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Meu filho estuda
na 3ª série e tem problemas em Matemática. Não
consegue ter raciocínio, nem nas contas mais fáceis.
Por exemplo: levar 50 reais no bolso, comprar várias coisas
e ver o que sobrou ele soma tudo. O que posso fazer?
Muitas coisas podem estar envolvidas numa dificuldade como essa que
seu filho apresenta. Vamos, então, tentar separar as coisas
para entender melhor o problema.
Quando
ele faz pequenas compras, ele sabe calcular a despesa e o troco?
Quando quer comprar alguma coisa, mas não tem todo
o dinheiro necessário, sabe calcular quanto falta?
Quando joga com os amigos, calcula os pontos conseguidos,
compara os seus pontos com os dos colegas, sabe calcular quanto
o perdedor precisaria fazer a mais para vencer?
Sabe calcular quantos dias faltam para um evento que esteja
esperando?
Muitas crianças
lidam muito bem com os números e os cálculos fora
da escola, isto é, nas situações de rotina:
nas brincadeiras, nos jogos, nas compras e nas tarefas caseiras.
Na escola, no entanto, apresentam dificuldades. Problemas que elas
resolvem nas situações reais, já não
conseguem mais quando são colocados por escrito, na sala
de aula. Parece que não reconhecem, naqueles problemas escritos
que a professora apresenta, os problemas que ela resolve nas situações
do dia-a-dia. Isso quer dizer que a dificuldade do aluno não
está no raciocínio e sim, na transposição
do raciocínio para o papel.
Isso pode acontecer
por dois motivos. A criança sabe calcular mentalmente nas
situações diárias da vida, mas não tem
consciência de que faz isso, nem do modo como faz. Ela chega
ao resultado sem saber que fez mentalmente uma "conta de mais",
por exemplo. É fácil verificar se é esse o
caso de seu filho. Basta que você aproveite uma situação
de cálculo qualquer e lhe pergunte como é que ele
chegou ao resultado: "Como você sabe qual vai ser o troco?
Que conta você fez na sua cabeça para calcular o troco?
Conta de mais ou de menos?". Depois, peça que escreva
no papel os cálculos que fez de cabeça.
Outra situação
comum é a criança não acreditar no próprio
saber por ter a falsa idéia de que as coisas que aprendeu
fora da escola não servem para a escola. Ela sabe resolver
o problema, mas não o faz por achar que aquilo que sabe não
deve ser o que o professor quer. Nos dois casos é preciso
ajudar a criança a observar o próprio raciocínio
nas situações cotidianas e a transpor os cálculos
feitos mentalmente para o papel. Assim ela toma consciência
do seu jeito de resolver problemas mentalmente e também adquire
confiança em seu saber.
Caso a dificuldade
de seu filho se manifeste também nas situações
da vida diária, será preciso ajudá-lo por meio
dessas mesmas situações, ou seja, jogos, brincadeiras
e quaisquer tipos de atividades que envolvam números. As
crianças começam a aprender Matemática muito
antes de entrar na escola. E aprendem por meio das situações
cotidianas. Talvez ele não tenha tido oportunidades de usar
a Matemática no dia-a-dia e precisa fazê-lo agora.
Você não
menciona dificuldade nas outras disciplinas. Veja você que
os mecanismos do raciocínio são os mesmos para aprender
Matemática, Português ou o que quer que seja. O que
determina a diferença são as circunstâncias
(professor, método, necessidade, oportunidade etc.). Assim,
se seu filho não tem outras dificuldades na escola é
porque tem as condições necessárias para aprender
Matemática também. A falta de uso da Matemática
na vida cotidiana (contar, distribuir, agrupar objetos quaisquer,
somar pontos e comparar resultados de jogos, lidar com dinheiro
etc.) pode deixar o aluno em desvantagem em relação
aos colegas, o que poderia gerar uma inibição de raciocínio
durante as aulas.
Você pode
ajudar o seu filho oferecendo a ele tarefas que envolvam contar
objetos, juntar, separar, distribuir e contar novamente, conferir,
comparar quantidades, igualar quantidades, redistribuir, contar
e recontar. Ensine-o a contar de dois em dois, de cinco em cinco,
de dez em dez. Veja que não é para ficar simplesmente
repetindo os números. É para contar, de fato, objetos,
fazendo grupos de dois, de cinco e de dez. Isso ajuda as crianças
a compreender a forma como os números são organizados,
facilita os cálculos e a compreensão das operações
matemáticas. Aproveite as situações do dia-a-dia:
contar os pratos que vai pôr na mesa, as garrafas de refrigerante
que vai comprar, comparar a quantidade de pães e de pessoas
que vão comer, fazer pequenas compras, calcular a despesa
e o troco, comparar preços, comparar idades etc. Jogos: qualquer
tipo de jogo que envolva contagem de pontos, comparação
de quantidades, distribuição de objetos etc., como
jogos de cartas, de dados, pega-varetas etc.
São nas
ações cotidianas que as crianças aprendem a
resolver problemas de Matemática, portanto quaisquer atividades
que envolvam números e quantidades ajudarão seu filho.
Espero que essas considerações ajudem-na a compreender
porque seu filho não consegue resolver problemas de Matemática
e, assim, você possa ajudá-lo a vencer essa dificuldade.
Escreva novamente se você ainda tiver alguma dúvida.
Um abraço,
Elisa
Maria Pinto Cesar Andrade
Fonoaudióloga formada pela Ufesp (Escola Paulista de
Medicina), especializada em problemas da aprendizagem escolar.
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