Meu filho de 5 anos tem ceceio. Devo procurar uma fonoaudióloga?

O ceceio é uma alteração da produção dos fonemas /s/ e /z/ e pode se apresentar de duas maneiras diferentes: na forma mais comum, esses sons são produzidos com a ponta da língua entre os dentes incisivos; na outra forma, o chamado ceceio lateral, a língua se interpõe lateralmente produzindo um chiado.

Você não mencionou o tipo de ceceio que seu filho apresenta. Suponho que seja o mais comum, mas o que vou dizer refere-se aos dois tipos.

O ceceio é um problema aparentemente estético e, por algumas pessoas, considerado até interessante, principalmente em crianças. O fato é que nem sempre o problema é puramente estético, pois pode ser causa ou conseqüência de problemas ortodônticos ou respiratórios, sendo que um ajuda a manter o outro. Vou explicar melhor.

Crianças que respiram pela boca, por exemplo, desenvolvem uma postura incorreta da língua (espalhada no soalho da boca) e dos lábios (sempre abertos) e essa postura, por sua vez, acarreta flacidez da musculatura oral e da face, podendo até alterar a fisionomia da criança.

A flacidez dos músculos aliada à postura inadequada da língua e dos lábios facilita a projeção da língua durante a deglutição e a pronúncia dos fonemas mencionados. A língua, ao projetar-se, altera a posição dos dentes levando a uma protrusão dos incisivos (dente de coelho) ou à mordida aberta (incisivos em forma de arco). A mordida aberta e a protrusão dos dentes dificultam ainda mais o fechamento da boca favorecendo a manutenção da postura inadequada e da flacidez da musculatura oral e facial, dificultando, conseqüentemente, a deglutição e a fala corretas.

Forma-se, assim, um sistema no qual os elementos envolvidos atuam uns sobre os outros produzindo, mantendo e agravando alterações. Funções alteradas (respiração, deglutição e fala) produzem e mantêm alterações anatômicas (posição dos dentes, forma do palato e da arcada dentária e tônus muscular) que, por sua vez, produzem e mantêm as alterações funcionais ou dificultam a sua normalização.

Isso significa que a intervenção deve incidir sobre todo o sistema, se desejar-se que seja bem-sucedida.

Se seu filho apresenta respiração bucal, o primeiro passo é investigar suas causas numa consulta com um médico otorrinolaringologista. Se a criança não desenvolveu ainda problemas musculares ou anatômicos importantes, a correção da função respiratória pode ser suficiente para promover a correção de outras funções que porventura estejam comprometidas. Mesmo nesse caso, é importante fazer uma avaliação fonoaudiológica depois.

Caso não seja esse o problema do seu filho, você deve procurar primeiramente a fonoaudióloga que, após a avaliação, encaminhará para os especialistas que julgar necessário.

Aos 5 anos, acredito que a intervenção seja mais preventiva do que curativa, mas, ainda assim, vale a pena para evitar que o problema atinja uma dimensão maior.

Um abraço,

Elisa Maria Pinto Cesar Andrade
Fonoaudióloga formada pela Ufesp (Escola Paulista de Medicina), especializada em problemas da aprendizagem escolar.