|
|
Meu filho está no ensino infantil e a escola dele oferece um curso
opcional de Inglês. Vale a pena inscrevê-lo? É melhor aprender outra
língua mais cedo?
Falar bem uma língua estrangeira envolve quatro fatores:
pronúncia, entonação, fluência e a própria
linguagem.
A pronúncia será tanto melhor quanto mais cedo a aprendizagem
for iniciada.
Até 5
ou 6 anos, uma criança pode adquirir uma pronúncia
perfeita, mas que se deteriora facilmente quando ela deixa de usar
a língua. A partir dessa idade, a facilidade de aprender
a falar novos fonemas (sons da fala) diminui progressivamente, dependendo
evidentemente de características individuais como atenção
auditiva, habilidades fono-articulatórias, empenho e, principalmente,
do valor que o indivíduo atribui à pronúncia.
Cada língua
tem uma entonação própria e esta só
pode ser aprendida por meio de modelos, ou seja, ouvindo e reproduzindo.
Aprender as
nuances da entonação pode ser mais fácil para
a criança do que para o adulto, mas depende muito mais do
uso freqüente da língua – com falantes proficientes
em situações reais de comunicação –
do que a idade.
A aquisição
de fluência é determinada apenas pelo uso da língua
em situações reais de comunicação e
não tem relação alguma
com idade.
A aprendizagem
da linguagem depende de fatores individuais como habilidades cognitivas,
interesse, necessidade e, principalmente, vontade e empenho.
Concluindo,
é possível aprender uma língua estrangeira
em qualquer idade, desde que se estude ou que se tenha oportunidades
freqüentes de usá-la. A única vantagem que a
criança tem sobre o adulto é a flexibilidade fono-articulatória
que facilita a aprendizagem da pronúncia. Esta, no entanto,
só se mantém se a criança não deixar
de usar a língua.
Antes de
tomar a decisão, considere então os seguintes fatores:
- Formação
dos professores: para a criança desenvolver boa
entonação e fluência precisa de um bom
modelo de pronúncia e vocabulário. Nesta idade,
é mais fácil adquirir vícios de pronúncia
também.
- Quantidade
de horas semanais dedicadas à prática
exclusiva da segunda língua. Se forem poucas horas
por semana, não há grande benefício
na antecipação do aprendizado e pode apenas
configurar sobrecarga de atividades para a criança.
- Interesse
da criança: sem motivação pessoal,
a aprendizagem não será
tão eficiente.
- Possibilidade
de continuidade do curso para que a criança
mantenha a prática.
Um abraço,
Elisa
Maria Pinto Cesar Andrade
Fonoaudióloga formada pela Ufesp (Escola Paulista de
Medicina), especializada em problemas da aprendizagem escolar.
|
 |
|