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A ocupação do território

Mapa-múndi criado em 1507, a partir de informações geográficas das grandes navegações
 

Por muito tempo, o Descobrimento do Brasil foi considerado obra do acaso, um desvio de rota. Porém, vários historiadores passaram a defender a tese da intencionalidade da descoberta, hoje aceita com tranquilidade. A descoberta não teria ocorrido em abril de 1500, mas em dezembro de 1498, quando uma frota de oito navios atingiu o litoral brasileiro e chegou a explorá-lo.

De qualquer forma, a conquista do território brasileiro pela Coroa portuguesa não aconteceu de forma pacífica. A existência de pau-brasil na Mata Atlântica fez com que outras nações europeias também se dirigissem ao Brasil para explorar sua madeira. Para tentar impedir que holandeses e franceses contrabandeassem riquezas como o pau-brasil e ocupassem definitivamente as novas terras, em 1534 a Coroa portuguesa dividiu a colônia em 15 grandes faixas de terra: as chamadas capitanias hereditárias.



Relevo do início do século XVI mostra franceses abatendo pau-brasil para o comércio de corantes




Mapa da divisão do Brasil em capitanias
hereditárias, com vistas ao povoamento do País
Concedidas a nobres e fidalgos – os donatários –, as capitanias deveriam ser por eles ocupadas e exploradas. Assim, assegurava-se a posse das terras com o povoamento e desenvolvimento da economia local. As capitanias não tiveram sucesso e foram totalmente extintas em 1759. Somente duas prosperaram: a de São Vicente e a de Pernambuco.

Durante o período de colonização, a cana-de-açucar foi cultivada nas novas terras. Sua primeira grande fase da produção foi durante a implantação, por volta de 1530. O auge, no entanto, ocorreu entre 1570 e 1620, quando a demanda na Europa aumentou e o Brasil praticamente não tinha concorrência.

Porém, no final do século XVII, com a descoberta do ouro em Minas Gerais, nobres, livres e escravos deixaram as capitais das províncias em busca das ricas jazidas. A partir de 1711 fundaram-se as primeiras vilas, como Vila Rica, atual Ouro Preto. Lá, na metade do século XVIII 
Maior conjunto homogêneo de arquitetura barroca do Brasil, a cidade de Ouro Preto foi tombada pelo Patrimônio Nacional
viviam cerca de 30 mil pessoas, quando a média em outras cidades era de 2 a 3 mil habitantes. No fim do século XVIII, porém, 600 mil pessoas moravam na região das minas – um quinto da população brasileira da época, que era de 3 milhões.

Em seguida veio o ciclo do café, que começou a ser produzido por volta de 1780, nos arredores do Rio de Janeiro. O bom preço do produto na Europa atraiu os fazendeiros e o governo doou terras e mudas para quem quisesse cultivá-lo. O café trouxe lucros exorbitantes para seus produtores, que mais tarde foram aplicados na industrialização. A massa de trabalhadores passou a crescer em ritmo acelerado e de forma heterogênea: formou-se com imigrantes europeus, ex-escravos e brasileiros de outras regiões do País.

Já com o ciclo da borracha, a Amazônia entrou em uma fase de prosperidade econômica baseada na extração do látex, a partir de 1840. O governo arrecadou impostos e a elite enriqueceu. Mas as relações sociais pouco se alteraram. Embora não houvesse mais a escravidão indígena, os seringueiros trabalhavam compulsoriamente. Grandes empresas estrangeiras ligadas à exportação da borracha entraram na área.

Por fim, a questão mais recente sobre a ocupação do território brasileiro diz respeito à reforma agrária. Com uma estrutura agrária caracterizada pela concentração de enormes quantidades de terras nas mãos de poucas pessoas, surgem dois problemas: baixo índice de produtividade agrícola e pobreza entre as populações rurais. Desde 1850, com a promulgação da Lei das Terras, houve várias tentativas de se discutir a distribuição de terras no País. Todos os projetos, porém, tiveram tendência conservadora, mantendo os interesses dos grandes latifundiários.

Maior movimento popular da América Latina, o MST conta hoje com 400 mil famílias organizadas
O modelo de Reforma Agrária empregado na Ditadura Militar (1964-1984) também reforçou a posse da terra, sem uma política de investimento que atendesse aos pequenos, médios e microproprietários. Devido a essa situação, em 1984, trabalhadores rurais fundaram o Movimento dos Trabalhadores Sem-terra (MST), que tem como objetivo pressionar os governos a realizar a reforma agrária.
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