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A Terra fica mais quente |
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O tempo ficou louco? Parece mesmo que sim. Ou chove demais ou não chove, ou faz calor quando não se espera ou frio na época errada.
Mas ainda é cedo para dizer que o clima da Terra esteja mudando. Que a temperatura global média tem aumentado, isso é um fato. O que os cientistas ainda não conseguiram dizer com certeza é se esse aumento, devido à maior emissão de gás carbônico pelos países, provocará uma mudança no clima do planeta.
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| O homem mexe no clima |
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Desde seu aparecimento na Terra, os seres vivos enfrentaram períodos longos de mudança natural do clima. O mais famoso teria sido motivado pela queda de meteoritos, os que provocaram a extinção dos dinossauros. O mais recente foi no começo da Idade Média (século V), chamado de Pequena Era Glacial, que provocou fome em regiões no hemisfério Norte, mudanças nos ecossistemas e migrações em massa para lugares mais quentes. Até então, foram mudanças provocadas por fenômenos naturais.
Atualmente, os cientistas alertam para um fenômeno contrário: a temperatura média da Terra aumentou quase 1 ºC nos últimos 140 anos. Parte da comunidade científica suspeita tratar-se de um aquecimento natural, parte de um processo que periodicamente alteraria o clima do planeta, no entanto, para muitos o fenômeno atual é conseqüência das atividades humanas.
A queima de combustíveis fósseis – carvão e derivados do petróleo, como gasolina e óleo diesel – e de florestas, campos e pastagens alteram o equilíbrio dos gases que formam o cobertor da Terra – a camada, a grande altitude, que provoca o efeito natural de estufa, mantendo o planeta aquecido. Não fosse esse cobertor, o planeta seria 30 ºC mais frio. Mas, com o engrossamento do cobertor, a temperatura sobe – como ocorre com qualquer pessoa que esteja superagasalhada –, é a intensificação do efeito estufa.
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| Gases de efeito estufa |
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Por ordem de concentração na atmosfera, são estes os gases que têm intensificado o efeito estufa:
| Dióxido de carbono |
(CO2) |
| Metano |
(CH4) |
| Óxido nitroso |
(N2O) |
| Hidrofluorcarbonos |
(HFCs) |
| Perfluorcarbonos |
(PFCs) |
| Hexafluoreto de enxofre |
(SF6) |
Com a emissão maior desses gases, a energia fica aprisionada na atmosfera, o que provoca um aumento na temperatura média mundial. Esse aquecimento pode ter relação direta com a diminuição da área de neve nos Andes (América do Sul) e no Himalaia (Ásia) e com o desprendimento de imensos icebergs (montanhas de gelo flutuantes) das geleiras dos pólos. |
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| Conseqüências em cadeia |
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| A longo prazo, a previsão é de que o aquecimento constante ocasione:
• aumento da evaporação das águas;
• mudança dos índices pluviométricos;
• derretimento mais acentuado das calotas polares, com o conseqüente aumento do nível dos oceanos, prejudicando ou, em última instância, inundando as cidades litorâneas do mundo;
• derretimento da neve em cadeias de montanhas, aumentando o volume de água dos rios e inundando terras secas;
• mudança nos ventos, com ocorrência maior de tufões e distribuição diferente da umidade do ar;
• por fim, mudança no clima das regiões do mundo, pela modificação gradual do ciclo da água, da dinâmica de ventos, das massas de ar, correntes oceânicas e da pressão atmosférica.
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| Causas incertas |
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Desde 1860, quando começaram os registros das temperaturas em várias partes do planeta, a temperatura média na Terra aumentou 0,7°C. Pode não parecer muito, mas já é o suficiente para causar grandes alterações, e é mais preocupante ainda quando se leva em conta que a maior parte dessa elevação (0,4 ºC) ocorreu de 1940 para cá, justamente quando a industrialização se intensificou.
Quanto às causas do aumento, cientistas e especialistas divergem: uns são categóricos ao afirmar que a emissão de gases de carbono é a responsável direta pelo pico na temperatura; outros não discordam de que esses gases contribuam para a temperatura global mais alta, mas sugerem que o aumento pode ser resultado da dinâmica natural do clima, da mesma forma que houve alterações climáticas drásticas ao longo da história, como a Pequena Era Glacial.
Uma coisa é certa: uma porcentagem dos gases que intensificam o efeito estufa pode estar na atmosfera há 150 anos – o tempo que demora para o gás carbônico, por exemplo, se dissipar.
De qualquer forma, não há, ainda, um quadro completo: é como se fosse um quebra-cabeça com peças faltando. |
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| Temperatura em alta |
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A Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão das Nações Unidas, concluiu que a década de 90 foi a mais quente dos últimos 140 anos, e que o século XX foi o mais quente do milênio.
O calor, porém, continua a aumentar, e um novo recorde parece estar a caminho. Segundo medições da Nasa, 2005 foi o ano mais quente já registrado, superando o recorde de 1998 - e isso sem contar com a ajuda do fenômeno El Ninõ.
• No final do século XX, a temperatura média global é quase 0,7 ºC mais alta do que no final do século XIX.
• Desde 1978 o planeta registra temperaturas acima da média normal. |
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| Compromisso: reduzir as emissões |
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O aquecimento do planeta deu origem a iniciativas internacionais para fiscalizar e controlar as emissões de gases de efeito estufa, como a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança no Clima, de 1992, assinada por 150 países, o Brasil inclusive. Ela existe para incentivar ações mais enérgicas sobre a emissão de gases de efeito estufa.
A mais conhecida dessas ações é o Protocolo de Quioto, de 1997, e que entrou em funcionamento em 2005, com a participação de 129 nações. Ele determina a redução das emissões de gases de efeito estufa no período de 2008 a 2012, tendo como patamar os níveis de 1990. Isso significaria uma diminuição média mundial de 5,2%.
No entanto, grande poluidores, como o campeão Estados Unidos e a Austrália, não apoiam a iniciativa por acreditar que isso prejudicaria suas economias. Mesmo entre a maioria dos participantes do protocolo, os indicadores são de que as metas não serão alcançadas.
Já a maioria dos cientistas que relaciona o aumento da temperatura às emissões de gases do efeito estufa acredita que o corte previsto pelo protocolo é pouco para deter as mudanças. Segundo alguns, para obter o efeito desejado, seria preciso diminuir as emissões em 60% em relação à década de 1990.
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| Compra de cotas |
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A redução, sem dúvida, vai exigir uma desaceleração das atividades econômicas desses países. Mas eles têm uma saída: se não atingirem a meta fixada, podem creditar para si a cota de redução de outros países, desde que façam investimentos nesses países para o cumprimento das metas de redução da emissão.
Já os países em desenvolvimento seriam os principais responsáveis pelas emissões do gás metano, que provém de plantações de arroz alagado, lixo, esgoto, gado, prospecção de petróleo e gás e minas de carvão. O potencial de efeito estufa do metano é 21 vezes maior que o do CO2, num período de 100 anos.
As emissões de dióxido de carbono são muito mais bem documentadas do que as dos outros gases, até porque é uma preocupação antiga, que data da Revolução Industrial. Veja a lista dos países que mais emitem dióxido de carbono porcentualmente:
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País
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% de emissão de CO2 por indústrias
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| Estados Unidos |
36,1 |
| Federação Russa |
17,4 |
| Japão |
8,5 |
| Alemanha |
7,4 |
| Reino Unido |
4,3 |
| Canadá |
3,3 |
| Itália |
3,1 |
| Polônia |
3,0 |
| França |
2,7 |
| Austrália |
2,1 |
| Espanha |
1,9 |
| Romênia |
1,2 |
| República Checa |
1,2 |
| Países Baixos |
1,2 |
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