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Para onde vai a agricultura mundial?
Agricultura e pecuária são atividades agrárias, integrantes do setor primário da economia.
Os fatores naturais influenciam fortemente as atividades agrárias – solos férteis e água são fundamentais para o sucesso dessas atividades. Entretanto, modernas técnicas de correção de fertilidade e de irrigação podem resultar em excelentes resultados na produção agrícola. A função principal da agricultura é a produção de alimentos e de matérias-primas para atender às necessidades humanas. Após a Revolução Industrial, as atividades agrárias têm contado com avanços técnicos que resultaram no aumento da produtividade.
Essa atividade não é praticada da mesma forma nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Nos países ricos utilizam-se maciçamente agrotóxicos, adubos e uma mecanização intensa. Nos países pobres, a agricultura tem graves problemas: concentração de terras, melhores solos ocupados por produtos de exportação, baixos preços desses produtos no mercado internacional. Tudo isso faz com que os rendimentos sejam escassos e as produções insuficientes.

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1. Agricultura tradicional extensiva
Característica de espaços com uma densidade populacional muito baixa, utiliza técnicas de cultivo elementares. O sistema mais habitual é a rotatividade de áreas cultivadas, que são semeadas durante um certo tempo e depois abandonadas para que os elementos nutritivos do solo se reconstituam de forma natural.
É praticada nas savanas e estepes das áreas tropicais e nas florestas equatoriais. Predomina nas bacias do Congo e do Amazonas, nas savanas africanas e nas grandes ilhas da Índia insular.


As culturas predominantes na savana são o milhete (espécie de milho) e o sorgo, e, nas zonas equatoriais, a mandioca.
A técnica de rotação mais utilizada é a queimada da vegetação. Com ela se consegue um solo fértil, que se esgota ao término de algumas semeaduras. Os instrumentos de cultivo são rudimentares, como as varas e enxadas.
Mulher africana trabalha a terra com ferramentas rudimentares










2. Pastoreio tradicional itinerante
Sistema de produção pecuária em franco desuso, praticado apenas em áreas muito secas, com baixa densidade populacional e sem meios de comunicação modernos. Localiza-se basicamente nas fronteiras desérticas do norte da África (algumas comunidades tribais africanas, como os maçais da Tanzânia e do Quênia ou as tribos do sudoeste africano) e do Oriente Próximo, e nas zonas mais áridas da Ásia Central.

Os rebanhos deslocam-se procurando os pastos naturais que surgem nas regiões que recebem alguma chuva.
As famílias que vivem disso acompanham o gado em seus deslocamentos.
O cultivo em muitas das planícies que recebem chuvas estivais está provocando o desaparecimento desse sistema tradicional de pecuária.
Pastor conduz um rebanho de
ovelhas para áreas de pasto










Agricultor usa o gado para arar a
terra e semear arroz
3. Agricultura intensiva de subsistência
Conhecida também como agricultura de jardinagem, é um sistema agrícola de sociedades com grande crescimento populacional, pois responde à necessidade de se obter maiores quantidades de alimento. Seu objetivo é conseguir uma alta produtividade da terra por meio do trabalho de um grande número de pessoas. O exemplo mais característico é o arrozal da Ásia de Monções, que alimenta as maiores concentrações populacionais do mundo (China, Índia, países do sudeste asiático). Também apresentam características parecidas as áreas americanas de trópicos úmidos, onde
se cultiva o milho.

As grandes densidades populacionais proporcionam mão-de-obra abundante para conseguir o máximo de produção por unidade de superfície (um hectare, por exemplo).
Aproveita-se todo o adubo natural disponível (de origem tanto vegetal como animal) e a força de tração animal do pouco gado de trabalho existente.

Colheita de folhas de chá.
O maciço consumo de
produtos tropicais nos países
desenvolvidos multiplicou
o seu cultivo
4. Agricultura de plantation
Localizada basicamente nas zonas tropicais, caracteriza-se por cultivos destinados a exportação (palmeira, café, chá, abacaxi, seringueira), para satisfazer a crescente demanda dos países desenvolvidos. As empresas multinacionais agroalimentares dominam o mercado mundial dos produtos de plantation, o que faz com que muitos Estados do Terceiro Mundo sejam submetidos a seus interesses.

Em geral, exige grandes investimentos, com milhares de hectares cultivados, como é o caso do café no Brasil ou do abacaxi na América Central.
Essas grandes explorações empregam técnicas modernas para aumentar a produção e melhorar a qualidade.
A agricultura de plantation tende atualmente à monocultura.






 


 

Vinhedos na época da colheita.
A parreira, o trigo e a oliveira
formam a trilogia mediterrânea
dos cultivos tradicionais
5. Agricultura mediterrânea
A agricultura mediterrânea apresenta um claro contraste entre a terra não-irrigada e a irrigada. Nas zonas de irrigação, geralmente planícies fluviais próximas às costas, há o cultivo intensivo de hortas. Na terra não-irrigada predominam os cereais e as culturas arbóreas (oliveiras, aveleiras, amendoeiras) e arbustivas (vinhas).
Atualmente, tende-se a reagrupar os cultivos em vastas zonas de monocultura para aumentar a rentabilidade. As condições climáticas, especialmente a falta de umidade do verão, levam à técnica de rotação de terras ou descanso. Nesses casos, podem ser associados o cultivo de cereais e a pecuária extensiva.



As grandes extensões de terra
para o cultivo de cereais
necessitam de muita maquinaria
de grandes dimensões

 

6. Agricultura cerealista
Os cereais, mais especificamente o trigo, têm sido a base da alimentação humana em amplas regiões do planeta, sobretudo nas latitudes temperadas e frias. A existência de variedades mais resistentes ao frio ou de um ciclo vegetativo mais curto (cereais de primavera) permitiu expandir o cultivo de cereais a grande parte das áreas continentais frias da Ásia e da América.

A maior parte dos espaços cerealistas encontra-se em regiões de fraca pluviosidade (entre 300 mm e 500 mm anuais): regiões do interior dos Estados Unidos, Austrália, pampas argentinos,  Ucrânia, Rússia ou Estados da Ásia Central.
Esse tipo de agricultura desenvolve-se em grandes explorações totalmente mecanizadas, da semeadura até a colheita.
Nessas áreas são obtidos grandes volumes de produção, que são determinantes para o comércio e o preço mundial dos cereais.








 


 

Os pastos naturais garantem a
alimentação para o gado bovino
7. Pecuária extensiva
A pecuária extensiva é realizada em imensas explorações de milhares de hectares e com dezenas de milhares de cabeças de gado. Não há utilização de fertilizantes para regenerar o solo, o que faz com que os rendimentos sejam muito baixos. Apesar disso, constitui a maior reserva de carne do mundo.

Abarca extensas zonas do oeste dos Estados Unidos, o norte do México, a área mais seca dos pampas argentinos, diversas regiões do Brasil e os espaços mais secos da Austrália e da República da África do Sul.
É uma pecuária de ovelhas e gado bovino dedicada basicamente à produção de carne, lã e couro. O leite não pode ser aproveitado, por falta de uma rede de transporte adequada para sua distribuição.
As crias e parte do rebanho são vendidas no início da estação seca, quando os pastos começam a se tornar escassos.

Técnica moderna de
obtenção do leite
8. Pecuária intensiva
A diferença fundamental com o sistema extensivo é que o período de déficit dos pastos é compensado pela produção de forragens, o que permite completar a alimentação do gado nos períodos de frio mais intenso. A pecuária intensiva localiza-se na zona de clima temperado oceânico do oeste da Europa (Alemanha, Países Baixos, Dinamarca, Escandinávia, Reino Unido e França), na Nova Zelândia, no nordeste dos Estados Unidos e no sudeste do Canadá.

As precipitações, regulares e pouco intensas, e a suavidade do clima permitem a existência de pradarias permanentes onde o gado pode pastar ao ar livre em grande parte do ano.
Essas condições naturais são especialmente adequadas para o desenvolvimento do gado bovino leiteiro.
Com esse tipo de pecuária são obtidos altos rendimentos, devido à utilização de técnicas mais modernas de criação e seleção do gado.






 


 

Graças à água e ao trabalho intensivo, a horticultura obtém altos rendimentos
9. Horticultura
A horta é um sistema agrícola no qual o abastecimento de água é fundamental para o desenvolvimento de uma grande variedade de plantas, que são cultivadas de forma intensiva. Por isso são necessários altos investimentos e uma abundante mão-de-obra. É típica da região mediterrânea, onde os cultivos de horta dispõem de condições de temperatura muito favoráveis no inverno. Os cultivos desenvolvidos, graças à irrigação nos meios desérticos (oásis), lembram vagamente os cultivos hortícolas, mas carecem da orientação comercial dos mediterrâneos. No Brasil, o cinturão verde na região metropolitana da Grande São Paulo caracteriza-se como uma área de horticultura.

As áreas de hortas encontram-se muito próximas aos centros urbanos, o que favorece seu transporte e consumo.
Atualmente, as produções hortícolas tendem a se desenvolver em plantações uniformes do mesmo produto: cítricos, prunáceas (pêssego e damasco) ou qualquer tipo de hortaliça.





10. Agricultura e alimentação
Os recursos alimentícios mundiais encontram-se em uma situação de desequilíbrio. Enquanto em alguns lugares há constantes excedentes de alimentos, em amplas regiões a escassez é contínua e a alimentação é deficitária em quantidade e qualidade (subalimentação). Mas o mais grave é a impossibilidade de equilibrar excedentes e déficits, já que a falta de capitais não permite aos países subdesenvolvidos fazer as compras necessárias. Portanto, a subalimentação é o resultado da divisão desigual da riqueza e não de uma produção insuficiente.

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10a.  Superalimentação e subalimentação
Apesar dos recursos alimentícios terem melhorado desde os anos de 1970, muitos países, especialmente do continente africano, vêm verificando uma piora de sua situação alimentícia. Em casos extremos, provocados por circunstâncias climáticas ou conflitos bélicos, têm-se produzido autênticos episódios de fome generalizada, que a ajuda internacional não consegue solucionar. Por outro lado, muitos dos países industrializados apresentam uma produção de alimentos muito superior a seu consumo.

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11. Arroz
As áreas arrozeiras não são tão extensas como as trigueiras. O predomínio do continente asiático é total: entre os principais produtores, apenas o Brasil não pertence a esse continente. O arroz é a base da alimentação das culturas do Extremo Oriente e do sul da Ásia. Apesar disso, muitos desses países não conseguem produzir as quantidades necessárias para suprir suas necessidades, por causa dos baixos rendimentos por hectare. Na China, por outro lado, os rendimentos de produtividade permitem cobrir sua demanda interna.
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12. Trigo
O trigo é o cereal predominante na civilização ocidental. Os Estados Unidos, o Canadá, a França e o Reino Unido, classificados entre os maiores produtores mundiais, dispõem a cada ano – diferentemente da Rússia ou da China – de um importante excedente para exportar. É precisamente na Europa que são obtidos os melhores rendimentos por hectare, enquanto no continente americano o volume da produção é determinado pela superfície semeada.

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13. Milho
O milho é um cereal que serve tanto para a alimentação humana, especialmente nas áreas indígenas no centro e no sul da América, como para forragem nas zonas pecuaristas dos países industrializados. Os Estados Unidos, com mais de 40% da produção mundial, dominam amplamente o comércio desse cereal. Os rendimentos entre os países são muito desiguais: enquanto no Brasil ou no México são escassos, na América do Norte são muito elevados, graças à aplicação de métodos científicos de produção.

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