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Tenho 33
anos e meu marido, 35 anos. Temos uma filha de 16 meses que sempre
foi muito calma e dócil, mas de um mês para cá,
tem se mostrado muito arredia, sempre que deseja algo, chora, grita,
joga objetos no chão, distribui tapas etc. Não sabemos
mais o que fazer diante das crises, pois já tentamos quase
tudo (conversar, ceder, ficar bravos, não ceder), mas quase
nada tem feito com que a gente chegue ao resultado esperado. Pedimos
uma "luz" sobre qual atitude tomar quando ela apresentar
essas crises.
Imagino quão perplexos vocês devam estar diante de
uma criaturinha tão pequena já tentando impor suas
vontades. Perplexos diante de um comportamento tão intenso
e preocupados com uma mudança de atitude tão drástica.
Sua filha está
apresentando um comportamento novo e é preciso entender as
razões disso. Pode ser apenas birra por estar com dificuldade
de aceitar o não, de tolerar frustrações,
portanto. Pode ser também uma forma de manifestar seu desagrado
por alguma mudança que tenha ocorrido em sua vida.
Penso que vocês
poderiam ler alguns textos antes de continuarmos nossa conversa:
Meu bebê de 1 ano e 6 meses está
com mania de se jogar no chão... e Meu
filho de 2 anos e meio grita e faz muito escândalo quando
é contrariado...
Acho que essas
considerações sobre o não e sobre a
conquista da autonomia são importantes para que vocês
se assegurem de que podem e devem dizer não à sua
filha, mesmo sendo tão pequena. Penso que vocês entenderam
a importância das frustrações para o desenvolvimento
da criança, pois para crescer e se desenvolver é preciso
tornar-se independente da mãe. As frustrações
que vamos impondo aos nossos filhos por meio do não
ajudam a fazer com que percebam que não supriremos todas
as suas necessidades a vida toda.
Vocês
devem observar também se algum fato novo não estaria
motivando essa mudança de comportamento. Mudanças
na rotina familiar ou na rotina de sua filha, principalmente no
que se refere aos cuidados dispensados a ela. Se você está
mais ausente do que costumava, por exemplo, ou se outra pessoa passou
a dar a ela cuidados que até agora você mesma dava.
Mudança de quarto, no caso de ela dormir no quarto de vocês.
Interrupção da amamentação, se isso
ainda ocorria. Ida à escola ou mudança de escola.
Alguma pessoa que tenha vindo morar em casa e, até mesmo
um irmãozinho que estaria por vir.
Nessa idade, as crianças se ressentem quando as atenções
e os cuidados que recebem da mãe sofre alterações.
Mudanças na rotina e a falta de rotina geram insegurança
na criança e podem provocar mudanças de comportamento.
As crianças precisam poder prever os acontecimentos para
se sentirem seguras.
Não se preocupem, no entanto, caso os imperativos da vida
tenham imposto alguma mudança como as que mencionei. Vocês
poderão fazer algumas coisas para atenuar esse momento, mas
ela terá que viver essa frustração e crescer
com ela. O importante é que vocês lhe assegurem, por
meio de uma nova rotina, que ela poderá continuar contando
com vocês. Quando ela se sentir novamente segura de que as
coisas que são importantes para ela permanecerão,
mesmo que de uma forma um pouco diferente, seu comportamento deverá
voltar a ser como antes.
Um abraço,
Elisa
Maria Pinto Cesar Andrade
Fonoaudióloga formada pela Ufesp (Escola Paulista de
Medicina), especializada em problemas da aprendizagem escolar.
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