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Pretendo colocar
meu filho no jardim e fiquei sabendo que há vários métodos,
como o montessoriano, o construtivista etc. Gostaria de conhecê-los
um pouco. Também soube que as Escolas Municipais de Educação
Infantil de São Paulo não alfabetizam crianças
no pré. Gostaria de saber se há alguma lei ou fundamento
psicológico para isto.
O construtivismo
Falar sobre o construtivismo não é uma tarefa fácil.
Há diferentes nuances dessa teoria e, principalmente, diferentes
interpretações e aplicações. O construtivismo
não é uma teoria nova, mas começou a ser adotado
pelas escolas brasileiras há aproximadamente 15 anos. Nessa
época os trabalhos da pesquisadora argentina Emilia Ferreiro,
sobre a aprendizagem da leitura e escrita, começaram a ser
divulgados no Brasil. Com base nesses trabalhos, cuja inspiração
é a teoria construtivista do grande pesquisador da inteligência
infantil, Jean Piaget, essas escolas brasileiras mudaram radicalmente
a forma de alfabetizar as crianças. Os princípios construtivistas
passaram a orientar o trabalho de alfabetização dessas
escolas e algumas delas, pouco a pouco, foram introduzindo esses princípios
nas outras disciplinas.
Na verdade,
o construtivismo não é um método de ensino,
mas o nome genérico dado às diversas tentativas de
aplicar nas salas de aula as concepções desenvolvidas
principalmente por Piaget. Explicando melhor: Piaget e outros psicólogos
estudaram o conhecimento humano e a forma como as crianças
se apropriam desse conhecimento. Baseando-se nas diversas interpretações
dessas teorias, as escolas desenvolveram formas de trabalhar diferentes
da tradicional, às quais foi dado o nome de construtivismo.
Por esse motivo, coisas muito variadas são feitas em nome
do construtivismo, mas nem todas são de fato construtivistas.
Também por isso é tão difícil para os
pais compreenderem essa nova teoria.
A maior contribuição
do construtivismo às escolas foi revelar que a criança
não pensa como o adulto e nem por isso é menos inteligente.
A criança tem um modo próprio de entender as coisas,
que vai evoluindo até atingir o pensamento adulto. Para os
construtivistas, a criança não absorve os estímulos
passivamente, mas se empenha para progredir, tentando compreender
as coisas de forma ativa e criativa. Manipula os objetos, faz perguntas,
observa, reflete e "inventa" explicações,
elabora hipóteses na tentativa de dar sentido às coisas
que vê, ouve e constata.
Com o passar
do tempo, sua experiência e reflexão se encarregam
de mostrar que suas hipóteses não dão mais
conta de explicar o que explicavam antes. Nesse momento, a criança
elabora novas hipóteses, mais próximas da verdade
do que as anteriores. Em outras palavras: a criança interpreta
os estímulos de acordo com as suas possibilidades de entendimento.
Assim, um mesmo estímulo será interpretado diferentemente
nas várias etapas de construção do conhecimento.
Por meio desse processo de construção e reconstrução
de hipóteses, o pensamento infantil vai se aproximando do
pensamento adulto daí o nome "construtivismo".
Supostamente,
as escolas construtivistas não infantilizam nem reduzem o
conhecimento, pois respeitam a inteligência infantil. Os erros
são compreendidos como manifestações do pensamento
infantil e não como falhas da criança e, por isso,
são aproveitados para promover a aprendizagem. Isso não
quer dizer que respostas incorretas sejam aceitas como corretas
essa é uma das interpretações errôneas
da teoria piagetiana. Os conhecimentos do aluno são levados
em consideração e o raciocínio e a reflexão
são mais valorizados do que a repetição e a
memorização.
Hoje, a maioria
das escolas mesmo aquelas denominadas tradicionais
já incorporou os princípios fundamentais do construtivismo
à sua ação pedagógica. Por esse motivo,
eu não me preocuparia tanto com o fato de a escola ser ou
não denominada construtivista.
O
método montessoriano
O método montessoriano foi concebido no início do
século XX, na Itália, por Maria Montessori. Originalmente
era usado para o treino de crianças portadoras de deficiências.
Sua principal característica é o uso de atividades
motoras e sensoriais, visando especialmente à educação
pré-escolar. É um método de trabalho individual,
com atividades específicas para estimular as percepções,
voltado mais para o ser biológico do que para o ser social.
Utiliza um material específico para a estimulação
sensorial e a criança é livre para escolher o que
vai usar. Sua liberdade, no entanto, restringe-se a objetos preestabelecidos,
sempre os mesmos, típicos para cada gênero de atividade.
Não é, evidentemente, baseado nas concepções
construtivistas.
A
alfabetização nas EMEIs
Não existe nenhuma lei que impeça as EMEIs de alfabetizar
as crianças. O que ocorre é que, segundo a lei, a
escolarização formal começa na 1ª série.
A educação infantil não é obrigatória
e as escolas públicas acabam iniciando a alfabetização
na 1ª série.
De qualquer
modo, é importante saber que podemos ensinar coisas às
crianças, mas não exigir que elas aprendam. Isso quer
dizer que podemos iniciar a alfabetização na pré-escola
desde que saibamos esperar que ela aprenda no devido tempo. De modo
geral, essa é a concepção que está por
trás da tradição de iniciar os estudos formais
aos 7 anos. Nessa idade, a criança tem mais condições
cognitivas e psíquicas de aprender o que se ensina na escola.
Preocupe-se
em oferecer uma boa educação para seus filhos, a melhor
que você puder, mas tome cuidado para não exigir, mesmo
que de forma não explícita, que eles sejam os melhores.
Um abraço,
Elisa Maria
Pinto Cesar Andrade
Fonoaudióloga formada pela Ufesp (Escola Paulista de Medicina),
especializada em problemas da aprendizagem escolar.
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