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Meu filho está
na 6ª série, tem facilidade nos estudos, tira boas notas, mas
sou freqüentemente chamada na escola
por causa de seu comportamento indisciplinado. Não
sei mais o que fazer para que ele se comporte
na escola.
A questão da disciplina na escola (e fora dela) é complexa,
principalmente hoje em dia, e é por isso que vou me limitar
a tecer algumas considerações sobre o assunto, oferecendo
elementos de reflexão para que você mesma encontre algumas
respostas.
O problema da
indisciplina na escola está relacionado muitas vezes
a um ideal de aluno e a um tipo padronizado de comportamento almejado
pela escola. Algumas escolas estão organizadas para que todos
os alunos sejam iguais, ajam da mesma forma, aprendam do mesmo jeito
e no mesmo ritmo, num espaço onde as formas de mover-se,
de falar e de estar são sempre controladas. A única
voz é a da instituição e não há
ouvidos para o aluno. Na sala de aula, ouve-se um rosário
de ordens para não fazer barulho, não falar, prestar
atenção, não mexer na mochila.
Esse modelo
de disciplina gera focos de resistência que se manifestam
justamente por aquilo que a escola tenta controlar: o comportamento.
Algumas crianças se submetem, outras tentam criar seus próprios
espaços de liberdade e de fala por meio do movimento, da
conversa, do desrespeito às regras instituídas, do
enfrentamento, da insubmissão.
Há escolas, por outro lado, que querem romper com essa postura
autoritária, oferecendo aos alunos uma liberdade que se confunde
com permissividade. A autoridade do professor é enfraquecida
por uma suposta relação de amizade, de companheirismo
que, por sua vez, subverte o respeito e, conseqüentemente,
a ordem.
A nossa autoridade
de pais, professores, adultos enfim, legitima-se no saber. Em outras
palavras, o saber que adquirimos ao longo da vida daquilo que aprendemos
de nossos pais e professores nos autoriza a dizer "sim"
e "não", a recompensar e punir, a exigir o que
achamos certo. Quando nós, pais e professores, agimos em
nosso próprio nome, sustentados pelo nosso saber e pelo nosso
desejo, a criança reconhece a autoridade de nossas palavras
e decisões e, mesmo que não concorde, aceita-as.
Atualmente,
deixamos de agir em nosso próprio nome e passamos a educar
nossos filhos em nome de teorias que profetizam traumas infantis
de todos os tipos, como conseqüências dessa ou daquela
atitude dos pais. Acuados pelo medo de prejudicarmos nossas crianças,
perdemos nossa autoridade. Perdemos nossas referências e estamos
criando crianças e jovens também sem referências,
sem limites. Nós criamos e não educamos.
Tentando evitar
o autoritarismo de nossos pais e avós, perdemos nossa autoridade.Ter
autoridade não é ser autoritário e permitir
o diálogo e a tomada de decisões não é
ser permissivo. A autoridade é baseada no respeito mútuo,
na cooperação e na reciprocidade, mas se sustenta
no saber e no desejo de cada um.
Para completar
sua reflexão, vou colocar algumas perguntas para você
responder a si mesma:
Seu filho
apresenta, fora da escola, os comportamentos de que a escola se
queixa?
Esses comportamentos são novos ou sempre existiram?
Algum fato novo, na escola ou na família, poderia
estar motivando tais comportamentos?
Há unanimidade de opinião entre os professores
sobre esse fato?
Você já conversou com seu filho, tentando escutar
o que há por trás desses comportamentos?
Ele gosta da escola? Faz algum tipo de queixa?
Em que medida você considera as queixas que ele faz
da escola?
Qual desses modelos se aplica às relações
de autoridade em
sua família?
Bom, espero
que essas considerações possam ajudá-la a compreender
o problema e a buscar soluções.
Um abraço,
Elisa
Maria Pinto Cesar Andrade
Fonoaudióloga formada pela Ufesp (Escola Paulista de
Medicina), especializada em problemas da aprendizagem escolar.
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