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Viagem a um buraco negro
 
Os buracos negros são tão difíceis de ser encontrados que a chance de cairmos em um deles é quase nula. Mas, e se isso acontecesse?


A galáxia LMC X1 é forte candidata a "esconder" alguns buracos negros.
 



A ilustração do Observatório Espacial Chandra mostra como seria a aparência de um buraco negro. No centro, vemos a luz sendo sugada. 



Concepção artística
de um pulsar no espaço.
 



Sagitarius A é outra região
do Cosmo na qual os
cientistas acreditam haver buracos negros.
 

Caçada estelar
Os buracos negros foram um dos raros casos na história da Ciência de uma teoria desenvolvida matematicamente com todos os detalhes antes de qualquer evidência observável de que estivesse correta. O primeiro indício de sua existência só apareceu em 1963, quando o astrônomo Maarten Schimidt, do Observatório Palomar da Califórnia, descobriu uma perturbação na gravidade de determinada região do espaço. Para acontecer isso, deveria existir um objeto muito massivo, mas invisível pelas redondezas. Quem sabe um buraco negro? Em 1970, o satélite Uhuru foi colocado em órbita, com a missão de captar objetos que emitissem raios X. Descobriram Cygnus X-1, a primeira evidência real da existência de um buraco negro.

Sonho de aventura
Mesmo hoje, os buracos negros são difíceis de ser detectados. Por isso, esse misterioso objeto invisível mexe com a imaginação dos cientistas. Imagine só o que aconteceria se pudéssemos mandar nossas naves espaciais até um buraco negro. E mais: e se um corajoso astronauta se oferecesse para entrar no gigante misterioso? O que aconteceria? Acompanhe essa intrépida aventura passo a passo:

1 - O astronauta deixa a nave, que está estacionada a uma distância segura. Leva consigo um relógio de pulso, que emite sinais monitorados pela tripulação.
2 - Nos primeiros minutos de viagem, tudo parece normal. A gravidade do buraco o puxa suavemente para baixo. Os sinais de seu relógio chegam regularmente, um por segundo. A luz que vem do astronauta também permanece sem alteração.
3 - Conforme se aproxima do horizonte de eventos, o astronauta começa a sofrer as alterações do espaço-tempo. A gravidade sob seus pés é muito maior do que em sua cabeça. O astronauta sente seu corpo ser esticado sob as forças do chamado "efeito espaguete". Embora seu relógio continue a funcionar normalmente, a tripulação percebe que os sinais estão chegando mais devagar. É a forte gravidade afetando espaço e tempo. Visto da espaçonave, o astronauta parece mais avermelhado – é a luz perdendo energia na luta contra a gravidade.
4 - Já muito próximo ao horizonte de eventos, o astronauta sente seu corpo ainda mais alongado. A tripulação vê que ele está se "apagando", conforme a luz perde mais e mais energia. Mas como o tempo vai passando cada vez mais devagar, as pessoas que observam o astronauta da nave jamais o verão adentrar o buraco negro: sua imagem ficará congelada, flutuando na área externa do horizonte de eventos pela eternidade.
5 - Mas para nosso astronauta o tempo não parou. Ele entrou no buraco negro e está ansioso para ver o que pode acontecer. E é aí que está o perigo: agora ele se dirige diretamente para a singularidade. E como tempo e espaço estão distorcidos, ele não pode mais evitar que a distância que o separa da singularidade diminua: isso agora seria tão impossível quanto evitar a passagem do tempo.

"Buracos de minhoca"
Mas qual o final desta aventura? Impossível prever. Mesmo assim, os cientistas arriscam alguns palpites:
1 - Se o astronauta der o azar de entrar em um buraco negro com a singularidade em forma de esfera – formada quando um objeto estacionário se contrai –, sua morte será certa. Ele colidirá com o ponto de densidade infinita e será totalmente dilacerado.
2 - Mas ele também pode tirar a sorte grande e encontrar uma singularidade em forma de anel – criada durante a contração de um objeto rotacional. Aí, se atravessar seu centro com muito cuidado, pode cair no que os cientistas chamam de "buraco de minhoca": um túnel que o levará a outras regiões do espaço e do tempo, a universos totalmente diferentes do nosso. Uma viagem sem retorno, mas única na história.

 

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