do seu prestígio e, com isso, a arquitetura passou a ser financiada pela burguesia. Grande parte das construções que passaram a ser feitas nessa época era de prédios públicos como escolas e cárceres. Segundo o historiador Giulio Carlo Argan, foi nesse período que surgiu a ciência urbanística. Também foi nessa época que a funcionalidade da arquitetura começou a ser pensada.

O ápice da relação entre arquitetura e funcionalidade se deu com a arquitetura moderna e a escola Bauhaus, no
Claudio Divizia/Shutterstock
Prédio da Bauhaus, na Alemanha, considerado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Construído na década de 1920, sua arquitetura era inovadora para a época
início do século XX. A forma deveria estar a serviço da função para qual seria destinada. Nada de ornamentos, apenas formas retas e geométricas. Os prédios passaram a ser cada vez mais altos, diminuindo a necessidade de utilizar um grande espaço do terreno. A utilização de novos materiais, produzidos em larga escala graças à Revolução Industrial, também ganhava corpo. Aço, ferro, concreto e vidro foram introduzidos na arquitetura.

Até hoje a utilização desses materiais é recorrente nas construções de prédios, cada vez mais altos e inovadores. Além deles, vidros espelhados e a predominância da cor prata fazem parte das construções contemporâneas e acabam, junto com os formatos inusitados, deixando os prédios com uma “cara” de tecnológico, de high tech, inclusive os residenciais.

Toda a monumentalidade da arquitetura contemporânea é construída para a elite. Os grandes prédios são imponentes no tamanho, inovadores nos formatos e nos materiais, além da grande maioria seguir os padrões do ambientalmente correto, ao pensar em soluções sustentáveis, como coleta seletiva, energia solar, estacionamento para bicicletas etc. Todos esses elementos tornam o empreendimento extremamente atrativo, mas agregam um enorme valor de mercado ao imóvel, que nem todos podem pagar.


Tema: Edifício derrete partes de um carro em Londres

Disciplina(s): Arte, Física

Matriz de Referência de Ciências da Natureza e suas Tecnologias

Resumo: O plano de aula promove a compreensão da física no cotidiano, abordando principalmente temas de óptica e arte na arquitetura.


Conheça a equipe do Jornalismo Educativo


Tags da matéria
Energia, Física

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