Como posso saber se minha filha, que fará 6 anos em novembro, pode ser matriculada na 1ª série do ensino fundamental no próximo ano?

Tenho muita satisfação em poder ajudá-la a pensar sobre esse assunto antes de tomar uma decisão. É uma decisão importante, mas muitas vezes atropelada pelos imperativos da sociedade moderna. "Ganhar um ano na vida" é o que se diz. O que temos observado, no entanto, é que esse ganho nem sempre compensa.

Você não mencionou, mas suponho que sua filha esteja freqüentando uma escola de educação infantil. Ela está sendo alfabetizada? E como está ocorrendo a aprendizagem da escrita? Ela tem interesse pela escrita? Está gostando de aprender?

Dois fatores importantes precisam ser considerados para a sua decisão e a alfabetização é um deles, por isso lhe fiz essas perguntas. Sobre esse assunto, peço-lhe que leia um texto que escrevi em resposta a uma mãe que tinha uma dúvida semelhante à sua (Minha filha tem 4 anos e já está sendo alfabetizada) e um outro que complementará o primeiro (Minha filha tem 6 anos e estou preocupada porque ela escreve tudo errado). Acredito que esses dois textos darão as informações de que você precisa para pensar sobre essa questão.

O outro fator é a atitude de sua filha em relação às solicitações e obrigações da escola. Dedica-se às tarefas, na sala de aula e em casa, ou prefere sempre brincar? Aceita os limites da escola, horário do parque, horário do lanche, horário de sentar e fazer as atividades que a professora propõe? Ela se queixa de ter que ficar fazendo trabalhinhos e não poder brincar na escola?

Não fique preocupada, caso as respostas sejam positivas. Criança que brinca é criança saudável e gostar mais de brincar do que de estudar, aos 5 anos, não é sinal de imaturidade. Nesse caso, você deve ponderar as seguintes questões:

Na 1ª série, o tempo destinado ao brinquedo será ainda mais curto e ela poderá ter dificuldade para se submeter às atividades acadêmicas por todo o tempo determinado. Poderá, também, enfrentar conflitos com os coleguinhas, um ano mais velhos do que ela. Nessa idade, o que as crianças aprendem e desenvolvem em um ano é suficiente para mudar as brincadeiras e os interesses.

As conseqüências de uma situação como essa poderiam ser desde um sofrimento desnecessário para ela e para a família até dificuldades escolares prematuras e também desnecessárias. Essas dificuldades, além de agravar o sofrimento próprio da inadaptação ao grupo e às solicitações da escola, ainda poderiam comprometer sua vida escolar futura.

Converse também com a professora e com a coordenadora da escola de sua filha. Elas darão informações importantes sobre ela e também poderão ajudá-la a pensar e a decidir, mas lembre-se: você conhece sua filha mais do que qualquer pessoa e só cabe a você tomar tal decisão. Até o final do ano, você terá tempo suficiente para observá-la, refletir e decidir. Faça-o com segurança e não tenha medo de se arrepender, qualquer que seja sua decisão. Não nos é dada a possibilidade de prever os acontecimentos e evitar os problemas; temos apenas que fazer o melhor que podemos e, nesse caso, você já está fazendo.

Um abraço,

Elisa Maria Pinto Cesar Andrade
Fonoaudióloga formada pela Ufesp (Escola Paulista de Medicina), especializada em problemas da aprendizagem escolar.