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Por que a população mundial cresce tanto?
População é o conjunto de pessoas que vive em um espaço e em um tempo específicos. A ciência que tem por objeto estudar as populações humanas e suas variações é conhecida pelo nome de Demografia. Para analisar a evolução de uma população, suas características presentes e assinalar suas perspectivas futuras, é necessário utilizar diversos instrumentos de medição, como por exemplo as taxas de natalidade, de fertilidade e de mortalidade.

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1. Distribuição da população
A partir de sua origem africana e ao longo do tempo, o ser humano tem ocupado os diversos continentes. Apesar disso, essa ocupação não se completou de forma efetiva até o século XIX. A população atual da Terra é de 6,4 bilhões de pessoas (dados de 1999), distribuídas de forma desigual pela superfície do planeta. Mais da metade dos habitantes vive em áreas do Extremo Oriente, no subcontinente indiano e na Europa Ocidental.

1a. Povoamento desigual
Atualmente, a totalidade do planeta já é conhecida pelo homem, mas o povoamento é descontínuo. Existem áreas com grandes concentrações de população e densidades de várias centenas de habitantes por km², enquanto outras quase não chegam a densidades de 1 habitante por km². As regiões áridas ou muito frias e as zonas montanhosas são os grandes espaços vazios. As regiões que estão povoadas são basicamente as zonas tropicais e as temperadas, ainda que não de forma homogênea. Vários fatores podem explicar a maior concentração populacional, dentre os quais podemos destacar os fatores naturais, históricos e econômicos.

Para lembrar:
No Extremo Oriente, na Índia e na Europa, a intensificação da agricultura correspondeu à expansão da população. Na Europa, a Revolução Industrial reforçou a capacidade de manter uma população numerosa.

2. Crescimento da população
A população mundial conheceu ao longo da História períodos de brusco crescimento. A revolução neolítica (10000-5000 a.C.), com o desenvolvimento da pecuária e da agricultura e a passagem do nomadismo para a vida sedentária, elevou até 80 milhões o número de habitantes. Desde o início do século XVIII, uma nova explosão demográfica, ligada à Revolução Industrial, provocou um incremento no número de habitantes, até então desconhecido. A população do planeta, estimada em aproximadamente 500 milhões em meados do século XVII, superou 1 bilhão em meados do século XIX.

2a. Ritmo acelerado
O ritmo do crescimento foi se acelerando desde então: 2 bilhões de pessoas em 1940, 4 bilhões em 1975, 5 bilhões em 1987 e ingressa no ano 2000 na casa dos 6 bilhões. A população multiplicou-se por seis desde 1750 até a atualidade, e cresceu mais do que o dobro desde 1950. Porém, a partir do final dos anos de 1980, o ritmo de crescimento diminui.

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3. A população no ano 2000
A progressão da população mundial tem sido desigual segundo as épocas e os continentes. Durante os séculos XVIII e XIX, a Europa foi o continente com maior expansão demográfica. Ao longo do século XX, a Ásia, a América Latina e a África ganharam relevância. Desde 1950, 95% do incremento anual da população se dá nas regiões pouco desenvolvidas. A Ásia é a região do planeta com maior população. Apesar disso, seu ritmo de crescimento, assim como o da América Latina, tem diminuído durante os últimos anos.

Segundo as previsões da ONU, a população mundial no ano 2015 será de 7,5 bilhões de pessoas, número inferior às estimativas feitas nos anos de 1970.

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Por outro lado, não parece que o crescimento africano possa diminuir seu ritmo antes da segunda década do século XXI. A Índia é o país cuja população mais tem aumentado nos últimos anos. O país atingiu a marca de 1 bilhão de habitantes em 1999 e deverá ultrapassar a China, país mais populoso do mundo, em um futuro próximo.

4. Nascer e sobreviver
A taxa de mortalidade infantil (número de óbitos no primeiro ano de vida) e o índice de fertilidade (média de nascidos vivos em um ano para cada mil mulheres em idade de procriar) representam duas variáveis básicas para se conhecer o crescimento demográfico.

4a. Controle populacional
Os países desenvolvidos têm conseguido, há muito tempo, controlar a mortalidade infantil, com taxas atuais inferiores a 15 óbitos para cada mil nascimentos. Apesar disso, o baixo nível atual de fertilidade (entre 1,3 e 1,7 filho por mulher) não permite assegurar a substituição de uma geração por outra - para isso, seriam necessários, no mínimo, 2,1 filhos por mulher. O déficit de fertilidade provoca nesses países o envelhecimento da população e uma série de importantes problemas demográficos (possível diminuição do número de habitantes) e econômicos (sobretudo o peso crescente da população inativa e o financiamento das aposentadorias).

4b. População em alta
Por outro lado, a África negra e grande parte do Oriente Próximo ainda não conseguiram reduzir de forma significativa sua taxa de mortalidade infantil, próxima de 20% em boa parte dos países africanos. Além disso, o crescimento de sua população mantém-se alto em conseqüência de uma fertilidade elevada (em média seis ou mais filhos por mulher em grande parte da África negra e em numerosos países do Oriente Médio).

4c. Redução progressiva
A redução da fertilidade na América Latina (menos de quatro filhos por mulher) foi acompanhada de uma diminuição da mortalidade infantil até números inferiores a 10% na maioria dos países. Na Índia e especialmente na China seguiu-se uma política voluntária de limitação dos nascimentos, com a qual a fertilidade diminuiu de seis para quase dois filhos por mulher entre 1950 e 1990. Na China, essas medidas forma acompanhadas de uma diminuição da mortalidade entre as crianças de 0 a 4 anos, que já é inferior a 10%.

5. Crescimento vegetativo
A diferença entre a taxa de natalidade (número de nascidos vivos para cada mil habitantes em um ano) e a taxa de mortalidade (número de óbitos ocorridos em um ano para cada mil habitantes) determina o crescimento vegetativo, isto é, a porcentagem de aumento ou de redução de uma população em um ano.

Nos países desenvolvidos, o crescimento vegetativo é muito reduzido ou nulo (crescimento zero) devido às baixas taxas de natalidade.

Nos países subdesenvolvidos, ao contrário, as taxas de natalidade são elevadas.Os efeitos do crescimento vegetativo sobre a população são muito importantes: com um crescimento anual cumulativo de 3%, a população duplica-se em 23 anos.

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6. Expectativa de vida
A expectativa de vida é definida como a duração média de vida previsível de uma pessoa, de acordo com as condições que existem no ano de seu nascimento. Esse índice varia segundo as condições econômicas e o sexo. Hoje em dia, supera os 70 anos nos países desenvolvidos e não chega aos 60 em grande parte da África e da Ásia Meridional.

7. Estrutura da população e migrações
Em diferentes momentos, a população de um país pode sofrer alterações, por motivos variados. As taxas de natalidade e mortalidade são influenciadas pelas condições socioeconômicas das localidades. A população também pode ser alterada pelas migrações, a entrada e saída de pessoas de seu local de origem, influenciadas por motivos econômicos, políticos ou sociais.

7a. Etapas da transição demográfica
A transição demográfica caracteriza-se por um forte crescimento vegetativo da população em conseqüência da passagem de um regime demográfico tradicional – com elevadas taxas de fertilidade, natalidade e
mortalidade – para um regime moderno, em que
essas taxas são muito baixas.

No regime demográfico tradicional a
população aumenta com moderação.
A taxa de natalidade é elevada, mas o crescimento vegetativo é baixo porque a mortalidade também é muito alta.

Por outro lado, na etapa de transição o crescimento vegetativo é elevado. Nessa fase distinguem-se duas subdivisões:

Na primeira, a mortalidade diminui e a natalidade mantém-se em um nível elevado, o que faz com que o crescimento vegetativo aumente.
Na segunda, caem a mortalidade, de forma lenta, e a natalidade e a fertilidade, de forma acelerada, por mudanças socioculturais que ocorrem junto com a melhoria no nível de vida da população.

Desse modo, o crescimento vegetativo é reduzido até chegar ao novo equilíbrio representado pelo regime demográfico moderno.

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Nos países desenvolvidos já se chegou ao regime demográfico moderno. Alguns têm, inclusive, um crescimento natural negativo que pode provocar seu despovoamento. Mas a maior parte dos países do Terceiro Mundo está em plena transição demográfica. Os países do continente africano são os menos evoluídos e se encontram na primeira fase da transição, com taxas de crescimento superiores a 3% devido à altíssima natalidade. Alguns estados asiáticos ou latino-americanos já se encontram na segunda fase (crescimento entre 2% e 3%), enquanto o desenvolvimento econômico e modernização ou as políticas restritivas de planejamento familiar (China) têm levado outros Estados à terceira fase, a mais avançada da transição.

8. Pirâmides populacionais
As faixas etárias da população costumam obedecer a um padrão que pode ser expresso em gráficos no formato de pirâmides.

8a. Zaire
A pirâmide populacional do Zaire é representativa do conjunto de países cuja transição demográfica está menos avançada. Há uma regular e constante ampliação da base, a chamada 'pirâmide em forma de guarda-sol'. O ritmo de expansão é elevado: o número de nascimentos nos últimos cinco anos duplicou em relação ao de 15 ou 20 anos atrás. O resultado é uma população muito jovem (praticamente 50% da população tem menos de 25 anos) e com um grande potencial de crescimento. Mas é também um obstáculo para uma rápida melhoria das condições de vida, devido ao elevado custo dos serviços sanitários e de educação que devem ser oferecidos às novas gerações.

8b. Brasil
A pirâmide brasileira mostra a estrutura da segunda fase da transição demográfica, na qual o ritmo de crescimento começa a se atenuar. A forma é muito parecida à de um triângulo cuja base, ainda que continue crescendo, o faz a um ritmo menor que no caso zairense. O desequilíbrio entre população jovem e adulta é inferior: no caso brasileiro, a faixa etária entre 35 e 40 anos apresenta a metade do número de membros que a dos nascidos nos últimos 5 anos. A diminuição no ritmo de crescimento da população está ligada a uma diminuição da fertilidade e, com ela, das taxas de natalidade. Apesar disso, quando as novas e numerosas gerações chegarem à idade reprodutiva, o crescimento populacional continuará em ascensão até a primeira metade do século XXI.

8c. China
A pirâmide chinesa mostra, com suas oscilantes reentrâncias e saliências, os efeitos do poder político sobre o controle do crescimento demográfico. Após a Segunda Guerra Mundial e a civil (1940-1949), a expansão demográfica da população chinesa torna-se patente (faixas etárias entre 30 e 40 anos). As primeiras medidas sobre o controle de nascimentos (1960-1965) produzem uma forte contração na faixa entre 25 e 30 anos. O abandono do planejamento familiar em etapas posteriores representa um novo boom demográfico (gerações numerosas nas faixas entre 15 e 25 anos). O retorno às medidas restritivas (campanha para o 'filho único') faz com que diminuam os membros das gerações de menos de 15 anos. Se essa tendência prosseguir, a transição demográfica chinesa poderá ser finalizada em curto prazo.

8d. Austrália
A pirâmide australiana corresponde a um país em pleno regime demográfico moderno. Sua forma corresponde ao tipo ogival, com uma reentrância correspondente aos anos de 1930 e início dos de 1940, seguidos do baby boom posterior à Segunda Guerra Mundial (nascimentos após 1945). O processo imigratório continuado, até a primeira metade da década de 1970, mantém o crescimento. Depois, entre 1975 e 1990 há uma redução, de modo que a faixa etária de 0 a 5 anos é tão numerosa quanto a dos nascidos entre 1945 e 1950 (entre 40 e 45 anos). O menor número de nascimentos origina um processo de envelhecimento que se verifica no alargamento da parte superior da pirâmide.

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9. Migrações mundiais
Migração compreende o deslocamento a longa distância de uma quantidade importante de seres humanos. Todo processo migratório pressupõe a existência de vários elementos: um ponto ou zona de partida, um local de acolhida, alguns fatores de atração e outros de repulsão.
Na atualidade, a maioria das migrações é de pessoas procedentes de países subdesenvolvidos. Essas migrações são estimuladas por fatores de repulsão nos lugares de origem: pressão demográfica, dificuldades para encontrar trabalho nas grandes cidades superpovoadas, ineficiência dos sistemas agrícolas para garantir vida digna etc. Até pouco tempo atrás, existiam diversos fatores de atração nos países desenvolvidos, como a necessidade de mão-de-obra, salários relativamente elevados e infra-estrutura social (sobretudo educação para os filhos e serviços sanitários).

A maior parte das migrações tem uma origem socioeconômica e é resultado da busca por melhores condições de vida. Outro tipo de migração tem origem em causas políticas.

A população ativa feminina é
menor que a masculina, apesar
da incorporação da mulher
ao mercado de trabalho

10. População ativa e inativa
A análise de uma população também pode ser feita de acordo com sua ocupação profissional. Para isso, é necessário fazer a distinção entre: população ativa, ou seja, aquela que tem uma ocupação (população ativa ocupada) ou que procura um emprego (população desempregada); e população inativa (jovens estudantes, idosos, donas de casa).
A taxa de dependência é a relação entre as faixas etárias inativas e as que estão em idade de trabalhar, e expressa a carga relativa que os jovens e idosos constituem para os adultos ativos.

Em 1990, a média mundial dessa taxa era de 62,6%.

Nos países desenvolvidos, a taxa baixava até 50,1%.

Nos países subdesenvolvidos, subia até 66,7%, devido à grande quantidade de jovens

11. Setores econômicos
Segundo a atividade econômica, a população ativa divide-se em três grandes setores: primário, secundário e terciário.

  O setor primário engloba as atividades que estão diretamente relacionadas à natureza: a agricultura, a pecuária, a caça, a pesca e a silvicultura.
  O setor secundário abrange as atividades diretamente relacionadas com a atividade industrial, e é composto pelas indústrias de transformação, extrativas e de construção.
  O setor terciário reúne os serviços e as trocas comerciais.

A complexidade do setor terciário torna necessária a distinção entre:

Terciário inferior, que agrupa o serviço doméstico, o comércio varejista e o artesanato.

Terciário superior, relacionado aos serviços de alto nível técnico (bancos, seguros e profissionais liberais).

Terciário tecnológico, que agrupa a pesquisa, a informática, o ensino e a informação.

O terciário tecnológico tem assumido tamanha
importância que já está sendo considerado
como um quarto setor da economia.


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