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Relevo brasileiro
 Se fosse possível passar uma régua gigantesca sobre o território brasileiro a 3.000 m de altitude, ela só esbarraria num único ponto do relevo: o pico da Neblina, situado no extremo norte do país e que tem 3.014 m. O restante do Brasil está todo abaixo dessa altitude. Não existem, por exemplo, cadeias montanhosas do porte de uma cordilheira dos Andes, que se estende pela América do Sul, na costa do oceano Pacífico. Apesar da aparente "modéstia" dos picos brasileiros, nem sempre foi assim. Há muito tempo, as altitudes eram bem maiores. O relevo brasileiro tem formação muito antiga. Ele data da era Pré-Cambriana, há mais de 550 milhões de anos. É uma época tão remota que os únicos habitantes da Terra eram seres invertebrados, como vermes e águas-vivas – nem sequer existiam peixes ou plantas terrestres. Foi nesse período que o relevo do Brasil ganhou sua primeira forma. Hoje, depois de centenas de milhões de anos sofrendo processo natural de erosão, apenas 0,5% do país está acima dos 1.200 m de altitude.
Durante esse tempo, também não aconteceram movimentos geológicos que gerassem novas cadeias montanhosas. A última grande "sacudida" das placas tectônicas ocorreu no período Terciário, há cerca de 50 milhões de anos. Foi quando se originaram os Andes, as montanhas Rochosas (América do Norte) e o Himalaia, cordilheira situada na Ásia e onde estão as maiores montanhas do mundo.
O Brasil não teve nada disso e, assim, predominam as baixas altitudes. Quase 80% do país situa-se entre zero e 500 metros. O relevo é caracterizado por serras – cadeias antigas de montanhas desgastadas pela erosão. É o caso da serra da Cantareira, localizada ao norte da cidade de São Paulo.
Os pontos mais altos dessas serras são os picos, que aparecem principalmente em duas regiões do país: no extremo norte (onde estão o pico da Neblina, o 31 de Março e o monte Roraima) e na serra da Mantiqueira, que se estende pelos Estados da região Sudeste e que abriga, entre outros, os picos da Bandeira e o das Agulhas Negras. As grandes elevações da porção sudeste concentram-se numa região bastante desenvolvida do país. Na ligação dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, entre a serra da Mantiqueira e a do Mar, localizam-se cidades importantes como Taubaté, São José dos Campos e Jacareí, no Vale do Paraíba.
O aproveitamento turístico é outra característica de pontos acima de 1.000 m. Alguns lugares tornaram-se bastante procurados pelos turistas. A cidade paulista de Campos do Jordão, na serra da Mantiqueira, atrai visitantes principalmente durante o inverno. No Rio de Janeiro, destaca-se o Dedo de Deus (1.692 m), na serra dos Órgãos. Em Santa Catarina, pode ser visitado o morro da Igreja (1.822 m), na serra Geral, onde a temperatura médial anual é de 7 ºC. O pico do Jaraguá (1.128 m) é um dos mais conhecidos dos paulistanos e pode ser visto de vários
pontos da cidade.
    
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A idade dos picos  
 
 Compare a altura das montanhas brasileiras com algumas das maiores do mundo, a partir da idade e da formação geológica. 
 
Era Pré-Cambriana4,6 bilhões a 550 milhões de anos
Aparecem organismos unicelulares (bactérias)
e os multicelulares (vermes e águas-vivas).
 
   
Era Cenozóica65 bilhões de anos até os dias atuais
Os dinossauros desaparecem. É a época dos grandes mamíferos e do aparecimento do homem.
 
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As sete pontas brasileiras  
 Os pontos mais altos do território brasileiro situam-se principalmente em dois locais: no extremo norte do país, nas fronteiras com a Venezuela e a Guiana, e na serra da Mantiqueira, que cruza os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os picos ao norte do país fazem parte de áreas serranas descontínuas, que vão do Amapá até o Amazonas. As altitudes oscilam entre 600 e 1.000 m, chegando a atingir mais de 3.000 m, como o pico da Neblina – o ponto mais alto do Brasil. Já os demais picos se concentram numa área de planaltos e serras conhecida como Atlântico Leste-Sudeste e que se estende de Santa Catarina até a Bahia. Conheça a seguir as características dos sete picos brasileiros que ultrapassam os 2.700 m de altitude.

PICO DA NEBLINA
Altura: 3.014 m
Localização: serra do Imeri, Amazonas.
O pico da Neblina é o ponto culminante do Brasil. Localiza-se na fronteira com a Venezuela. Para alcançar seu topo, leva-se nada menos do que 15 dias, a partir da cidade de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Para os aventureiros, o caminho é cheio de obstáculos, terrenos inundados e escarpas de pedras escorregadias, além de chuva fina e umidade constante. Quem chega ao cume costuma deixar alguma lembrança ou mensagem junto à bandeira brasileira, que se encontra fincada lá no alto. O pico faz parte de um parque nacional que se destaca por possuir flora rica em espécies e por ocupar terras dos índios ianomâmis.

PICO 31 DE MARÇO
Altura: 2.992 m
Localização: serra do Imeri, Amazonas.
É o segundo pico mais alto do território brasileiro, com localização vizinha a do pico da Neblina. O acesso é muito difícil e alcançar o topo é uma aventura arriscada. Por esse motivo, ele é praticamente desconhecido.

PICO DA BANDEIRA
Altura: 2.890 m
Localização: serra do Caparaó, entre Minas Gerais e Espírito Santo. Maior elevação de relevo na região Centro-Sul do país, o pico da Bandeira está na serra do Caparaó – uma extensão da serra da Mantiqueira. Até a descoberta dos picos da Neblina e 31 de Março, foi considerado
o ponto mais alto do Brasil. O caminho até
o topo não exige escaladas, mas a trilha é
bem acidentada.

PEDRA DA MINA
Altura: 2.797 m
Localização: serra da Mantiqueira, entre os Estados de Minas Gerais e São Paulo.
Também faz parte das elevações de relevo da serra da Mantiqueira, no Planalto Atlântico – região de maiores altitudes médias do território brasileiro. Até abril deste ano, os registros do IBGE indicavam a altura de 2.770 m, sendo a sexta maior formação rochosa do país. No entanto, novas medições feitas pelo Departamento de Geografia da USP mostram que a Pedra da Mina é o ponto mais alto da serra da Mantiqueira e quarto mais alto do
Brasil, com 2.797 m.

PICO DAS AGULHAS NEGRAS
Altura: 2.789 m
Localização: serra de Itatiaia, entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. Situa-se no Parque Nacional de Itatiaia, o mais antigo parque
nacional do Brasil, criado em 1937 e até hoje o mais visitado, principalmente por sua localização, entre os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.















Pico da Neblina: o ponto mais alto do Brasil
localiza-se na serra do Imeri, Amazonas
Foto: Agência Tyba/Pulsar

 
 


PICO DO CRISTAL
Altura: 2.780 m
Localização: serra do Caparaó, Minas Gerais.
O pico do Cristal constava até há alguns anos como quarto pico mais alto do país, segundo o anuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sua altura, porém, foi revista e hoje ele é considerado o sexto ponto culminante do Brasil.

MONTE RORAIMA
Altura: 2.739 m
Localização: serra do Pacaraima, Roraima.
A região onde se encontra o pico é um dos lugares mais antigos e diferentes da Terra, com montanhas em forma de mesa (tepuis) de mais de 2 milhões de anos. No cume, encontra-se o marco que divide Brasil, Guiana e Venezuela. Em 1989, foi criado o Parque Nacional de Roraima, que abriga várias aldeias indígenas.

Monte Roraima, na fronteira com
a Guiana e a Venezuela: uma das regiões
mais antigas e diferentes da Terra
 
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Como nascem as montanhas 
Acompanhe o processo de formação de montanhas por dobramento, que acontece quando duas placas tectônicas entram
em choque.
 
 
 
Ao entrarem em contato, as placas formam uma zona de compressão e começam a produzir uma deformação na crosta terrestre para cima ou para baixo.Surgem curvaturas no relevo, causadas pelo dobramento das estruturas rochosas. O movimento pode gerar pequenas elevações ou grandes cadeias montanhosas.
Duas placas tectônicas que se movimentam horizontalmente e em sentidos opostos entram em choque, impulsionadas pela energia do interior
da Terra.
As partes elevadas dão origem às montanhas. Já as partes baixas podem se transformar em vales. O processo é chamado orogênese.
 
 
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Glossário
Montanha: grande elevação de terreno.
Pico: ponto mais alto de uma montanha ou serra. 
Para saber mais:
Geografia Nova – O Espaço Brasileiro, Igor Moreira, Ed. Ática, São Paulo, 1999.
Lições de Geografia: População e Atividades Econômicas – Regiões do Brasil, Hélio Carlos Garcia e Tito Márcio Garavello,
Ed. Scipione, São Paulo, 1998.
 
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