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Meu filho
de 6 anos está na 1ª série do ensino fundamental e, apesar das boas
notas, a professora sempre reclama de sua falta de concentração,
que não pára quieto na carteira e que é desorganizado com seu material.
Em casa, noto que ele é um pouco afobado, quer fazer tudo muito
rapidamente. Como posso ajudá-lo?
Percebi em sua carta que há uma diferença entre os
relatos da escola e o que você observa em casa. Na escola,
ele é desorganizado, inquieto e não tem concentração.
Em casa, é afobado. Você não mencionou, mas
justamente por isso suponho que em casa ele não seja desorganizado,
inquieto ou desconcentrado, não o suficiente para causar-lhe
preocupação.
Se ele tem boas
notas, a falta de concentração não é
suficiente para comprometer o seu aprendizado. Será que ele
não se concentra mesmo? O que você observa quando ele
faz as lições de casa? Faz com autonomia? Sabe o que
tem que fazer, o material de que precisa? Faz até o final?
Como são os seus cadernos? Há organização
na escrita? Há limpeza e cuidado? E quando brinca, joga ou
assiste TV, fica concentrado? Muda de atividade a todo instante
sem terminar a anterior?
Ele tem apenas 6 anos e já está na 1ª série:
um comportamento próprio dessa idade não estaria sendo
confundido com falta de concentração? Seu comportamento
não estaria sendo comparado com os dos colegas, um ano mais
velhos, portanto um pouco menos infantis? Nessa faixa etária,
as crianças aprendem muito em um ano e essa diferença
talvez não esteja sendo considerada.
Penso que pelo
mesmo motivo ele não pára quieto na cadeira e também
não organiza seu material na carteira. Talvez ele necessite
apenas de alguém que o ensine a fazer isso e de um pouco
de tempo para aprender.
Não estou
querendo dizer que uma criança de 6 anos não deva
(ou não possa) ser organizada, sossegada e concentrada nas
atividades. Estou apenas levantando a hipótese de haver uma
preocupação excessiva da professora.
Em casa, em
que situações ele é afobado? Nas atividades
em geral ou quando faz as lições de casa? É
afobado porque quer terminar logo para fazer outra coisa ou porque
as lições não são suficientemente interessantes
para que ele dedique mais tempo a elas? Será que o mesmo
não acontece na escola e por isso se levanta sempre da carteira?
Essa é uma outra hipótese que você deve pesquisar.
Estou levantando
essas possibilidades pois, como disse acima, não me pareceu
que você partilhe as preocupações da professora
no que se refere à falta de concentração e
à desorganização.
Está
claro que a quietude, a concentração e a organização,
como todo comportamento humano, têm um componente afetivo.
Isso quer dizer que somos mais ou menos organizados, ficamos mais
ou menos concentrados de acordo com o nosso interesse e com o investimento
afetivo que colocamos em cada tarefa. Estar desconcentrado não
significa não ter capacidade de concentração,
da mesma forma que realizar algumas tarefas de forma desorganizada
não significa ser desorganizado.
Não confunda, no entanto, falta de organização
com bagunça. Ser organizado é saber traçar
um caminho para atingir uma meta, prever os desvios e fazer as mudanças
necessárias para retomar o caminho e chegar sempre ao final.
Ser organizado não significa, necessariamente, ser ordeiro.
A organização é uma atividade cognitiva e a
ordem é aprendida socialmente.
Em casa, você
pode ajudar o seu filho a ser mais ordeiro, arrumando os objetos
junto com ele, ensinando-lhe a separar os objetos de acordo com
a função ou a categoria, provendo espaços para
acomodá-los. Na escola, no entanto, a professora é
quem deve ensiná-lo a arrumar o material.
Bem, espero
que essas observações possam ajudá-la, pelo
menos,
a avaliar a situação, identificar e localizar o problema.
Um abraço,
Elisa
Maria Pinto Cesar Andrade
Fonoaudióloga formada pela Ufesp (Escola Paulista de
Medicina), especializada em problemas da aprendizagem escolar.
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