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Caminhos fluviais

O Tietê teve papel fundamental na economia e no desenvolvimento do Estado de São Paulo. Tanto como meio de transporte quanto como gerador de energia elétrica.

Rumo ao interior
O Tietê nasce a 840 metros de altitude, em plena Serra do Mar, num sítio chamado "Pedra Rajada", a 25 km da cidade paulista de Salesópolis. Não passa de um olho d'água, no meio das pedras. Passaria quase despercebido, não fosse uma placa de referência, onde se lê: "Aqui nasce o rio Tietê - Sociedade Geográfica Brasileira - 1554-1954". Dirige-se de leste para oeste ao longo de 1.050 km, até lançar-se no rio Paraná, na cidade de Itapura, divisa com o Estado de Mato Grosso do Sul.

Curso retificado
Sinuoso no passado, o rio Tietê é hoje um retão a perder de vista. Seu curso começou a ser retificado a partir de 1942. Mas nem por isso ele perdeu sua vazão original - de 82 metros cúbicos por segundo na Região Metropolitana e, durante as cheias, de mais de 1.000 metros cúbicos por segundo. Suas matas ciliares deram lugar às Marginais. Este novo traçado só aumentou os graves problemas ambientais do rio: o asfalto não absorve o excesso de água existente quando o leito do rio sobe - e, por isso, ele acaba transbordando e causando várias enchentes.

Veio bandeirante
Ao deixar a Grande São Paulo, o Tietê corta todo o Estado, banhando várias cidades e, recebendo numerosos tributários - como os rios Jundiaí, Sorocaba e Piracicaba, que margeiam grandes cidades paulistas batizadas com o mesmo nome. Correndo para o interior, o Tietê tornou-se um caminho natural para o deslocamento dos primeiros desbravadores do nosso país que viajavam à procura de ouro e pedras preciosas. Era "uma seta apontada para o sertão", nas palavras do poeta modernista Cassiano Ricardo. Daí a importância do rio para a história do país.

Pelo interior
No início do seu curso, o Tietê atravessa a região de Mogi das Cruzes, onde se torna bastante sinuoso. Mais adiante pipocam às suas margens cidades históricas, como Porto Feliz, Tietê, Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita, entre muitas outras. Em Barra Bonita, suas águas passam por um processo de limpeza e atingem as áreas próximas de sua foz, servindo como local de lazer onde se pode pescar, acampar e tomar banho. Os lagos e as praias artificiais formados pelas barragens atraem grande número de visitantes - um cenário bem diferente daquele que se avista em Pirapora do Bom Jesus.

Aproveitando a força das águas
Como as águas do Tietê percorrem uma região de relevo muito acidentado, formam-se várias cachoeiras, cuja força das águas foi aproveitada para produzir energia elétrica. Sim! Embora seja difícil acreditar, quando ligamos um aparelho eletroeletrônico, em São Paulo, estamos na verdade aproveitando a força das águas do Tietê! Assim, o rio tem um papel marcante no desenvolvimento econômico do Estado, já que a energia elétrica é indispensável à indústria e ao comércio. Barra Bonita, Bariri, Três Irmãos, Nova Avanhandava e Ibitinga são apenas algumas das hidrelétricas construídas sobre o rio.

Eclusas ao largo!
Mas se o terreno acidentado permitiu represar as águas do Tietê, ele não facilitou a navegação fluvial. Agora, graças à abertura de eclusas, uma nova página na história desse rio está sendo escrita: em alguns trechos - entre Conchas e a foz, no rio Paraná, por exemplo -, o Tietê tornou-se navegável, consolidando em parte o sucesso do projeto de construção da Hidrovia Tietê-Paraná, uma artéria que aproximará ainda mais o Brasil de seus parceiros do Mercosul.


Dados do Tietê
• Nascente:
Pedra Rajada, sítio
a 25 km de Salesópolis (SP)
• Foz: Rio Paraná, na cidade de Itapura,
divisa com Mato Grosso do Sul
• Extensão: 1.050 km
• Principais afluentes: Tamanduateí, Juqueri,
Aricanduva, Pinheiros, Jundiaí,
Sorocaba, Piracicaba.

A placa da Sociedade Geográfica Brasileira marca a nascente do rio Tietê.
Projeto de retificação do curso do rio. Em verde, o curso original.
Usina de Promissão, no interior de São Paulo.
Enchentes e inundações às margens do Tietê: todo início de ano, na época da chuva, essa cena se repete na capital.
As "nuvens" de espuma denunciam a poluição do rio.
 
 


 


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