Ciência e misticismo Na virada do primeiro para o segundo milênio, muitas pessoas pensaram que o mundo ia se acabar. Tanto a ciência como o misticismo buscam – a seu modo – a explicação para este receio diante do desconhecido. Religião. De acordo com Hilário Franco Júnior em seu livro Ano 1000 – Tempo de Medo ou de Esperança?, o calendário é um produto cultural e como tal revela muito mais do que os conhecimentos matemáticos e astronômicos de uma sociedade. "Medir e ordenar o tempo é transformar um fenômeno natural em um produto cultural de controle social", diz ele no livro. O calendário controla, por exemplo, os momentos de atividades profanas, religiosas, de trabalho e de ócio. A sua influência nas vidas das pessoas é tão grande que é comum sentimentos exacerbados aparecerem nas viradas de século e, principalmente, nas de milênio. Na Europa medieval existiram fortes sentimentos apocalípticos por volta do ano 1000. O desconhecimento dos fenômenos astronômicos e naturais fazia com que as pessoas buscassem respostas na religião. Nos últimos anos do primeiro milênio muitos ingressaram em mosteiros acreditando no fim dos tempos. Ciência. Se na época medieval a virada do milênio tomou uma dimensão religiosa, hoje, às vésperas da passagem do segundo para o terceiro milênio, os temores recaem não sobre o Além, mas sobre o ritmo de transformações frenéticas imposto pela ciência e pela tecnologia. "Porque ficou muito complicado entender a ciência e a tecnologia, principais vetores de mudança hoje, é que as pessoas tendem a recorrer ao misticismo. As crenças de rápido consumo provocam sentimentos de quietude em um momento que as pessoas sentem que as coisas estão fugindo do controle", diz o historiador Nicolau Sevcenko. Apesar de o calendário procurar regrar e dar sentido à vida social das pessoas, de tempos em tempos as inquietações sobre o desconhecido geram sentimentos apocalípticos que, normalmente, se manifestam nas viradas de século e de milênio. | Museu do Prado/Madri |  | | Os Sete Pecados Capitais, de Hieronymus Bosch, século XV. Visões apocalípticas relacionadas à virada de um milênio são baseadas na crença cristã do final dos tempos. |
| Para saber mais | • Virando Século, Lilia Schwarcz e Laura de Mello e Souza (Orgs.), Companhia das Letras. A coleção traz os principais acontecimentos históricos das últimas dez viradas de século.
Calendário, David Ewing Duncan, Ediouro. A epopéia da humanidade para determinar um ano verdadeiro e exato.
O Apocalipse e a Volta do Messias: Promessas de um Novo Céu e de uma Nova Terra, Leneide Duarte e Leila Duarte, Mauad. Estudo temático, histórico e teológico do último livro da Bíblia, o Apocalipse.
• Crônicas de um Fim de Século, Zuenir Ventura, Objetiva. O escritor e jornalista faz uma reflexão sobre o Brasil do final do século. |
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